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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ATAQUE A BASE NAVAL DE PEARL HARBOR

Nas primeiras horas da manhã do dia 7 de Dezembro de 1941, uma equipe de técnicos de um sistema de radares,recentemente instalado nas ilhas do Hawaii, encontrou um distúrbio elétrico que não conseguiram identificar. A mancha que aparecia nos radares foi identificada como uma anomalia típica de um sistema ainda em fase de testes. Todavia, essa mancha estava registrando um devastador ataque que estava prestes a acontecer.


Os japoneses já consideravam a iminência de um entrave contra os norte-americanos, principalmente após as grandes invasões perpetradas pelo Império Japonês nas ilhas do Pacífico,Com isso, decidiram levar a cabo uma operação de ataque surpresa contra a frota americana do Pacífico, tornando assim impossível que esta viesse em auxilio de holandeses e britânicos que lutavam no continente asiático. A operação foi planejada secretamente desde o inicio de 1941, tendo sido criada uma miniatura da base naval, onde se encontravam posicionadas miniaturas dos principais navios da esquadra americana do pacífico.
As forças japonesas estavam organicamente divididas em três divisões, com um total de seis porta-aviões como principais navios da esquadra. A primeira divisão era constituída pelos porta-aviões Akagi e Kaga. A segunda divisão era constituída pelos porta-aviões Hiryu e Soryu. E por fim, a terceira divisão era constituída pelos porta-aviões Zuikaku e Shokaku.
Os porta-aviões transportavam cerca de 400 aeronaves entre aviões bombardeiros, torpedeiros e caças. A frota foi reunida e, a partir de 26 de Novembro, rumou em sigilo para se encontrar em alto-mar. Os navios seguiram uma rota pelo Pacífico Norte onde a possibilidade de ser detectada era menor. No dia 06 de Dezembro, nas vésperas do ataque, os navios encontram-se cerca de 800Km ao norte de Pearl Harbor.
Aviões japoneses se preparam para decolar de
 um Porta-Aviões rumo a Pearl Harbor
Os aviões da primeira leva de ataque descolam dos porta-aviões japoneses por volta das 6 horas da manhã de 07 de Dezembro. Este grupo era constituído por 213 aviões, sendo 86 aviões torpedeiros B5N2 Kate, 81 bombardeiros D3A1 Val e 43 caças de escolta A6M2 Zero. A segunda leva do ataque começou a ser preparada logo que a primeira estava no ar. Seria constituída por um total de 172 aviões, divididos entre 52 B5N2 Kate, 80 D3A1 Val e 40 A6M2 Zero, que descolam dos porta-aviões por volta das 07h00min.

Hangares e aviões em chamas após a primeira leva de ataques

Apesar dos quase 2500 mortos e outros milhares feridos, 14 embarcações seriamente danificadas ou afundadas (entre couraçados, contratorpedeiros, lança-minas e cruzadores), além dos danos à base de Pearl Harbor, é ponto pacífico dos historiadores o real fracasso dessa operação, pois os porta-aviões, principais alvos dos japoneses, não estavam aportados no momento do ataque. Além disso, o ancoradouro dos submarinos e as oficinas de reparo não foram atingidos, permitindo que a Marinha dos Estados Unidos pudesse se recuperar rapidamente, reparando grande parte das embarcações atingidas e entrasse definitivamente na Guerra.

