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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Batalha de Moscou


     Há 77 anos, em 04 de dezembro de 1941, as divisões blindadas alemãs já vislumbravam de longe o Kremlin, em Moscou, enfrentando as baixíssimas temperaturas russas do prematuro inverno de 1941/42, que marcavam -42°C. No dia seguinte, divisões russas vindas da Sibéria iniciavam um contra-ataque generalizado, comandadas pelo Marechal Georgy Zhukov.


Blindado soviético T-34 passa pelo cadáver de um soldado alemão,
num terreno já coberto pela neve do inverno russo.

     A ofensiva estratégica alemã , chamada de Operação Tufão, exigia duas ofensivas paralelas, realizando um pinça ao norte de Moscou contra a Frente de Kalinin, encabeçadas pelos 3º e 4º Exércitos Panzer , cortando simultaneamente a ferrovia Moscou-Leningrado. O outro braço dessa pinça se daria ao sul de Moscow, contra a Frente Ocidental ao sul de Tula , pelo 2º Exército Panzer, enquanto o 4º Exército avançava diretamente em direção a Moscou, vindo do oeste. Essa movimentação iniciara em 02 de outubro de 1941, com a aproximação das tropas alemãs nas cidades satélites que se encontravam num raio de 200km de Moscou. Em 2 de dezembro, um batalhão de reconhecimento chegou à cidade de Khimki, localizada cerca de 30 km do Kremlin, no centro de Moscou, alcançando sua ponte sobre o canal Moscou-Volga, bem como sua estação ferroviária. Isso marcou como o avanço mais próximo das forças alemãs sobre Moscou



     Por volta do final de novembro, Stalin e seus generais começaram a perceber que tinham sobrevivido à pior parte do avanço sobre Moscou. Sabiam que os alemães tinham estendido demais suas linhas, careciam de suprimentos e morriam de frio. Sabiam também que naquele momento Hitler não dispunha de reservas para convocar ninguém como os siberianos para lançar na batalha. E sabiam que seus homens que correram a defender sua cidade, haviam lutado com todas as suas forças, em sua grande maioria. “Nossos soldados tinham plena consciência da sua responsabilidade pessoal pelo destino de Moscou, pelo destino da pátria, e estavam determinados a morrer para não deixar o inimigo entrar em Moscou”, escreveu mais tarde o marechal Zhukov. Apesar do tom propagandístico dessa avaliação, ela foi em geral precisa.          

      Enquanto Stalin ordenava a Zhukov lançar a primeira contraofensiva no dia 6 de dezembro, Hitler respondia com enorme atraso aos apelos dos seus generais e reconhecia o quanto as suas tropas estavam exaustas e dispersas numa grande extensão e ordenou a interrupção, durante o inverno, do avanço para tomar Moscou e outros objetivos-chave. A diretiva 39 de Hitler, emitida em 8 de dezembro, declarava: “o severo inverno que chegou surpreendentemente cedo no leste e as dificuldades consequentes de transporte de suprimentos nos forçam a abandonar imediatamente todos as principais operações ofensivas e passar à defensiva”.

Marechal Georgy Zhukov, chamado de Leningrado por Stalin
para defender a capital soviética do avanço alemão

     Apesar de relutantemente Hitler ter dado a ordem de interromper as operações ofensivas em 8 de dezembro, ele se recusou de modo enfático a aceitar o conselho de quem comandava tropas nas proximidades de Moscou sobre como melhor poderiam se defender e preservar sua força durante o duro inverno. Se os alemães queriam uma chance de retomar o avanço para tomar a capital soviética na primavera, tinham de minimizar suas perdas. Mas, tal como Stalin, Hitler via como sinal de fraqueza toda consideração pelas perdas humanas ligadas às suas políticas, apesar dos sinais crescentes de que o líder soviético era capaz de sacrificar mais homens que o seu rival austríaco. 
O marechal de campo Von Brauchitsch, comandante em chefe do exército, autorizou Guderian a iniciar recuos limitados, que foram rapidamente executados. Mas Hitler insistiu em passar a mensagem de se tratarem de exceções, e não a regra. Falou a Guderian na noite de 16 de dezembro. Apesar da baixa qualidade da ligação, ele conseguiu transmitir a sua mensagem: o general devia manter sua posição corrente e nenhum recuo adicional seria tolerado.

