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terça-feira, 30 de maio de 2017

DESMOND T. DOSS - O OBJETOR DE CONSCIÊNCIA


O Objetor de Consciência Desmond Thomas Doss, fotografado na década de 80
portando suas condecorações, incluindo a Medalha de Honra
    O primeiro Objetor de Consciência (se recusava a pegar em armas) a receber a Medalha de Honra durante a Segunda Guerra Mundial. Doss serviu como um médico de combate durante a Campanha do Pacífico. Ficou conhecido após a Batalha de Okinawa, durante o seu heroico ato de salvar 75 de seus companheiros durante um dos ataques à Escarpa Maeda, também chamada de Hacksaw Ridge, sozinho e sem armas, 
    Doss resgatou os seus companheiros e ajudou-os a descer o declive, que tinha cerca de 100 metros, usando cordas. Desmond nasceu no estado de Virginia, nos Estados Unidos, e morou na cidade de Lynchburg. Cresceu dentro da religião Adventista do Sétimo Dia, que prega a guarda do sábado como um dia santo, a não-violência e o vegetarianismo.  Por causa de suas crenças, Doss recusou-se a pegar em armas quando se voluntariou no exército. No dia 1º de abril de 1942, entrou no serviço militar e foi enviado para o Fort Jackson, no estado da Carolina do Sul, para se juntar à 77th Infantry Division. Em chegando lá, começou a ser ridicularizado por se negar a usar armas, sofrendo extrema pressão por parte dos oficiais, que o coagiam para ver se ele desistia das suas crenças, chegando até a ser ameaçado a ser levado para a corte marcial.

Desmond e Dorothy Schutte, sua esposa, em registro
 fotográfico de seu casamento, em 1942
     Após passar por muitos desconfortos, Doss tornou-se um médico de combate, ganhando permissão para não usar armas. Foi designado então para o 2º Pelotão, Companhia B, 1º Batalhão, 307º Regimento de Infantaria, 77º Divisão de Infantaria. Em 1944, seu pelotão serviu em Guam, nas Ilhas Marianas e em Leyte, nas Filipinas, onde foi condecorado com uma Medalha de Bronze por cuidar dos feridos sob fogo inimigo. Sua última batalha foi em Okinawa, uma importante ilha dominada pelos japoneses que, para os Estados Unidos, tinha um valor estratégico por causa de sua proximidade com ilha principal do Japão. O objetivo era usar essa ilha como um aeroporto. O problema consistia no fato de os japoneses estarem muito bem entrincheirados em cavernas, bunkers e túneis, tendo feito armadilhas com explosivos, arames farpados e infringindo inúmeras baixas às tropas norte-americanas. No dia 5 de maio, depois de muitas ofensivas e contra-ofensivas, o batalhão em qual Desmond Doss estava fora designado para subir a Escarpa Maeda e expulsar os japoneses de lá. 


Desmond Doss no topo da Escarpa Maeda. 1945

   Doss, assim como muitos outros médicos, tiveram de tirar os símbolos de seus capacetes e uniformes, para não serem reconhecidos como médicos. Os japoneses deixavam de atirar em grupos de soldados para incapacitar ou matar um médico, fazendo a moral dos soldados cair. Após um forte bombardeio japonês, com tiros de metralhadoras, morteiros e outros tipos de armas, a maioria do batalhão recuou, descendo a escarpa, deixando dezenas de soldados feridos para trás, que corriam o risco de morrerem ou de serem capturados pelos japoneses. Desmond decidiu ficar e tentar ajudar a quem ele conseguisse. Doss disse:

 “Eles eram meus amigos, alguns tinham famílias e eles confiavam em mim. Eu não senti que eu deveria priorizar minha vida mais do que a deles, então eu decidi ficar com eles e ajudar quantos eu puder. Eu não sabia como iria fazer isso.”.

   Para descer os soldados resgatados, Doss teve que improvisar, fazendo nós para aumentar o tamanho das cordas, para que elas chegassem até o final da escarpa. E assim ele foi descendo os feridos, um a um. A cada soldado que ele conseguia resgatar ele fazia uma oração: “Senhor, por favor, me ajude a resgatar mais um, até que não sobre mais ninguém e eu seja o último a descer.” Doss relembra que salvou 50 soldados, seus companheiros afirmam que foram 75 e seus superiores dizem que foram mais de 100.
    Após se recuperarem, eles realizaram mais uma investida contra os japoneses, onde foi ferido e teve que ser enviado para casa. No dia 12 de outubro fora condecorado com a Medalha de Honra, a medalha de maior prestigio dos Estados Unidos.
      No pós-guerra, Doss, ficou com várias sequelas, passou 5 anos num hospital, perdeu 05 costelas e 01 pulmão devido a tuberculose que contraiu em Okinawa. Os militares continuaram a tratar ele com antibióticos até 1976, quando acreditavam que já estava curado. Devido a alta dose de medicamentos, Doss acabara por ficar surdo. Em 1986 recebeu um implante coclear, que o fez ouvir novamente. Com a pensão que recebia do governo, ele comprou uma fazenda em Rising Fawn, na Geórgia. Sua mulher morreu num acidente de carro em 1991 e em 1993 Doss se casa novamente, ficaram juntos até 2006, quando Doss veio a falecer. No começo de 2017, Desmond Doss é retratado nos cinemas no filme Hacksaw Ridge, ou em português, Até o Último Homem, com a direção de Mel Gibson e com o papel principal interpretado pelo ator Andrew Garfield, estando disponível no Netflix.

