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quarta-feira, 2 de maio de 2018

A ALEMANHA SEM HITLER - A Fuga do Bunker da Chancelaria e a luta final dos alemães


Em 2 de maio de 1945, as tropas alemãs em Berlim receberam ordem de cessar-fogo. A foice e o martelo da bandeira soviética já tremulavam no Reichstag, simbolizando assim o fim da Batalha de Berlim e a o fim do Reich Nazista. Mas a guerra ainda não tinha terminado. Por toda a Berlim, os combates continuavam. Todavia, com a morte de Hitler, o obstáculo ideológico e político que impediam a capitulação fora removido.

O Portal de Brandemburgo, severamente atingido após a Batalha de Berlim

Alguns milhares de soldados, que na obstinação e no ímpeto de lutar até o ultimo homem, consideravam qualquer negociação um ato de traição e decidiram continuar até o fim. A Wehrwolf, uma unidade miliciana fundada no fim do ano anterior, realizava diversos atos de resistência, com o apoio dos remanescentes da Wehrmacht e da SS e Hitlerjugend. Ainda no dia 2 de maio, uma dessas unidades explodiu o túnel sob o canal Landwehr, no qual incontáveis feridos e refugiados haviam procurado abrigo. A grande catástrofe, entretanto, não se concretizou, porque a torrente de água se espalhou rapidamente. Em outro ponto dos túneis, uma unidade de resistência levou morteiros leves para os poços subterrâneos e descarregaram todo o resto da munição contra tropas soviéticas vindas em direção contrária. Um grupo de fanáticos da SS, sob forte efeito de bebidas alcoólicas, armou-se de granadas e se jogaram contra os blindados soviéticos. Uma minoria de unidades da SS, dispersas ou dizimadas, acabou formando um grupo de combatentes e tentou atravessar as linhas russas. Dentre os mais ferrenhos defensores da cidade estava o que sobrara da divisão da SS francesa Charlemagne, que oferecia resistência, sem dó nem piedade, principalmente na região do Prédio da Luftwaffe. Essa divisão atuou de forma feroz e com grande coragem na defesa do prédio do Reichstag.

Soldados alemães entregam suas armas e capacetes, após a rendição
de uma unidade alemã aos soldados do Exército Vermelho,
ainda em 02 de maio de 1945

Após desfazer-se de documentos comprometedores e de importância para o regime, bem como equipar-se do necessário, o grupo que restou do Bunker da Chancelaria, após a morte de Hitler, reuniu-se, preparando para a fuga. O SS-Brigadeführer Mohnke ordenou que o bunker fosse incendiado de forma que tudo o que fora usado nos meses finais do Reich e os aposentos particulares de Hitler não caíssem em mãos inimigas. Schwägermann e alguns oficiais da SS buscaram, então, mais gasolina e espalharam-na pelo escritório de Hitler, ateando fogo em seguida. Contudo, fecharam atrás de si a porta de aço isolada e desligaram a ventilação, fazendo com que, acidentalmente, o fogo cessasse, apenas chamuscando alguns móveis e deixando manchas de queimado. O general Weidling havia decretado o fim dos combates uma hora antes da meia-noite. Todas as unidades deveriam tentar abrir caminho em direção ao norte e, se possível, alcançar a região de comando do governo provisório de Karl Dönitz.
Pouco antes de onze horas, os moradores do bunker começaram a abandoná-lo. Krebs e Burgdorf ainda ficaram. Mohnke havia organizado dez grupos de pelo menos vinte membros cada. Com intervalos de alguns minutos, eles saíam pelas janelas dos subterrâneos, localizadas embaixo dos balcões do Führer na Chancelaria, atravessavam o que restava da Wilhelmplatz, iluminada pelos incêndios como se fosse em pleno dia, e desapareciam, escorregando e tropeçando, pela entrada coberta de entulho da estação de metrô Kaiserhof. Acompanhando os trilhos dos trens, eles seguiam caminho, como que por baixo das linhas russas, até a estação Friedrichstrasse e, de lá, pelo túnel do metrô, sob o Spree, para a estação Stettin.
O primeiro grupo, com Günsche, Hewel, Voss e as secretárias do bunker, dentre elas, Traudl Junge, foi guiado pelo próprio Mohnke; o segundo, por Rattenhuber; e o terceiro, por Naumann. Deste último faziam parte Baur e Martin Bormann, que agora, aparecia vestido no uniforme de general da SS. O motorista de Hitler, Erich Kempka, liderava um grupo de praças e de funcionários da Chancelaria que totalizava quase cem pessoas. Não demorou muito para perceberem que a intenção inicial de manter contato entre os grupos era impraticável. Assim que entravam no poço do metrô, a coesão entre eles se desfazia e, em seguida, dentro daquele universo escuro do túnel, os próprios grupos se desmembravam.

Blindado semi-lagarta Sd.Kfz 251 alemão e soldados
mortos, após a Batalha de Berlim

Na confusão que envolveu a fuga, alguns dos que haviam abandonado o grupo acabavam se reencontrando em algum lugar. Bormann foi visto às duas da madrugada, exausto e indeciso, na escadaria de pedra de uma casa na Chausseestrasse. Outros abriam caminho por trilhas, porões a descoberto e pátios de prédios em direção à Avenida Schönhauser, que havia sido designada como ponto de encontro provisório. Muitos pereceram nos combates que persistiam nas ruas, frequentemente entre tanques ou nos prédios. Na ponte Weidendamm, morreram Högl e o segundo piloto de Hitler, Betz; Walter Hewel cometeu suicídio na Cervejaria Weddinger, provavelmente cumprindo uma promessa feita a Hitler. Um grupo maior, do qual fazia parte Mohnke, seu Estado-Maior, bem como Otto Günsche, Hans Baur, Heinz Linge, Johann Rattenhuber, Hans-Erich Voss e outros, acabou sendo preso pelos soviéticos nos dias subsequentes. Ainda outros, como Arthur Axmann, Günther Schwägermann e as secretárias de Hitler, conseguiram abrir caminho para o oeste. Quando os russos ocuparam a Chancelaria, encontraram, no bunker inferior, os generais Burgdorf e Krebs mortos, sentados à mesa, com um baralho espalhado pelo chão e rodeados de garrafas. Martin Bormann foi dado como desaparecido durante muito tempo, sendo encontrado décadas depois. Assim se encaminhava o fim do Terceiro Reich, com Hitler morto e seus generais fugindo de Berlim e os soviéticos em seus calcanhares, aguardando o armistício que ainda iria vir.


Fonte: FEST, Joachim C. No bunker de Hitler: os últimos dias do terceiro reich. Rio de Janeiro : Objetiva, 2010.

Postado por Diego Saviatto