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segunda-feira, 5 de junho de 2017

OPERAÇÃO OVERLORD - A Invasão Aliada no Dia-D

 As Forças Aliadas não queriam de forma alguma repetir o fracasso da Operação Jubileu, que dizimou quase 4000 soldados, de maioria canadense, nos portos de Dieppe, em 1942. Quase dois anos se passaram desde então e depois de muito treinamento e preparação, enfim os Aliados estavam prontos para realizar o maciço ataque anfíbio no litoral francês ocupado pelas forças alemãs. Malgrado, os Aliados estavam limitados pelas condições climáticas. Por fim, os especialistas ingleses encontraram um dia, o Dia-D, onde a maré estava mais baixa e deixava à mostra as minas alemãs que se espalhavam por toda a costa. 
Com tropas prontas e marcada a data da invasão, restava agora colocar todo esse contingente em “marcha”, rumo à batalha. Na noite do dia 05 de junho, paraquedistas saltaram em território inimigo, com o intuito de estabelecer postos avançados, destruir comunicações e armamentos e ganhar terreno para as tropas que viriam a seguir. Pouco antes do amanhecer do dia 6, centenas de bombardeiros aliados despejaram toneladas de bombas sobre o solo francês, porém, devido ao mau tempo, caíram nos campos e plantações atrás das linhas inimigas.
O litoral francês a ser usado para o desembarque fora divido em 05 setores: Omaha, Utah, Gold, Juno e Sword.

Lanchas de Desembarque Aliadas avançam rumo a praia de Omaha,
na Normandia, em 06 de junho de 1944


A 1ª e a 29ª Divisão de Infantaria dos EUA ficaram incumbidas do  desembarque nas margens do Setor Omaha, nas praias francesas da Normandia. Os soldados foram recebidos com salvas de artilharia e disparos de metralhadoras logo que desembarcaram. O terreno estava cheio de buracos, obstáculos antitanque, portões de ferro (conhecidos como portões belgas), postes e rampas de madeiras com minas, e é claro, poderosos canhões que podiam lançar suas bombas a mais de 15 quilômetros. A distância que o soldado aliado precisava percorrer para que pudesse chegar até o “safe zone”, ou área segura,  era de aproximadamente 540 metros. Nos planos, mais de 96 tanques Sherman DD deveriam chegar à praia para poder auxiliar a infantaria, junto deles deveriam chegar divisões de engenharia para poder limpar o terreno para a passagem das tropas. Porém um vento soprou paralelamente às embarcações e tanques, fazendo com que eles aterrissassem mais para o leste do que o previsto.
O resultado foi que não havia quase nenhum tanque (cerca de cinco tanques conseguiram, tendo os demais afundado nas águas revoltas do Canal da Mancha) e as unidades de engenharia desembarcaram em lugares sem blindados e sem proteção, além de que,  eles ainda possuíam seus explosivos, e isso os tornara alvos fáceis para os inimigos. Meia hora antes da invasão, os gigantescos navios americanos bombardearam as praias e as fortificações alemãs que atrapalhariam os planos da infantaria, obtendo um resultado pouco efetivo. A primeira leva de soldados que desembarcaram em Omaha consistiam em 1450 homens, divididos em 08 companhias de infantaria. Eles chegaram lá às 06h31min.
A segunda leva chegou as 07h00min, mas devido ao grande número de embarcações indo e voltando, estas se viram num engarrafamento, que os tornou alvos fáceis. Nesse tempo a maré subiu e o pessoal que estava ferido, sem forças para saírem dali, acabou se afogando. Às 07h20min, os americanos conseguiram fazer um avanço significativo com um pelotão, que conseguiu quebrar algumas defesas alemãs enquanto um tanque M4A1 sherman do 741st Tank Battalion destruiu uma artilharia de 88mm que estava dando dor de cabeça para os soldados. Às 07h45min, outro Sherman destruiu uma casamata.
O Coronel George Taylor que ia e vinha com soldados feridos, fizera a seguinte menção: “Dois tipos de pessoas estão naquela praia, as mortas, e as que irão morrer.”. Os americanos empregaram quase 50 mil homens, dos quais 10 mil morreram. Os alemães conseguiram mobilizar uma defesa contendo cerca de 08 mil soldados, alguns já experientes e fatigados das duras batalhas do Front Leste. Do efetivo alemão, metade veio a morrer do calor da batalha.