Postado por Diego Saviatto


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

THERESIENSTADT– DO LEITO DE MORTE DO ESTOPIM DA PRIMEIRA GUERRA À CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

Eis que em 24 de novembro de 1941, era inaugurado o Campo de Concentração e Ghetto de Theresienstadt.
O TRABALHO LIBERTA - Famosa frase escrita na entrada do Pequeno Forteem Theresienstadt.
Localizado e construído na então Tchecoslováquia (atual República Tcheca), na cidade de Terezin, nos idos de 1780. A Fortaleza de Theresienstadt fora um desejo do Arquiduque da Áustria e monarca do Sacro Império Romano-Germânico Joseph II. Theresienstadt deveria ser parte de um complicado sistema de fortalezas que protegeriam a monarquia, porém, apenas esta fora finalizada, haja vista que no ano de sua conclusão, em 1790, fora o mesmo em que o Imperador viera a falecer. Com o passar dos anos e o evoluir das formas de guerra, a Fortaleza de Theresienstadt se tornara obsoleta para o uso da qual fora planejado. Sendo assim, na virada do Século XIX para o Século XX, o forte passou a ser utilizado como prisão. Dentre um dos mais conhecidos prisioneiros a tomar residência nas celas de Theresienstadt fora o famigerado Gavrilo Princip, o algoz do Arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa, motivo este que dera o estopim para a deflagração da Primeira Grande Guerra. Gavrilo Princip veio a óbito na principal cela do complexo ainda em 1918, devido a uma tuberculose.
As solitárias de Theresienstadt
Eis que passam-se os anos e Adolf Hitler se torna o Führer da Alemanha, lançando seu olhar e seus punhos de aço para os países vizinhos. Hitler já havia adicionado a Áustria ao território alemão, por meio da Anschluss, ou Grande Anexação, em 1938, alegando que a Alemanha precisava de um espaço vital (Lebensraum) para a expansão territorial do povo alemão. Agora, a menina dos olhos do Führer era a Tchecoslováquia, cujo alvo principal era os Sudetos, região predominantemente alemã, localizada no entrave territorial entre Boêmia, Morávia e Silésia. Após uma demorada reunião em que estavam presentes o Führer Adolf Hitler, o então primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain, o também primeiro-ministro Édouard Daladier da França e o ditador italiano Benito Mussolini, se chegou num acordo conhecido como Pacto de Munique, ao qual, em nome de uma malfadada paz mundial, destroçou-se a soberania nacional da Tchecoslováquia. Em 10 de março de 1939, Hitler desrespeita o acordo firmado no pacto, de ocupar tão somente a região dos Sudetos, vindo a invadir toda a Tchecoslováquia, transformando-a numa nação fantoche da Alemanha Nazista.
Já durante a ocupação alemã, iniciou-se a caça aos judeus tchecos. Em 10 de junho de 1940, a Gestapo passou a ter o controle da cidade de Terezin, e com isso, do Forte de Theresienstadt, do qual manteve-se a função de prisão até o ano seguinte, quando fora transformado esse complexo murado num híbrido de Guetto e Campo de Concentração. Inicialmente, a SS usara somente a “fortaleza menor” como prisão para inimigos políticos e contrários à ocupação do país. Todavia, com as demandas de prisioneiros em decorrência da deflagração da Operação Barbarossa, em julho de 1941, os alemães passaram a usar todo o complexo de fortificações a partir daquele ano, transformando-o em um Campo de Concentração. Segundo levantamento da Cruz Vermelha, aproximadamente 150 mil judeus e demais prisioneiros foram alocados em Theresienstadt.  A maioria dos reclusos eram judeus checos. Todavia, haviam judeus e prisioneiros vindos de todas as partes da Europa, principalmente do Leste. Dentre os prisioneiros, cerca 40.000 eram da Alemanha, 15.000 da Áustria, 5.000 da Holanda e 300 do Luxemburgo, além de um grupo de cerca de 500 judeus dinamarqueses, eslovacos e húngaros que foram alocados no gueto. Cerca de 1.600 crianças judias vindas da fronteira com a Polônia foram deportadas de Theresienstadt para Auschwitz, da qual acredita-se que nenhuma tenha sobrevivido.

Um dos beliches dispostos aos prisioneiros 
Os prisioneiros eram constantemente guardados por guardas da SS, bem como policiais voluntários tchecos. O Campo de Concentração de Theresienstadt estava estrita e diretamente submetido às ordens do SS-Obersturmbannführer Otto Adolf Eichmann e seus homens. Eichmann era o braço direito do SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich para o assunto de deportações judias nos territórios ocupados do Leste Europeu. Além de prisioneiros advindos do Centro-Leste europeu, houve um caso em que prisioneiros de guerra provenientes do Reino Unido e suas colônias foram enviados para Theresienstadt, como punição por tentativa de fuga de outros campos. No pós-guerra, a Alemanha fora condenada a pagar aproximadamente 1 milhão de euros ao Reino Unido, pois manter prisioneiros de guerra dos países signatários da Convenção de Genebra em tais condições de campo era um crime de guerra.
O principal trabalho realizado no campo era o de fornecer ao esforço de guerra alemão minérios de Mica, um mineral de alto brilho, amplamente usado para a confecção de conectores para o sistema de rádio usado nos blindados e bases alemães. Além disso, os presos do complexo tinham a função de tingir os uniformes dos soldados alemães, que passaram a enfrentar o inferno gelado soviético. Segundo os ex-prisioneiros, Theresienstadt também servia como um centro de classificação e redistribuição de roupas íntimas e demais peças de roupas confiscadas dos judeus, que seriam destinadas aos cidadãos alemães que estavam perdendo suas casas e roupas com os constantes ataques aéreos aliados.
Depois do deflagrar da Operação Overlord e da Invasão da Normandia no Dia-D pelos aliados ocidentais, bem como o constante avanço soviético pelo leste, os alemães já vislumbravam o malfadado fim do Terceiro Reich. Ante a derrota iminente, os oficiais da SS passaram a realmente se preocupar com os boatos que circulavam acerca dos campos de extermínio. Tentando esconder tais informações, permitiram que representantes da Cruz Vermelha Dinamarquesa e da Cruz Vermelha Internacional visitassem. A comissão realizou a visita em 23 de junho de 1944, acompanhados do Dr. Eigil Juel Henningsen, médico principal do Ministério da Saúde dinamarquês, e Franz Hvass, o principal funcionário do Ministério das Relações Exteriores dinamarquês. O Dr. Paul Eppstein foi instruído pela SS para atuar no papel de “prefeito” de Theresienstadt. Para se prepararem para tal visita, iniciou-se a “Operação Embelezamento”, a qual os judeus com aparência e saúde mais debilitada foram deportados para Auschwitz, lojas e cafés falsos foram construídos, além de terem obrigado aos judeus a deixaram o campo impecavelmente limpo. Os representantes da Cruz Vermelha foram conduzidos em uma turnê seguindo um caminho previamente designado por uma linha vermelha em um mapa, da qual conversaram com judeus que foram obrigados a falar exatamente o que os alemães queriam. O resultado dessa visita foi deveras óbvio. A Cruz Vermelha constatou a vida razoavelmente tranquila que os judeus daquele campo levavam, onde se respeitava as leis que regiam o tratamento de prisioneiros de guerra da época.