Postado por Mateus Bassi.




terça-feira, 9 de maio de 2017

A WEHRWOLF, A DIVISÃO DE LOBISOMENS DA SS

    A Wehrwolf fora instituída no ano de 1944 pelo Reichsführer-SS Heinrich Himmler para servir como uma divisão atuante dentro das linhas inimigas, com o intuito de realizar sabotagens e causar o terror nos acampamentos dos soldados inimigos, inspirados nas técnicas usadas pelos partisans inimigos. Porém esta divisão merece destaque pela sua atuação como uma milícia de resistência durante e depois da Batalha de Berlim. O nome Werwolf, que popularmente fora adotado o nome Wehrwolf, em alusão ao nome do exército regular da Wehrmacht, veio inspirado num romance datado de 1910 chamado DER WERWOLF, que diz respeito a um camponês, Harm Wulf, que depois de ter sua família assassinada por soldados saqueadores, organiza seus vizinhos em uma milícia para perseguirem os soldados sem piedade e executar quaisquer um que capturassem, chamando a si mesmos como Werwölfe.

O SS Obergruppenführer Hans-Adolf Prützmann, comandante dos Wehrwolf e o Reichsführer-SS Heinrich Himmler, juntamente com outros oficiais em conversa num dos campos de treinamento dessa unidade de guerrilha

    Ela era composta por jovens remanescentes de divisões da HitlerJunged, idosos, veteranos de guerra e soldados advindos de divisões da Wehrmacht e da própria Waffen-SS. Todos os que estavam dispostos a praticar o ato da resistência contra a iminente tomada de sua terra pelas forças armadas dos vermelhos eram aceitos. Himmler ordenara que fosse feito um treinamento semelhante aos Commandos dos aliados e para tal, locais secretos para treinamento foram estabelecidos na Renânia e Berlim, sendo entregue o comando dessa força militar ao SS-Obergruppenführer Hans-Adolf Prützmann. O mesmo tinha estudado as táticas de combate usadas por guerrilheiros soviéticos enquanto a Wehrmacht se estabelecia nos territórios ocupados da Ucrânia e a ideia era ensinar essas mesmas táticas aos membros da Wehrwolf.
O SS-Obergruppenführer Hans Adolf Prützmann e o Reichsführer-SS Heinrich Himmler na Ucrânia, em 1941.
    As tropas deveriam receber armamento especial, como silenciadores para suas pistolas Walther, uniformes com camuflagem especial, dentre outras regalias, coisa que na pratica nunca chegou a ser feita, devido às dificuldades no abastecimento e na distribuição de armas num Reich já em colapso. Depois de longo e intenso combate durante a Batalha de Berlim e da total rendição da Alemanha Nacional-Socialista em que combateram ao lado dos jovens da HitlerJunged e os voluntários da Volksstum contra os vermelhos, os Wehrwolfs foram para o anonimato, porém continuaram fazendo seus trabalhos de sabotagem até os primeiros anos da Guerra Fria, atuando em ambas as Alemanhas contra os norte-americanos e principalmente fazendo uma vingança pessoal contra os soviéticos.

Jovens alemães que participavam das atividades de guerrilha da Wehrwolf capturados por soldados norte-americanos no final de 1945
    Em resposta a isso, os vermelhos faziam buscas para encontrar a resistência nacional-socialista e quando encontravam, os torturavam até que entregassem os demais companheiros, coisa que era facilmente conseguida, afinal em grande maioria, os integrantes da Wehrwolf eram apenas jovens ou velhos com pouco ou nenhum preparo psicológico. Um total de 15.000 jovens foram presos em campos especiais do NKVD, onde apenas 1/5 destes retornaram. Por parte dos norte-americanos, Eisenhower acreditava que esta atividade poderia ocasionar até mesmo uma guerra civil entre as zonas distritais alemãs. Soldados foram reunidos e treinados para que atuassem de forma pontual, contendo todo e qualquer conflito e ação da resistência. Apesar de ser comum, a atuação dos Wehrwolfs sobre o domínio americano fora em menor escala, se comparada com o que fora feito contra os soviéticos.
    Em meados do conflito da Guerra Fria, o Alto-Comando soviético lançara nota, alegando que toda a forma de resistência advindas dos Wehrwolf fora contida e os responsáveis estavam sofrendo com as medidas cabíveis. Depois disso, não se ouviu mais nada sobre a ação da resistência alemã

Postado por Diego Saviatto

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O SUICÍDIO DA JOSEPH GOEBBELS E A RENDIÇÃO TOTAL DA ALEMANHA


    Há 73 anos, no dia 1º de maio de 1945, o Ministro da Propaganda do Reich, Gauleiter de Berlim, e recém-nomeado Chanceler da Alemanha, Paul Joseph Goebbels cometia suicídio no Bunker da Chancelaria.