Barreiras de todo o tipo impedem o avanço das Lanchas de Desembarque, fazendo com que os soldados aliados tenham que chegar a nado nas praias de Omaha, para logo serem alvejados pelas rajadas das MG42 alemãs
No setor seguinte, denominado Utah, era, dentre todas as outras, a mais a oeste designada para os desembarques. Localizada na base da Península do Cotentin, ela foi adicionada pelo General Dwight Eisenhower ao plano original do Dia-D para garantir uma captura prematura do porto de Cherbourg, uma área vital, no norte da península. Eisenhower percebeu que o avanço Aliado pela Europa Ocidental necessitaria de muitos equipamentos e que o único porto capaz de aguentar esse fluxo estaria em Cherbourg.
A praia tinha aproximadamente três milhas de comprimento, e boa parte dela era feita de dunas de areia e fortificações alemãs (que eram relativamente fracas, se comparadas às presentes em Omaha). A terra atrás da praia se inundava com facilidade, e se assume que os alemães acreditavam que a área não precisava de bastante proteção porque, caso os Aliados avançassem o suficiente, eles poderiam apenas inundar o local. Só existiam quatro caminhos para fora da praia, e uma inundação restringiria severamente qualquer forma de movimento, especialmente a de veículos. A cidade mais próxima para os Aliados era Carentan, ao sudoeste da praia. Por lá passava uma estrada ao leste de Bayeaux, que conectaria as tropas em Utah com as que estavam em Omaha, Gold, Juno e Sword.
O desembarque em Utah estava marcado para as 06:30 e a força Aliada veio da 4ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos. O plano para Utah incluía o salto da 82ª e da 101ª Divisões Aerotransportadas dos Estados Unidos em vários pontos de dois até cinco milhas de distância da praia. Os desembarcados na praia deveriam ser "conectados" com os paraquedistas o mais cedo possível. Os paraquedistas foram soltos primeiramente para capturar a estrada principal de Carentan até Valognes e para causar o máximo de caos possível, já que isto aconteceria às 01:30. Os comandantes alemães não sabiam se os mesmos eram apenas uma distração para um ataque maior em outro local ou se eles eram o ataque principal. Por esse motivo, os alemães não sabiam que forças utilizarem contra a 82ª e a 101ª - tal caos e incerteza foram perfeitos para os aliados.
Enquanto o ataque aéreo foi como planejado, o naval estava longe de alcançar seu objetivo. Correntes fortíssimas fizeram com que os barcos fossem parar longe de seus locais designados. Eles chegaram na praia, mas com uma diferença de dois quilômetros do planejado. Por sorte, essa área era uma das defendidas com menos intensidade e as baixas quando os americanos chegaram em terra foram mínimas. O General de Brigada Theodore Roosevelt, que estava na praia, disse para seus homens que "Nós começaremos essa guerra daqui!" e ordenou que eles avançassem. Quando deu 12:00, os homens da 4ª Divisão de Infantaria já haviam se encontrado com os homens da 101ª Divisão Aerotransportada. A oposição alemã foi facilmente derrotada. Pelo fim do dia, os americanos tinham avançado quatro milhas no interior e estavam à uma milha de distância da 82ª em St. Mère-Eglise.
No primeiro dia do desembarque em Utah, 20000 homens e 1700 veículos tinham chegado ao local. Embora a guerra na península não tivesse acabado ainda, as conquistas em Utah foram imensas. 
Ao fundo, tropas estadunidenses avançam pela Praia de Utah,
com a ajuda de um blindado Sherman, enquanto, em primeiro plano,
um de seus camaradas, jaz morto.
Já no setor Gold, com pouco mais de 8 km de extensão, se encontrando entre as cidades litorâneas de la Rivière e Le Hamel, as praias desse setor se localizavam bem ao centro do Teatro de Operações, sendo defendida por soldados pertencentes a 716° e 352° Divisão de Infantaria da Wehrmacht, posicionados em casamatas vulneráveis ao fogo de artilharia naval e por esse motivo, as defesas foram dizimadas nas primeiras levas de bombardeios advindos das embarcações e aeronaves que atacaram sem cessar.
Os Aliados incumbiram o Exército Britânico para a invasão deste ponto, cuja principal unidade de assalto fora a 50ª Divisão de Infantaria, pertencente ao 2° Exército. Para a missão, foram designados os regimentos Dorsetshire, Hampshire, East Yorkshire e Devonshire, juntamente com o 47° Royal Marine Commandos que foram anexados a 50ª Divisão.
O desembarque estava marcado para as 07h25min, aproximadamente uma hora depois dos demais ataques devido à movimentação das marés. No entanto, o tempo não colaborara muito com os britânicos. Uma forte tempestade, com rajadas de ventos igualmente fortes deixaram o mar agitado, anulando qualquer possibilidade dos engenheiros aliados de desarmarem as armadilhas, barreiras e minas alemãs. Os primeiros navios que chegaram às proximidades do setor Gold foram gravemente danificados pelas minas, sendo que mais de 20 veículos foram danificados da mesma forma, assim que desembarcaram.
Pouco antes do meio-dia de 06 de junho, as forças britânicas haviam tomado o setor Gold, sofrendo baixas de pouco mais de 400 soldados, antagonicamente aos milhares de mortos nos demais pontos de combate. Até o dia seguinte a invasão, mais de 25 mil homens vieram a desembarcar e estabelecer contato com o setor vizinho, Juno.