Mulheres judias enfrentam o rigoroso inverno com
pouquíssima roupae cobertas
Após o sucesso da maquiagem feita em Theresienstadt, do qual conseguiu-se mostrar ao mundo um campo de internamento modelo atestado pela Cruz Vermelha, os nazistas decidiram gravar um filme de propaganda no local. O filme fora dirigido por um dos detentos, o judeu Kurt Gerron. Kurt fora um renomado ator na época, chegando a contracenar com a belíssima atriz alemã Marlene Dietrich em “O Anjo Azul”, filme que ganhou fama no mundo todo, inclusive no Brasil. As filmagens duraram onze dias, de 01 a 12 de setembro de 1944. Depois da conclusão e lançamento da película, Kurt e grande parte do elenco foram mandados para Auschwitz. Gerron foi gaseificado em 28 de outubro de 1944.
Segundo dados da Cruz Vermelha, durante os três anos e meio de funcionamento, dos quase 150 mil prisioneiros que passaram por Theresienstadt, cerca de 88.000 prisioneiros foram deportados para Auschwitz  e Treblinka.  Quando os russos chegaram a Tchecoslováquia, em 08 de maio de 1945, pouco mais de 17 mil haviam sobrevivido. Os governos da Dinamarca e Holanda, já livres do jugo nazista, se comprometeram com os resgates dos sobreviventes dos seus respectivos países, enviados primeiramente para a Suíça e posteriormente para casa. Dentre  os prisioneiros que foram encarcerados no Campo de Concentração, uma das mais importantes, sem duvida alguma, foi Esther Adolfine Freud, ninguém menos que a irmã do famoso neurologista alemão Sigmund Freud.


Postado por Diego Saviatto

FONTES:

 - ADLER, H.G. THERESIENSTADT, 1941-1945 - Ed 1. CAMBRIDGE – USA. 2015.
 - CHLADKOVA, Ludmila (2005). O GUETO DE TEREZÍN – texto original do inglês. Traduzido em 24/11/17.
 - FOTOS: www.penaestrada.blog.br/o-campo-de-concentracao-de-terezin-parte-i/




quinta-feira, 20 de julho de 2017

OPERAÇÃO VALQUÍRIA - OS 74 ANOS DO LEVANTE ALEMÃO CONTRA HITLER

Há 74 anos, em 20 de julho de 1944, o Führer alemão Adolf Hitler sofria um atentado fracassado em uma sala de reuniões na Toca do Lobo, seu Quartel General na Prússia Oriental.



     Desde as sequências de derrotas alemãs em Stalingrado (fevereiro de 1943) e Kursk (julho de 1943), muitos generais da Wehrmacht passaram a ficar desacreditados na liderança de Hitler, além de já vislumbrarem a derrota alemã, ao passo do gigantesco e acelerado avanço soviético após os eventos supracitados. Esse descrédito fez com que grandes oficiais da Wehrmacht, liderados pelo nobre Coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg, idealizassem um Golpe de Estado, denominado Operação Valquíria. Essa operação tinha como plano assassinar o Führer, assim como prender e destituir de todo o poder político e militar dos líderes das SS e retirar o Partido Nazista do controle do país.
Claus von Stauffenberg e três dos seus cinco filhos
     O sucesso do plano dependeria totalmente de Stauffenberg , que levaria uma bomba em uma maleta, que explodiria Hitler e o Alto Comando da SS reunido no local. Essa parte deveria ser feita somente por ele, pois era um dos poucos que ainda tinham acesso ao paranóico Adolf Hitler na Toca do Lobo. Após a explosão, o também conspirador General Erich Fellgiebel, deveria ligar para Berlim para informar o resultado do atentado, cortando, posteriormente, as comunicações entre a Toca do Lobo e o resto do Reich. Com a morte de Hitler, os demais comandantes da Wehrmacht que participavam do motim, mas que estavam em Berlim, telegrafariam para informar ao exército de que estavam no controle. Posteriormente, Stauffenberg viajaria para Berlim, assumiria o controle e assinaria a rendição e o armistício alemão, pondo fim na Segunda Guerra, mas de uma maneira mais branda para os alemães.