Depois do atraso alemão, causado pela insistência de Hitler
em tomar Kiev primeiro, fizeram as tropas alemãs se verem avançando
sobre os terremos lamacentos, irrigados pelas fortes chuvas
do outono, atrasando ainda mais qualquer tipo de progressão
pelo solo soviético

     No dia 11 de janeiro de 1942, Stalin enviou uma ordem tipicamente violenta ao comandante da frente de Kalinin, tratando de Rzhev, a cidade de 54 mil habitantes que os alemães ocupavam desde 14 de outubro de 1941. Localizada a 210 km a noroeste de Moscou, Rzhev era considerada pelos dois lados um trampolim crucial para as tropas alemãs que ainda esperavam tomar a capital. “Durante o dia 11, e em nenhuma hipótese depois do dia 12 de janeiro, a cidade de Rzhev deve ser capturada”, ordenou Stalin. “O Estado-Maior recomenda para esse fim que toda artilharia, morteiros e força aérea sejam usados para destruir toda a cidade, e que o comando não deve hesitar em destruí-la.”

     Os historiadores russos insistem que a Batalha de Moscou terminou no dia 20 de abril de 1942, quando a contraofensiva soviética estacou e os dois exércitos esgotados ficaram presos durante outra estação lamacenta, tornando impossível o lançamento de qualquer assalto importante. Mas a batalha por Rzhev, que na realidade foi uma extensão da Batalha de Moscou, continuaria por mais quase um ano. Apesar das repetidas ordens de Stalin aos seus comandantes para expulsar os alemães, o resultado foi um ataque fracassado depois do outro, com as tropas soviéticas sofrendo baixas assustadoras mesmo pelos padrões inflados da época.

     Como resultado, o Exército Vermelho sofreu quase 2 milhões de baixas, dentre mortos e feridos, para defender a capital soviética. Tais perdas foram consideradas insignificantes pelos historiadores russos, ao passo dos resultados nas frentes de Stalingrado e Kursk, que infringiram derrotas bem mais amargas ao inimigo alemão.

Fonte: NAGORSKI, Andrew. A batalha de Moscou; tradução Paulo Castanheira. – São Paulo. Contexto, 2013.

Postado por Diego Saviatto


quarta-feira, 2 de maio de 2018

A ALEMANHA SEM HITLER - A Fuga do Bunker da Chancelaria e a luta final dos alemães


Em 2 de maio de 1945, as tropas alemãs em Berlim receberam ordem de cessar-fogo. A foice e o martelo da bandeira soviética já tremulavam no Reichstag, simbolizando assim o fim da Batalha de Berlim e a o fim do Reich Nazista. Mas a guerra ainda não tinha terminado. Por toda a Berlim, os combates continuavam. Todavia, com a morte de Hitler, o obstáculo ideológico e político que impediam a capitulação fora removido.

O Portal de Brandemburgo, severamente atingido após a Batalha de Berlim

Alguns milhares de soldados, que na obstinação e no ímpeto de lutar até o ultimo homem, consideravam qualquer negociação um ato de traição e decidiram continuar até o fim. A Wehrwolf, uma unidade miliciana fundada no fim do ano anterior, realizava diversos atos de resistência, com o apoio dos remanescentes da Wehrmacht e da SS e Hitlerjugend. Ainda no dia 2 de maio, uma dessas unidades explodiu o túnel sob o canal Landwehr, no qual incontáveis feridos e refugiados haviam procurado abrigo. A grande catástrofe, entretanto, não se concretizou, porque a torrente de água se espalhou rapidamente. Em outro ponto dos túneis, uma unidade de resistência levou morteiros leves para os poços subterrâneos e descarregaram todo o resto da munição contra tropas soviéticas vindas em direção contrária. Um grupo de fanáticos da SS, sob forte efeito de bebidas alcoólicas, armou-se de granadas e se jogaram contra os blindados soviéticos. Uma minoria de unidades da SS, dispersas ou dizimadas, acabou formando um grupo de combatentes e tentou atravessar as linhas russas. Dentre os mais ferrenhos defensores da cidade estava o que sobrara da divisão da SS francesa Charlemagne, que oferecia resistência, sem dó nem piedade, principalmente na região do Prédio da Luftwaffe. Essa divisão atuou de forma feroz e com grande coragem na defesa do prédio do Reichstag.