Coluna de  tanques Cromwells e Shermans Firefly pertencentes ao exército britânico, avançam depois da tomada do Setor Gold.
Juno tinha seis milhas (aproximadamente 10 quilômetros) de comprimento, e os alemães tinham fortificado a área "atrás" da praia. Porém, bombardeios navais e aéreos deveriam ter neutralizado essas fortificações.
O horário do desembarque fora designado para às 07:45 do dia 06 de junho. A praia estava atribuída ao Exército Britânico (British Second Army), comandado pelo Tenente-General Miles Dempsey, mas a força principal que atacou a praia veio da 3ª Divisão de Infantaria Canadense, que tinha a tarefa de avançar até a estrada Caen-Bayeaux para formar uma conexão entre as praias de Gold e Sword.
Todavia, os canadenses tiveram grandes problemas antes mesmo de chegarem à praia. Os atacantes queriam desembarcar durante a baixa-maré, quando a defesa alemã estaria mais "exposta". Isso aconteceu, mas às 04:45, três horas antes do esperado. Com a maré agora aumentando, as defesas alemãs estavam parcialmente submersas e os engenheiros de demolição foram incapazes de destruir os alvos que queriam. As minas destruíram ou danificaram cerca de 30% de todos os barcos utilizados.
Muitos soldados canadenses tiveram que caminhar até a terra firme. Eles só não levavam tiros porque os alemães tinham armado uma "zona de abate" na praia, e não no mar. Malgrado, quando eles chegaram às praias de Juno, foram atingidos por forte poder de fogo. Em particular, a primeira onda de soldados sofreu muitas baixas. No momento dos primeiros desembarques, cada soldado canadense tinha menos de 40% de chances de sobreviver.
Quando os soldados atacantes alcançaram as posições alemãs logo atrás da praia, foram capazes de seguir com bastante velocidade. Tropas do 1º Hussar alcançaram Caen-Bayeaux, fazendo com que Juno fosse o único setor de toda a invasão do dia 06 de junho que alcançou seu alvo em menos de um dia. Os canadenses tiveram que lutar muito pela praia de Juno. Dos 21400 homens que desembarcaram no primeiro dia de invasão, 1200 foram mortos. Porém, quando chegaram mais ao interior, a escassez de defesas alemãs se mostrou aparente.