Stauffenberg (esq.), Hitler (centro) e Wilhelm Keitel (dir.), em encontro
algum tempo antes do atentado
     Com os preparativos finalizados, o dia para o atentado fora escolhido: A conferência do Alto Comando alemão na tarde de 20 de julho de 1944. Stauffenberg chega a Toca do Lobo às 11 da manhã daquele dia. Porém, ao ser recebido pelo Marechal-de-Campo Wilhelm Keitel, é informado que a reunião seria adiantada, em decorrência da visita de Mussolini naquela semana. Keitel, um dos maiores puxa saco de Hitler, nada sabia acerca do atentado. Aproveitando da fama e da nobreza de Stauffenberg, Keitel pede para que ele vá melhorar os ânimos de Hitler. Com todos esses contratempos, não seria possível armar a bomba antes da reunião, ainda mais com o bajulador do Keitel nos seus calcanhares. Dando-lhe uma desculpa de que precisava trocar a camisa suada em decorrência do calor da viagem, Stauffenberg se livra de Keitel e se apressa para armar as bombas.
Pouco antes do meio dia, Stauffenberg e seu assistente Werner von Haeften vão para uma sala reservada de um dos bunkers do complexo, enquanto Hitler ainda se preparava para a reunião. Stauffenberg começa a armar a primeira bomba, um explosivo adesivo de fabricação inglesa, contendo 900 gramas de material explosivo cada. Para armá-las, uma cápsula de ácido é quebrada, o ácido derrete o invólucro de proteção de uma carga de bateria. Em aproximados 10 a 15 minutos, a bateria derretida solta uma fagulha que detona a bomba, que uma vez armada, não pode mais ser detida.
Eis que chega o tão esperado momento, o maior dos feitos de Stauffenberg está prestes a acontecer. Às 12:15 Hitler sai de seu bunker, rumo a reunião, acompanhado de seus fieis seguidores. Stauffenberg rompe com um alicate a cápsula de ácido de uma das bombas, mas quando vai armar a segunda bomba, seu assistente se distrai e um soldado raso o interrompe, avisando-lhe que a reunião vai começar. Dessa forma, a Operação Valquíria tem sua primeira falha consumada.
A sala de reuniões está lotada. 24 oficiais do Alto Escalão alemão estão presentes, com destaque para o Marechal-de-Campo Wilhelm Keitel; o General Alfred Jodl; o Tenente-General Hermann Fegelein, futuro cunhado de Hitler; o secretário de Hitler, Otto Günsche, dentre outros. Hitler entra na sala de reuniões às 12:30, quando se inicia a leitura do assustador relatório de combate no Front Oriental. Stauffenberg chega ao final deste relatório. A maleta é levada pelo soldado assistente, que aguardava do lado de fora. Stauffenberg pede para que este coloque a pasta próximo de Hitler, dando a desculpa de que precisa ficar próximo para ouvir melhor a fala do Führer, em decorrência de seus ferimentos de batalha. Após sua chegada ser anunciada. Stauffenberg cumprimenta a Hitler e os que ali estavam, ficando próximo do Führer após isso, aguardando para relatar a situação das tropas de reserva, comandadas por ele.  A reunião está demorando mais do que o planejado e caso Stauffenberg não consiga explanar seu relatório, ele será obrigado a ficar até a hora da explosão, morrendo com os demais. Mas para sua sorte, um dos conspiradores, o General Fritz Erich Fellgiebel também percebe a demora e pede para o assistente chamá-lo, alegando que um telefonema importante o aguarda na central.
Stauffenberg, Haeften e Fellgiebel, os conspiradores que estavam na Toca do Lobo para a realização do atentado, esperam do lado de fora da cabana, até que a bomba exploda. Em torno das 12:41, Hitler questiona acerca da reserva militar e os presentes dão pela ausência de Stauffenberg. No momento em que um soldado auxiliar é enviado à caça de Stauffenberg, o Coronel Heinz Brandt bate acidentalmente na pasta com a bomba, movendo-a para o outro lado da pesada mesa de carvalho da sala de reuniões. Fazia 15 minutos que a cápsula do ácido havia sido rompida. O General Heusinger estava no meio de sua explanação, quando Hitler se debruça na mesa para questionar um ponto do mapa que estava posto ali. Neste exato momento a bomba explode, estando a dois metros do Führer.
A explosão fora tão forte que Stauffenberg fica convencido de que ninguém havia sobrevivido. Aproveitando o alvoroço, pega um carro e ruma para o aeroporto localizado ao lado da Toca do Lobo, pegando um avião com destino a Berlim, para dar sequência ao plano. Na cabana da reunião nada saiu como o planejado. O Führer estava vivo. O Marechal Keitel se levanta e ajuda seu amado líder a se levantar. Dos vinte e quatro homens que ali estavam, onze ficaram gravemente feridos e quatro morreram nos dias seguintes. Hitler escapa com ferimentos relativamente leves, se comparados ao tamanho da explosão ali ocorrida. Ao ser levado para o seu Bunker particular, é imediatamente atendido pelo seu médico particular, o Dr. Theodor Morell. Ele verifica os batimentos do Führer, que estava extremamente baixo. Dentre os ferimentos ocasionados, Hitler ficara com o braço direito inchado e dolorido, seu paletó e sua calça estavam praticamente desintegrados. Além disso, mais de 100 farpas da mesa de carvalho são retiradas das pernas de Hitler. Ele também tem cortes na testa e seus tímpanos estouraram. Segundo historiadores, este atentado, dentre outros tantos, fora o que mais causou efeitos em Hitler. Depois deste evento, o líder da Alemanha Nazista nunca mais fora o mesmo, e somados aos tratamentos contestáveis de Morell, fizeram com que a saúde de Hitler se tornasse extremamente delicada e debilitada.
O atentado que deveria matar Hitler se voltara contra seus organizadores. Os que estavam desacreditados com o governo de Adolf Hitler passaram a crer que a providência divina estava ao lado do Führer, e que este iria levar a Alemanha para a vitória final. Após intensas investigações, Hitler recebe das mãos de Keitel o já esperado relatório. Fora um alemão que realizara o atentado.
Enquanto isso, Stauffenberg acaba de chegar a Berlim, ainda crendo no sucesso da Operação. Ele demora para chegar ao escritório do Alto Comando alemão. Ao se encontrar com um dos conspiradores, o General Friedrich Fromm, recebe a informação de que as comunicações com a Toca do Lobo estavam normais e que o Marechal-de-Campo Keitel havia informado o Comando em Berlim do atentado e que Adolf Hitler ainda estava vivo. Fromm quer cancelar o levante, enquanto ainda dava tempo de reverter à situação. Mas Stauffenberg viu a bomba ser detonada e se nega a acreditar na informação, chamando Keitel de mentiroso. Então, Stauffenberg adentra na sala de comunicações e dá ordens para que uma informação assinada por ele seja transmitida para os demais setores de comando do Reich:

“O Führer Adolf Hitler morreu, a Wehrmacht deverá tomar as rédeas a partir de agora.”

Essa informação acaba chegando aos ouvidos dos líderes aliados. Joseph Stalin e Winston Churchill. Começa-se uma grande movimentação política em decorrência do fato. Os conspiradores esperavam realizar um cessar fogo entre a Alemanha e os Aliados Ocidentais, unindo forças contra os soviéticos que estavam se aproximando do centro da Europa. Mas Churchill e Roosevelt estão dispostos a acabar com o nazismo e com a Alemanha Nazista, mesmo que tenham que lutar contra o próprio diabo.  Enquanto isso, Hitler acabava de receber a visita de Mussolini, onde, mesmo debilitado, mostra o local do atentado, com os ânimos revigorados pelo fato de ter sobrevivido quase ileso.
Adolf Hitler mostra o local do atentado para o Duce Benito Mussolini
     Já no final da tarde, Hitler se reúne com a Alta Cúpula do partido, falando alegremente acerca da reunião que tivera com Mussolini e os planos que os dois haviam feito para o futuro da guerra. Nesse momento, Heinrich Himmler chega esbaforido, entregando ao Führer o telegrama que Stauffenberg havia passado para os comandos e acidentalmente enviado para a Toca do Lobo. Após ler o telegrama, Hitler esboça um sorriso e ordena que os conspiradores sejam caçados e sentenciados a morte e suas respectivas famílias sejam enviadas aos Campos de Concentração.
Em Berlim, Stauffenberg tenta colocar a capital em ordens, mandando que as tropas de reserva se encaminhem para a casa de Joseph Goebbels, ministro da propaganda e braço direito de Hitler, para prendê-lo. Todavia, Goebbels já sabendo da situação, telefona para a Toca do Lobo e coloca o oficial que estava sob ordens dos conspiradores na linha com o próprio Hitler. O General Friedrich Fromm trai seus colegas, entregando todos os nomes envolvidos no motim e mandando prendê-los, na tentativa de se redimir com Hitler. O último atentado contra Hitler e a última esperança de um cessar fogo mais amigável acabaram de fracassar.
Eis que os conspiradores que estavam em Berlim são encaminhados para a execução. O general Olbricht é o primeiro a ser morto, Stauffenberg seria o próximo, mas seu assistente Haeften se joga a sua frente e é fuzilado em seu lugar. Stauffenberg, segundos antes de ser alvejado grita: “Vida Longa para a sagrada Alemanha!”  é morto. Os conspiradores mortos tiveram seus corpos enterrados em um cemitério em Berlim. Todavia, Himmler ordena que o corpo de Stauffenberg seja incinerado e suas cinzas jogadas no rio. O traidor Fromm, que entregara os conspiradores também fora executado, dois dias depois.
Os demais conspiradores foram levados a um Tribunal do Júri, composto por membros do partido nazista. Os familiares dos oficiais ligados ao golpe foram mandados para campos de concentração. Dentre os conspiradores originais, o nome do Marechal-de-Campo Erwin Rommel fora citado. Por não haverem mais provas e pelo fato de Rommel não ter participado diretamente do levante, Hitler ordena que o mesmo cometa suicídio, prometendo que sua família seria preservada e continuaria a receber o soldo do Marechal. Até os dias atuais, não é sabido se Rommel participara do golpe.