Soldados alemães entregam suas armas e capacetes, após a rendição
de uma unidade alemã aos soldados do Exército Vermelho,
ainda em 02 de maio de 1945

Após desfazer-se de documentos comprometedores e de importância para o regime, bem como equipar-se do necessário, o grupo que restou do Bunker da Chancelaria, após a morte de Hitler, reuniu-se, preparando para a fuga. O SS-Brigadeführer Mohnke ordenou que o bunker fosse incendiado de forma que tudo o que fora usado nos meses finais do Reich e os aposentos particulares de Hitler não caíssem em mãos inimigas. Schwägermann e alguns oficiais da SS buscaram, então, mais gasolina e espalharam-na pelo escritório de Hitler, ateando fogo em seguida. Contudo, fecharam atrás de si a porta de aço isolada e desligaram a ventilação, fazendo com que, acidentalmente, o fogo cessasse, apenas chamuscando alguns móveis e deixando manchas de queimado. O general Weidling havia decretado o fim dos combates uma hora antes da meia-noite. Todas as unidades deveriam tentar abrir caminho em direção ao norte e, se possível, alcançar a região de comando do governo provisório de Karl Dönitz.
Pouco antes de onze horas, os moradores do bunker começaram a abandoná-lo. Krebs e Burgdorf ainda ficaram. Mohnke havia organizado dez grupos de pelo menos vinte membros cada. Com intervalos de alguns minutos, eles saíam pelas janelas dos subterrâneos, localizadas embaixo dos balcões do Führer na Chancelaria, atravessavam o que restava da Wilhelmplatz, iluminada pelos incêndios como se fosse em pleno dia, e desapareciam, escorregando e tropeçando, pela entrada coberta de entulho da estação de metrô Kaiserhof. Acompanhando os trilhos dos trens, eles seguiam caminho, como que por baixo das linhas russas, até a estação Friedrichstrasse e, de lá, pelo túnel do metrô, sob o Spree, para a estação Stettin.
O primeiro grupo, com Günsche, Hewel, Voss e as secretárias do bunker, dentre elas, Traudl Junge, foi guiado pelo próprio Mohnke; o segundo, por Rattenhuber; e o terceiro, por Naumann. Deste último faziam parte Baur e Martin Bormann, que agora, aparecia vestido no uniforme de general da SS. O motorista de Hitler, Erich Kempka, liderava um grupo de praças e de funcionários da Chancelaria que totalizava quase cem pessoas. Não demorou muito para perceberem que a intenção inicial de manter contato entre os grupos era impraticável. Assim que entravam no poço do metrô, a coesão entre eles se desfazia e, em seguida, dentro daquele universo escuro do túnel, os próprios grupos se desmembravam.

Blindado semi-lagarta Sd.Kfz 251 alemão e soldados
mortos, após a Batalha de Berlim

Na confusão que envolveu a fuga, alguns dos que haviam abandonado o grupo acabavam se reencontrando em algum lugar. Bormann foi visto às duas da madrugada, exausto e indeciso, na escadaria de pedra de uma casa na Chausseestrasse. Outros abriam caminho por trilhas, porões a descoberto e pátios de prédios em direção à Avenida Schönhauser, que havia sido designada como ponto de encontro provisório. Muitos pereceram nos combates que persistiam nas ruas, frequentemente entre tanques ou nos prédios. Na ponte Weidendamm, morreram Högl e o segundo piloto de Hitler, Betz; Walter Hewel cometeu suicídio na Cervejaria Weddinger, provavelmente cumprindo uma promessa feita a Hitler. Um grupo maior, do qual fazia parte Mohnke, seu Estado-Maior, bem como Otto Günsche, Hans Baur, Heinz Linge, Johann Rattenhuber, Hans-Erich Voss e outros, acabou sendo preso pelos soviéticos nos dias subsequentes. Ainda outros, como Arthur Axmann, Günther Schwägermann e as secretárias de Hitler, conseguiram abrir caminho para o oeste. Quando os russos ocuparam a Chancelaria, encontraram, no bunker inferior, os generais Burgdorf e Krebs mortos, sentados à mesa, com um baralho espalhado pelo chão e rodeados de garrafas. Martin Bormann foi dado como desaparecido durante muito tempo, sendo encontrado décadas depois. Assim se encaminhava o fim do Terceiro Reich, com Hitler morto e seus generais fugindo de Berlim e os soviéticos em seus calcanhares, aguardando o armistício que ainda iria vir.