Soldados canadenses e britânicos desembarcam para reforçar o efetivo do primeiro escalão, que desembarcara na praia de Juno, durante as operações do Dia-D

Por fim, os aliados precisavam invadir o setor de Sword, que era o mais ao leste da invasão, possuindo 08 quilômetros de comprimento, que ia de Lion-sur-Mer, a oeste, à cidade de Ouistreham, na boca do rio de Orne, e ficava a 14 km da cidade de Caen.
O desembarque foi concedido ao 2º Exército Britânico, sob ordens do general Miles Dempsey. Às 7:25 da manhã do dia 6 de junho de 1944, foi lançado o ataque pelas primeiras unidades da 3º Divisão de Sua Majestade Britânica, composta por ingleses e franceses.
Em suma, o ataque a praia Sword foi bem sucedido, tendo sido tomada a praia antes mesmo do anoitecer, e com um baixo número de baixas (desembarcaram 29.000 aliados e sofreram apenas 630 baixas), levando em consideração o elevado número de perdas do lado alemão. Contudo, o plano de ação para proceder até Caen não foi cumprido, e ao final do dia, a cidade ainda permanecia sob posse dos homens de Hitler.

Soldados do 2º Exército Britânico tentam progredir por Caen, cidadezinha fortemente guarnecida pelos alemães, após a tomada do Setor Sword, no Dia-D
O sucesso dessa operação se deu, dentre tantos motivos, pela incapacidade do OKW alemão de prever a data correta e o local preciso da invasão, ignorando as concepções do Marechal de Campo Erwin Rommel acerca da operação aliada. Além disso, a Luftwaffe estava lutando pela própria sobrevivência nos céus do Reich, a Kriegsmarine estava muito reduzida e a força de submarinos acossada pelo poderio aéreo aliado.
Apenas 04 divisões de infantaria defendiam o trecho escolhido pelos Aliados para realizar o desembarque, essas divisões alemãs eram consideradas de segunda linha, até mesmo a 352ª Divisão, que pegou os americanos de surpresa em Omaha, era de segunda linha. Já as tropas Aliadas eram todas de primeiro escalão, as divisões aliadas eram bem treinadas e muito bem equipadas, o poderio aéreo e naval eram devastadores. A idade média das tropas aliadas era de 24 anos em contraste das unidades de infantaria alemãs que eram de 35 anos. Em todos os aspectos as tropas Aliadas eram excelentes, talvez a falta de experiência de algumas unidades e a qualidade dos seus blindados eram os seus únicos pontos fracos.
É quase ponto pacífico dentre os historiadores que o fato que decidiu o sucesso do desembarque foi o poderio aeronaval de mais de 5000 navios e 12.000 aviões que esmagaram as tentativas dos alemães de impedir o desembarque.
Os soldados alemães na costa da Normandia lutaram com a mesma bravura e determinação que lhe são habituais, mas com os meios que dispunham no dia 06 de junho de 1944, não tinham condições de impedir o desembarque e repelir os Aliados para o mar. A decisão de Hitler em não apoiar a tática de Rommel de colocar a reserva Panzer o mais próximo do litoral, selou o destino das tropas alemãs na Muralha do Atlântico. Segundo o próprio Rommel, acerca desse episódio, ainda em 22 de abril de 1944: 

"Acredite-me, Lang, as primeiras vinte e quatro horas da invasão serão decisivas... Delas dependerá o destino da Alemanha... Tanto para os Aliados como para nós esse será o dia mais longo."

Essa enorme operação abriu portas para uma das maiores necessidades aliadas, que era a chegada de suprimentos em grande monta, para sustentar o avanço Aliado pela Europa, estabelecendo uma espécie de cabeça de ponte entre o Reino Unido e a França. Esse fato, concomitante ao gigantesco avanço soviético no leste europeu, fez com que a derrota do III Reich fosse sentenciada, fechando cada dia mais o laço da forca em volta do pescoço de Hitler.

Texto de autoria da Equipe Segunda Grande Guerra

Fontes:

BEEVOR, Antony. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - 1. ed. - Rio de
Janeiro : Record, 2015.
RYAN, Cornelius, O MAIS LONGO DOS DIAS -  1. ed - Porto Alegre: L&PM Pocket, 2004.