Os conspiradores. 01 - Coronel Albrecht Mertz von Quirnheim, 2 - Coronel Ludwig Beck,
3 - Primeiro Tenente Werner Karl von Haeften, 4 - General Friedrich Olbricht, 5 - Tenente-Coronel Karl Ernst Rahtgens, 6 - Tenente-General 
Hans Alexander von Voss, 7 - Carl-Hans Graf von Hardenberg, 8 - Major de Cavalaria Philipp von Boeselager, 9 - Ignorado, 10 - Carl Friedrich Goerdeler, 11 - General Henning von Tresckow, 12 - Coronel Claus Graf von Stauffenberg
     Se a Operação Valquíria tivesse dado certo, milhões de vidas seriam preservadas, soldados deixariam de lutar, civis deixariam de sofrer com este ultimo ano de guerra, além dos prisioneiros dos campos de concentração que foram antecipadamente encaminhados para a morte, na tentativa de finalizar o programa da Solução Final, nos últimos meses de guerra na Europa.
Atualmente, Claus Graf von Stauffenberg é tido como herói do povo alemão, pois, mesmo tendo fracassado em seu propósito de matar Hitler, tentara adiantar o término da guerra. 

Fonte:

BEEVOR, Antony. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.Ed.1, Editora Record. São Paulo, 2015;
GRABER, Gerry. STAUFFENBERG, História Ilustrada Da 2ª Guerra Mundial - Líderes. Ed.1. Editora Renes, Rio de Janeiro. 1980;
FEST, Joachim.  PLOTTING HITLER'S DEATH: The German Resistance to Hitler, 1933–1945. Ed.1. Holt Paperbacks. 1996.

Publicado por Diego Saviatto

quarta-feira, 19 de julho de 2017

OS 93 ANOS DO MEIN KAMPF - A BÍBLIA DO NAZISMO

   Há 93 anos, em 18 de julho de 1925, Adolf Hitler lançava seu Magnum Opus, o livro Mein Kampf.

O livro Mein Kampf, em sua versão original
     Para falarmos do livro Mein Kampf, devemos antes observar o contexto histórico da época. Era 1920, dois anos após a derrota alemã na Primeira Grande Guerra. Hitler abandonara de vez a carreira militar, sendo dispensado do exército. Agora ele poderia trabalhar em tempo integral nos ideais do novo partido, o recém criado Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou simplesmente, Partido Nazista. O modelo antissemita e e ultranacionalista do partido era contribuído pelo espírito do Dolchstoßlegende (Teoria da Punhalada nas Costas), do qual muitos alemães, principalmente os de Munique, onde Hitler residia, espalhavam em plenos pulmões que a culpa da derrota alemã na Primeira Guerra, bem como toda a privação decorrente a ela, era culpa dos Marxistas e Comunistas (posteriormente vinculados a figura e imagem dos banqueiros e políticos judeus), que traíram e apunhalaram os alemães puros, ao usarem de sua malícia, influência e liderança política para forçar o armistício do país.


Cartaz alemão da época do pós-guerra, ilustrando a Dolchstoßlegende
     Um dos objetivos iniciais do recém fundado Partido Nazista era a total aniquilação do comunismo/marxismo da Alemanha, assim como destruir a base política da Nova República, baseada em Weimar, que alegavam estar corrompida pelo Marxismo e pelo Bolchevismo. Os demorados e intensos discursos de Hitler passavam a atrair cada vez mais seguidores a cervejaria de Munique, incluindo o futuro Alto Escalão do governo Nazista, como Hermann Goering, Rudolf Hess e Ernest Röhm. Este último recebera das mãos de Hitler, alguns meses mais tarde, o papel de recrutar e organizar a principal tropa miliciana armada do partido, a Sturmabteilung, ou SA. Esse agrupamento seria responsável por toda a coação e ameaças contra aqueles que se opunham aos ideais nazistas, garantindo assim o crescimento contínuo e ininterrupto do partido. No ano de 1923, já com um efetivo razoável de seguidores, Hitler e seu mais novo aliado, o veterano de guerra, general Erich Ludendorff, juntamente com outros homens de grande influência no Partido Nazista, como Alfred Rosenberg e Friedrich Weber, botaram em prática aquele que fora um dos planos mais discutidos nas reuniões do partido: o Golpe de Estado contra o governo da Baviera, conhecido como Putsch da Cervejaria. Ao tentar o apoio de políticos influentes, os nazistas esbarraram nos egos e ânimos inflados de Gustav Ritter von Kahr, líder político da Baviera, do general do exército Otto von Lossow e do chefe da polícia local Hans Ritter von Seisser. Estes bateram de frente com Hitler e seus seguidores, pois queriam dar eles próprios um Golpe de Estado, instituindo um governo militar sem a influencia dos nazistas. Como resultado desse levante, cerca de dezesseis membros do Partido Nacional-Socialista, assim como quatro policiais morreram, sem contar os inúmeros feridos.