Fonte: FEST, Joachim C. No bunker de Hitler: os últimos dias do terceiro reich. Rio de Janeiro : Objetiva, 2010.

Postado por Diego Saviatto


terça-feira, 17 de abril de 2018

A BATALHA DE MONTESE - O AVANÇO DA FEB NA ITÁLIA



Há 73 anos, em 17 de abril de 1945, encerrava a Batalha de Montese, outra grande participação das tropas brasileiras no Teatro de Operações italiano, já nas derradeiras semanas da Segunda Guerra Mundial.  O 6º e 11º Regimentos de Infantaria da 1ª Divisão de Infantaria, apoiados pela 1ª Divisão Blindada norte-americana enfrentaram os remanescentes da 14ª Exercito do Grupo de Exércitos C da Wehrmacht, na comuna de Montese, na região de Modena, na Itália.
 
Blindado M8 Greyhound pertencente ao Esquadrão de Reconhecimento da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da FEB avança sobre as ruínas da cidade de Montese, após os combates pela tomada do local, em 18 de abril 
          Após as conquistas aliadas na região de Monte Castelo (localizado à pouco mais de 5 km ao sul da região de Montese), ao qual a Força Expedicionária Brasileira cumpriu um importante papel, o avanço se aproximada cada vez mais do norte da Itália, expulsando ou capturando as tropas alemãs do país. As tropas Britânicas do 8º Exército enfrentavam problemas em avançar contra as linhas inimigas, restando ao V Exército dos EUA, ao qual os brasileiros estavam incorporados, progredir em campo inexplorado e com as guarnições alemãs na espera de um ataque.
 A invasão de Montese se deu em duas etapas: Na primeira, que iniciou nas primeiras horas de 15 de abril, dois pelotões do 11º Regimento de Infantaria deveriam atacar os postos avançados alemães, devendo capturá-los. Como já era previsto, os alemães reagiram ferozmente, infringindo algumas baixas no primeiro pelotão, mas que, após algumas horas de intenso combate, cumpriu sua missão. O segundo pelotão ficou preso num campo minado, recebendo um forte ataque de artilharia. Nesse episódio, o comandante do pelotão fora atingido na cabeça por um morteiro, morrendo na hora. Por esse motivo, o segundo pelotão não conseguira cumprir com a missão. A segunda etapa fora a de maior importância para a operação aliada. Após o envio dos primeiros pelotões, um forte efetivo deveria invadir os pontos principais da cidade no começo da tarde de 15 de abril.
 Os alemães esperavam um ataque pelo sul de Montese (passando por Riva di Biscia) e outro entre a mesma cidade e Montello, ambos acompanhados de um movimento de ataque mais a nordeste, pelo Monte Sassobaldini. Nessa região, distante poucos quilômetros das famosas elevações do Belvedere e Della Torraccia, as montanhas não são tão altas. Mas algumas delas, como o Montello e a elevação 927, dominam toda a paisagem e, sem sua posse, seria impossível prosseguir adiante em direção ao vale do rio Panaro.

