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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Batalha de Moscou


     Há 77 anos, em 04 de dezembro de 1941, as divisões blindadas alemãs já vislumbravam de longe o Kremlin, em Moscou, enfrentando as baixíssimas temperaturas russas do prematuro inverno de 1941/42, que marcavam -42°C. No dia seguinte, divisões russas vindas da Sibéria iniciavam um contra-ataque generalizado, comandadas pelo Marechal Georgy Zhukov.


Blindado soviético T-34 passa pelo cadáver de um soldado alemão,
num terreno já coberto pela neve do inverno russo.

     A ofensiva estratégica alemã , chamada de Operação Tufão, exigia duas ofensivas paralelas, realizando um pinça ao norte de Moscou contra a Frente de Kalinin, encabeçadas pelos 3º e 4º Exércitos Panzer , cortando simultaneamente a ferrovia Moscou-Leningrado. O outro braço dessa pinça se daria ao sul de Moscow, contra a Frente Ocidental ao sul de Tula , pelo 2º Exército Panzer, enquanto o 4º Exército avançava diretamente em direção a Moscou, vindo do oeste. Essa movimentação iniciara em 02 de outubro de 1941, com a aproximação das tropas alemãs nas cidades satélites que se encontravam num raio de 200km de Moscou. Em 2 de dezembro, um batalhão de reconhecimento chegou à cidade de Khimki, localizada cerca de 30 km do Kremlin, no centro de Moscou, alcançando sua ponte sobre o canal Moscou-Volga, bem como sua estação ferroviária. Isso marcou como o avanço mais próximo das forças alemãs sobre Moscou



     Por volta do final de novembro, Stalin e seus generais começaram a perceber que tinham sobrevivido à pior parte do avanço sobre Moscou. Sabiam que os alemães tinham estendido demais suas linhas, careciam de suprimentos e morriam de frio. Sabiam também que naquele momento Hitler não dispunha de reservas para convocar ninguém como os siberianos para lançar na batalha. E sabiam que seus homens que correram a defender sua cidade, haviam lutado com todas as suas forças, em sua grande maioria. “Nossos soldados tinham plena consciência da sua responsabilidade pessoal pelo destino de Moscou, pelo destino da pátria, e estavam determinados a morrer para não deixar o inimigo entrar em Moscou”, escreveu mais tarde o marechal Zhukov. Apesar do tom propagandístico dessa avaliação, ela foi em geral precisa.          

      Enquanto Stalin ordenava a Zhukov lançar a primeira contraofensiva no dia 6 de dezembro, Hitler respondia com enorme atraso aos apelos dos seus generais e reconhecia o quanto as suas tropas estavam exaustas e dispersas numa grande extensão e ordenou a interrupção, durante o inverno, do avanço para tomar Moscou e outros objetivos-chave. A diretiva 39 de Hitler, emitida em 8 de dezembro, declarava: “o severo inverno que chegou surpreendentemente cedo no leste e as dificuldades consequentes de transporte de suprimentos nos forçam a abandonar imediatamente todos as principais operações ofensivas e passar à defensiva”.

Marechal Georgy Zhukov, chamado de Leningrado por Stalin
para defender a capital soviética do avanço alemão

     Apesar de relutantemente Hitler ter dado a ordem de interromper as operações ofensivas em 8 de dezembro, ele se recusou de modo enfático a aceitar o conselho de quem comandava tropas nas proximidades de Moscou sobre como melhor poderiam se defender e preservar sua força durante o duro inverno. Se os alemães queriam uma chance de retomar o avanço para tomar a capital soviética na primavera, tinham de minimizar suas perdas. Mas, tal como Stalin, Hitler via como sinal de fraqueza toda consideração pelas perdas humanas ligadas às suas políticas, apesar dos sinais crescentes de que o líder soviético era capaz de sacrificar mais homens que o seu rival austríaco. 
O marechal de campo Von Brauchitsch, comandante em chefe do exército, autorizou Guderian a iniciar recuos limitados, que foram rapidamente executados. Mas Hitler insistiu em passar a mensagem de se tratarem de exceções, e não a regra. Falou a Guderian na noite de 16 de dezembro. Apesar da baixa qualidade da ligação, ele conseguiu transmitir a sua mensagem: o general devia manter sua posição corrente e nenhum recuo adicional seria tolerado.

Depois do atraso alemão, causado pela insistência de Hitler
em tomar Kiev primeiro, fizeram as tropas alemãs se verem avançando
sobre os terremos lamacentos, irrigados pelas fortes chuvas
do outono, atrasando ainda mais qualquer tipo de progressão
pelo solo soviético

     No dia 11 de janeiro de 1942, Stalin enviou uma ordem tipicamente violenta ao comandante da frente de Kalinin, tratando de Rzhev, a cidade de 54 mil habitantes que os alemães ocupavam desde 14 de outubro de 1941. Localizada a 210 km a noroeste de Moscou, Rzhev era considerada pelos dois lados um trampolim crucial para as tropas alemãs que ainda esperavam tomar a capital. “Durante o dia 11, e em nenhuma hipótese depois do dia 12 de janeiro, a cidade de Rzhev deve ser capturada”, ordenou Stalin. “O Estado-Maior recomenda para esse fim que toda artilharia, morteiros e força aérea sejam usados para destruir toda a cidade, e que o comando não deve hesitar em destruí-la.”

     Os historiadores russos insistem que a Batalha de Moscou terminou no dia 20 de abril de 1942, quando a contraofensiva soviética estacou e os dois exércitos esgotados ficaram presos durante outra estação lamacenta, tornando impossível o lançamento de qualquer assalto importante. Mas a batalha por Rzhev, que na realidade foi uma extensão da Batalha de Moscou, continuaria por mais quase um ano. Apesar das repetidas ordens de Stalin aos seus comandantes para expulsar os alemães, o resultado foi um ataque fracassado depois do outro, com as tropas soviéticas sofrendo baixas assustadoras mesmo pelos padrões inflados da época.

     Como resultado, o Exército Vermelho sofreu quase 2 milhões de baixas, dentre mortos e feridos, para defender a capital soviética. Tais perdas foram consideradas insignificantes pelos historiadores russos, ao passo dos resultados nas frentes de Stalingrado e Kursk, que infringiram derrotas bem mais amargas ao inimigo alemão.

Fonte: NAGORSKI, Andrew. A batalha de Moscou; tradução Paulo Castanheira. – São Paulo. Contexto, 2013.

Postado por Diego Saviatto