Alfred Rosenberg (esq.), Adolf Hitler (centro) e o Dr. Friedrich Weber, do
Freikorps Oberland, durante o Putsch da Cervejaria de Munique
     Após tentar fugir, Adolf Hitler foi preso pelas autoridades alemãs, em 11 de novembro de 1923, acusado de traição contra o Estado. Durante o julgamento, Hitler fez proveito dos holofotes colocados sobre ele, transformando esta situação em mais um de seus demorados discursos. Todavia, a justiça alemã foi inflexível, sentenciando Hitler a 05 anos de prisão, em Landsberg, em 01 de abril de 1924. Durante esse período, Hitler foi muito bem tratado, recebendo inúmeras visitas. Ele foi liberado muito antes de cumprir a totalidade de sua pena, ficando preso pouco mais de 01 ano, e saindo após receber o perdão da Suprema Corte e do Governo da Baviera. Fora nesse período encarcerado que Hitler escrevera o Mein Kampf, aproveitando da escrita para depositar toda sua raiva e desgosto pela situação em que se encontrava, transfigurando-a num único inimigo: Os Judeus. Nesta obra, detalhou sua trajetória de vida, além de inspirações e planos políticos para a Nova Alemanha, sob a égide da raça ariana, publicando-o em dois volumes (1925 e 26). Vale ressaltar que não fora Hitler que literalmente escrevera o livro, pois este apenas ditava para Emil Maurice (então motorista de Hitler e futuramente líder da SA), e posteriormente para Rudolf Hess, o braço direito de Hitler.
  Da publicação até as vésperas de sua chegada ao poder, Hitler tinha vendido pouco menos de 300 mil cópias. Todavia, após assumir a chancelaria, mais de um milhão de exemplares seriam comprados em toda a Europa em menos de um ano. Vale ressaltar que, após a chegada de Hitler ao poder total da Alemanha, como Führer supremo, o livro passou a ser uma obra obrigatória nas residências dos alemães. Eram distribuídos nas escolas da Hitlerjugend e da Bund Deutscher Mädel (Liga das Moças Alemãs), além de obras traduzidas serem exportadas para os países aliados do Eixo. Inclusive, algumas centenas desses exemplares chegaram ao Brasil até o corte de ligações com o Eixo, no começo de 1942.


Livro Mein Kampf, da Editora Centauro na Livraria Martins Fontes,
na Avenida Paulista, em SP, antes da proibição
       Os direitos do livro, que pertenciam a Adolf Hitler, foram entregues ao Estado da Baviera, após a sua morte. Os líderes da Baviera recusaram-se a republicar e permitir republicações do livro. Isso fez com que os únicos exemplares a existirem fossem as obras da época, que estavam nas mãos de colecionadores e admiradores do nazismo. Porém tais direitos caíram em domínio público no dia 31 de Dezembro de 2015, podendo ser editado e traduzido por quaisquer editoras. Todavia, sua reedição ainda é motivo de polêmicas pelo mundo todo, gerando um forte movimento contrário a sua publicação para as massas. No Brasil, a Editora Centauro publicou uma versão integral, não-comentada e com o texto traduzido diretamente do livro da época, com direito a uma versão digital. Mas após uma ação judicial, primeiramente no TJ do Rio de Janeiro, proibiu a venda do exemplar em versão integral no estado, onde, posteriormente, sentenças semelhantes se espalharam por inúmeros estados do Brasil, fazendo com que os exemplares fossem retirados das lojas. Atualmente, a Editora Centauro vende o Mein Kampf apenas em seu site.

Fontes:

HITLER, Adolf. Mein Kampf. 1. ed - São Paulo: Editora Centauro. 2016;
KERSHAW, Ian. Hitler. 1. ed - São Paulo: Companhia das Letras. 2010.