Patrulha da FEB na região entre Montese e Fanano 
 A ordem de batalha brasileira previa por isso mesmo, a tomada dessas posições através de um ataque frontal. Contudo, desde o dia 22 de março, os alemães dispunham de um plano bem elaborado para cercar as possíveis passagens de tanques e guarnecer as melhores elevações ao norte de Montese. Esse sistema previa o estabelecimento de defesas em profundidade, não guarnecendo apenas a primeira linha (como ocorrera com os alemães em Belvedere). O pivô da defesa da 114ª Divisão da Wehrmacht era justamente o conjunto de elevações ao redor do Montello, logicamente muito mais fácil de guarnecer contra tanques, e onde os brasileiros atacariam. Situada na primeira linha, a cidade de Montese, cuja tomada a FEB anunciaria ainda no primeiro dia de batalha, em si não desempenhava papel especial no dispositivo estabelecido pelo general Strahammer. O que interessava eram as elevações mais atrás: “a defesa e a posse do Montello têm de estar garantidas mesmo que o inimigo ataque de direções convergentes, passando por Montese e, ao norte, pelo Sassobaldini”.
 Finalmente, a 27 de março, o Regimento 741 conseguiu apresentar ao comandante dois prisioneiros de guerra – um inglês e outro brasileiro –, os únicos que a unidade fizera em um mês de combate. O brasileiro pertencia à Companhia do estado-maior do 11º Regimento, mas estava havia dez dias na 3ª Companhia do 1º Batalhão. Ele disse aos alemães que a FEB tinha provavelmente dois regimentos de infantaria na primeira linha e deu também a posição ocupada por cada regimento (e até batalhões), mas o oficial de informações da 114ª continua acreditando que a fronteira entre a 101ª de Montanha e a FEB passava por Montese (na verdade, estava a quase 6 quilômetros dali). As tropas da Wehrmacht já vinham sofrendo com o derradeiro fim da guerra na Europa, e o abastecimento de armas e munições eram os mais prejudicados. Em princípio de março, a 114ª Divisão possuía onze canhões antitanques pesados (esperava-se pelo menos 22), 24 morteiros leves (ao invés de 54), sete pesados (longe dos 28), nenhum canhão pesado, 1.606 bazucas (quando necessitava-se de pelo menos 2.700). Em compensação, tinha 23 canhões leves e certa quantidade de armas capturadas, como 32 metralhadoras pesadas iugoslavas, quatro morteiros austríacos, seis canhões antiaéreos italianos ou 197 carabinas sérvias.

Icônica foto de uma Patrulha Brasileira na subida rumo a Montese
O impulso do ataque brasileiro dependeria muito da rapidez com que os americanos avançassem em seu setor. Se os soldados da 10ª Divisão dos EUA caminhassem muito depressa, a FEB teria obviamente de desviar parte de seus contingentes para cobrir eventuais brechas. Ao final do primeiro grande dia de combates, os alemães admitiriam apenas a perda de Montese, com partes de um batalhão de artilharia deixado ali, mas afirmariam em seus comunicados que o restante da linha de combates não sofrera qualquer alteração. Os soldados brasileiros avançaram até o pé das montanhas fortificadas, com muito custo, e aí a luta começou para valer.  Nos dois dias seguintes, a FEB perderia quase tanta gente como em Monte Castello. Foram especialmente sangrentos os combates do dia 15 pela posse do Montello e da elevação à sua esquerda (do ângulo brasileiro), ou seja, o centro do sistema defensivo alemão. Os alemães apanharam em fogo cruzado pelo menos uma seção de uma companhia brasileira perto de Canelli (a leste de Montese), a qual foi praticamente destruída. Teriam sido pelo menos onze mortos, além de 118 feridos. Na noite do dia 15 para 16, o mais atingido dos batalhões brasileiros, o III batalhão do 11º Regimento de Infantaria, foi retirado da linha de frente.

Evacuação de feridos às vésperas da conquista de Montese pela FEB
Os ataques prosseguem no dia 16 com a mesma intensidade. Os brasileiros efetuaram a rotação de suas tropas, com os alemães registrando, no total, o emprego de seis batalhões de infantaria, ou seja, quase tudo que a FEB podia colocar em primeira linha.  Na manhã de 17 de abril, o reconhecimento alemão notou no adversário “certa calma”, era o final insólito da batalha de Montese. O IV Corpo havia ordenado à FEB que suspendesse seus ataques contra o centro do dispositivo alemão na região. As tropas brasileiras eram necessitadas, sobretudo para cobrir o avanço da 10ª Divisão de Montanha, à sua direita, que fazia bons progressos após um começo hesitante. Quanto aos alemães, sequer teriam tempo de comemorar qualquer vitória na defesa das elevações ao norte de Montese.
Montese destruída pela fogo alemão e aliado
        Após os 03 dias de combate por Montese, quase a totalidade das residências locais haviam sido destruídas pelos incessantes disparos de artilharia, tanto aliada quando alemã. Além dos danos materiais causados aos civis, estes perderam 189 vidas.  A nossa FEB levou a cabo uma campanha irrepreensível quanto à conquista do objetivo, mas a um alto custo: cerca de 430 baixas, dentre 34 mortos e os prisioneiros e feridos. Os alemães tiveram um número de 44 mortos e 453 prisioneiros. As batalhas se estenderam pelos demais montes daquela região, rumo ao norte da Itália, ate o armistício alemão em maio de 1945.


Postado por Diego Saviatto

Fontes:

WAACK, William, As duas faces da glória: a FEB vista pelos seus aliados e inimigos. 1. ed. - São Paulo: Planeta, 2015.