O Ministro da Propaganda do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, em sua foto emblemática,
capturada durante um discurso, nos tempos áureos do Reich de Hitler


    No dia anterior, poucas horas depois de assumir o cargo de Chanceler da Alemanha, após a morte de Adolf Hitler, o Dr. Joseph Goebbels decidira adiar o seu já tão anunciado suicídio. Em carta endereçada ao Comandante em chefe das Forças Armadas da URSS, comunicou o suicídio de Hitler e a norma de sucessão vigente (juntamente com a promoção de Goebbels, o Führer havia determinado que o Almirante Karl Dönitz assumisse o cargo de presidente do Reich) anexado de uma oferta de trégua e posteriores negociações de paz, passada as mãos do Coronel-General e comandante do 8° Exército de Guarda Vassili Chuikov, que entrou em contato com o Marechal Gueorgui Jukov, comandante do Exército soviético na Batalha de Berlim e este por sua vez comunicara o ditador Josef Stalin. Horas depois chegara à negativa de Moscou. Nela constava que a possibilidade de trégua era inviável e que se esperava uma capitulação das Forças Armadas do III Reich.
    No dia 1° de maio, Goebbels fora informado do resultado das tratativas e enviara outra delegação a Chuikov, obtendo a mesma resposta. Assim sendo, Goebbels finalmente inteirou Dönitz da morte de Hitler e a ordem de sucessão. O novo Chanceler teve o cuidado de tentar um potencial cessar-fogo antes de Dönitz assumir. Depois de uma reunião com os que ainda habitavam o Bunker, liberou-os para que tentassem por sorte e conta em risco fugir de Berlim, e novamente anunciou seu suicídio, assim como o de sua família. 

A Família Goebbels - Na fileira de trás temos Hildegard (segunda filha), Harald Quandt (filho de Magda Goebbels, quando fora casada com o empresário Günther Quandt. A imagem fora manipulada, para que Harald, que estava servindo a Luftwaffe como cadete, pudesse aparecer) e Helga Susanne (primeira filha). Na fileira da frente temos Helmut Christian (terceiro filho), Hedda Johanna (quarta filha), Magda Goebbels, Heidrun Elisabeth (filha mais nova), Joseph Goebbels e Holde Kathrin (quinta filha);

    Fora a esposa de Goebbels, Magda, que ficara encarregada de providenciar a maneira de matar seus filhos da forma menos dolorosa possível. Magda chamara o médico pessoal do Führer, Dr. Ludwing Stumpfegger e este aplicara uma dose cavalar de morfina nas crianças, em seguida, a senhora Goebbels esmagara cápsulas de cianeto de potássio na boca de cada um.
    Joseph tentara convencer sua esposa para que fugisse para junto de Harald, filho de Magda num outro casamento, mas ela rejeitara e na carta endereçada ao filho dissera aquilo que marcou e mais demonstrou sua fidelidade e loucura ao nacional-socialismo e a Adolf Hitler: “[...] não vale a pena viver num mundo que há de vir depois do Führer e do Nacional-Socialismo, por isso eu trouxe os meninos para cá. Eles são bons demais para a vida que virá depois de nós e um Deus misericordioso há de compreender se eu mesma lhes der a salvação [...]”.
    Às 20h30 daquele 1° de maio, Joseph e sua esposa saem do quarto. Goebbels veste seu casaco e seu tão usado chapéu, que estavam pendurados num cabide. Ofereceu o braço à Magda e rumam para fora do Bunker. Antes de sair, Goebbels se despede do ajudante de Hitler, Günter Schwägermann e lhe entrega uma fotografia de Hitler, que estava em sua escrivaninha. Silenciosamente deixam o Bunker pela saída do jardim. Joseph e Magda cometem suicídio usando, tal qual Adolf e Eva Hitler, cápsulas de cianeto de potássio. Minutos depois, Günter vai até os corpos que ali jaziam e dispara contra eles, cumprindo assim as ordens de Goebbels. Coloca os cadáveres em uma vala, despeja gasolina neles e depois ateia fogo.

Equipe de médicos soviéticos fazem a autópsia no suposto corpo incinerado de Joseph Goebbels, encontrado numa vala, no jardim do lado de fora do Führerbunker.

    E assim o Terceiro Reich de Adolf Hitler, que deveria durar mil anos, rumava para a sua derradeira semana. As tratativas continuariam até a noite do dia 07 de maio de 1945, tendo sua capitulação total das Forças Nazistas no dia seguinte.

Fonte: 

LONGERICH, Peter. Joseph Goebbels, uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2010.

Postado por Diego Saviatto