Segunda Grande Guerra

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A BATALHA DE MONTE CASSINO

Há exatos 74 anos, dava-se início a Batalha de Monte Cassino. Durante a campanha italiana, os aliados tentaram impedir que alemães e italianos utilizassem de uma série de fortificações, construída de costa a costa desde o Rio Garigliano desaguando no Mar Tirreno, a oeste, através dos Apeninos até a foz do Rio Sangro na costa do Mar Adriático, a leste.  Durante os combates pela região fortificada, destaca-se a sangrenta batalha ocorrida em Cassino.

Soldado paraquedista alemão em posto de observação, avistando
todo o vale de Monte Cassino

A geografia italiana impunha obstáculos naturais que impediam o avanço de tropas. Aproveitando-se disso, a Itália Fascista, em parceria com o governo alemão, em especial com as Organizações Todt, construíram a Linha de Inverno. O primeiro setor era chamado de “Linha Gustav”, organizado ao sul de Roma, num ponto elevado, que dava a vantagem para os que ali estavam. Essa era a ultima defesa nazi-fascista contra o avanço aliado pela capital. A fortaleza era guarnecida por pelo menos 15 divisões da Wehrmacht, sob o comando do General Albert Kesselring e possuía uma única fraqueza expressiva, que eram os ataques anfíbios, porém os alemães não cogitaram isso como possível, por causa do inverno. No ponto mais alto, encontrava-se a Abadia de Monte Cassino, onde encontravam-se aquarteladas pelo menos 03 divisões de infantaria e duas divisões blindadas da Wehrmacht.
Foram realizadas quatro investidas, tendo a primeira iniciado em 17 de janeiro de 1944, quando duas divisões do X Corpo de Exército Britânico atacaram as posições inimigas, porém sem nenhum sucesso, sofrendo inúmeras baixas, ocasionadas pela artilharia alemã e pelos intensos ataques da XIV Panzer Corps. Enquanto isso, as forças argelinas e marroquinas atacavam as posições da 5ª Divisão de Infantaria de Montanha Alemã, conseguindo segurar os ataques por uma semana, depois disso tiveram que recuar no dia 31 de janeiro. Seguindo no dia 22, os aliados atracaram em Anzio, nas proximidades da Linha Adolf Hitler, com o intuito de atacar a retaguarda alemã, enfrentando forte resistência. Depois de vários planos e tentativas, os aliados optaram por bombardear a Abadia de Monte Cassino, com a única intenção de desativar o prédio que estava sendo usado como posto de observação. E assim foi feito. No dia 15 de fevereiro, os bombardeiros B-17 e B-26 passaram por sobre a abadia, realizando 3 investidas, que começaram às 09h28 contando com aproximadamente 220 aviões. Além do ataque aéreo, as artilharias terrestres abriram fogo contra o prédio com suas armas de 250mm. Dizem que apenas uma parede ficou de pé. Um fato interessante é que depois de todo esse bombardeio na abadia, fora descoberto que ninguém estava lá, os alemães só se posicionaram lá após os bombardeios, nos escombros.

Soldados alemães capturados por tropas britânicas

Depois de incontáveis investidas, eis que no dia 18 de maio, Monte Cassino passa, enfim, para o controle aliado. O 2º Corpo Polonês travou uma batalha de 07 dias para, no dia 18, conseguir controlar a abadia. Agora eles podiam seguir rumo a Roma. Oitocentos e sessenta soldados poloneses morreram e 2.800 ficaram feridos. Os poloneses hastearam sua bandeira no meio dos destroços da abadia. Conseguindo controlar a região de Cassino, os aliados logo se aprontaram para seguir em direção ao seu objetivo. Agora, as forças aliadas estacionadas em Anzio conseguiriam avançar, e no dia 23 de maio efetuaram um ataque por detrás da linha Gustav, num esforço conjunto entre as forças francesas e britânicas. 
Destroços de Monte Cassino após a batalha
Com isso, os alemães são forçados a recuar, passando a defender a partir de Anzio, na tentativa de conter o abastecimento aliado pelo mar. Todavia, mais um fracasso recaiu sobre os alemães, que recuariam mais até ficarem apenas na defesa de Roma, que viria a cair em 04 de junho de 1944. 


Postado por Diego Saviatto

Segunda Grande Guerra