Postado por Diego Saviatto



segunda-feira, 17 de julho de 2017

O INÍCIO DO FIM - A BATALHA DE STALINGRADO

Soldados alemães caminham pelas ruínas da Fábrica de Tratores,
localizada ao norte de Stalingrado

     Há 76 anos o Exército Alemão era enfim derrotado na cidade de Stalingrado, uma cidade fabril nas margens do Rio Volga.  A escassez de combustível havia desempenhado papel significativo na derrocada em Moscou no inverno anterior. Em seu típico exagero, Hitler advertiu seus generais de que, se os campos de petróleo do Cáucaso não fossem conquistados em três meses, a Alemanha perderia a guerra. Hitler então dividiu o Grupo de Exércitos do Sul em dois novos setores. O Setor Norte, chamado de Grupo de Exércitos A, e o Setor Sul, denominado de Grupo de Exércitos B. Na divisão de funções, o Grupo de Exércitos A deveria liquidar as forças inimigas em torno de Rostov-na-Donu e seguir em avanço pelo Cáucaso, conquistando a costa leste do mar Negro, invadindo a Chechênia e Baku, no Cáspio, duas regiões ricas em petróleo. O Grupo de Exércitos B, por seu turno, deveria tomar a cidade de Stalingrado e investir sobre o Cáspio, circundando a região de Astrakhan, na parte inferior do Volga. Esse movimento de pinça tinha a intenção de bloquear o avanço soviético naquela região, estabelecendo bases fortes para a extração do petróleo, vital para a guerra total da Alemanha de Hitler.

Soldados alemães em trincheiras nas proximidades da fábrica de
tratores de Stalingrado, em 1942
O avanço do Grupo de Exércitos B sobre Stalingrado tinha como intuito tomar não só um importante centro industrial e ponto-chave de distribuição de suprimentos e combustível do Cáucaso, mas também uma cidade cujo nome concedia-lhe um significado importantíssimo para o Governo Soviético. No decorrer dessa batalha, a cidade de Stalingrado ganhara outro significado, se tornando um símbolo da resistência vermelha e o fim da invencibilidade alemã na Segunda Guerra. 
Após incontáveis incursões e ataques aéreos, que infringiram gigantescos danos a estrutura física da cidade, além de vitimar mais de 40 mil civis, que haviam sido proibidos de fugir da cidade, pois Stalin acreditava que a presença destes aumentaria o moral e a responsabilidade dos soldados vermelhos na sua defesa.
Mesmo com a garantia que o comandante do Grupo de Exércitos B, o General von Paulus, dera a Hitler de que a cidade estaria sob total controle alemão em poucas semanas de combate, os soldados alemães demoraram até o fim de agosto para ter o controle de Stalingrado. Em 30 de setembro de 1942, os alemães já possuíam controle de dois terços da cidade, vindo a combater os constantes ataques em meio às ruínas da cidade. Todavia, isso não significava a vitória, pois a cada combate casa a casa, as baixas alemãs eram cada vez maiores. Generais seniores, como Paulus e seu superior, Weichs, e o próprio Karl Zeitzler, grande puxa saco do Führer, aconselharam Hitler a ordenar uma retirada, temendo as perdas em que incorreriam em um longo período de combate. Esses conselhos foram mais uma vez ignorados com desdém pelo Führer, alegando que a cidade deveria ser totalmente tomada até outubro. 
    A cidade significava muito para os dois lados do conflito. Stalin estava disposto a injetar quaisquer recursos disponíveis para defender o que sobrara da cidade que levava seu nome. Para tal, dera carta branca para que o General Vasili Chuikov  fizesse o possível para defender Stalingrado.

Soldados soviéticos atravessam a nado o gelado Rio Volga, nos
arredores de Stalingrado, em 1942
A aviação e a artilharia alemãs continuaram a atacar a zona de ocupação soviética de Stalingrado, mas as ruínas bombardeadas da cidade propiciaram condições ideais de defesa às tropas soviéticas. Vivendo em porões e posicionando atiradores de elite nos andares superiores de apartamentos parcialmente demolidos, os soviéticos conseguiam emboscar as tropas de assalto alemãs, romper seus ataques maciços e canalizar o avanço inimigo para avenidas onde poderiam ser liquidados por armas antitanque e armamento pesado escondidos, além de caminhos repletos de minas terrestres. 
     O combate passara em muito para o corpo a corpo, com o uso de baionetas e facas. O objetivo agora era desgastar ao máximo o inimigo. O combate constante e ininterrupto cobrou seu preço, e muitos soldados adoeceram. Os alemães lutavam ferozmente pela defesa de suas posições, batalhando intensamente na linha de frente. Todavia, com o desgaste e o incontável número de soldados perdidos todos os dias, a retaguarda das forças de Paulus deixou a abertura que o Exército Soviético tanto necessitava. Jukov e Vasilevskii persuadiram Stalin a ceder uma gigantesca quantidade de tropas novas, inteiramente equipadas com tanques e artilharia, para tentar montar uma enorme operação.

As novas divisões blindadas e mecanizadas soviéticas
se preparam para reforçar o efetivo na Batalha de Stalingrado
Mais de um milhão de homens estavam reunidos de prontidão para um assalto maciço às linhas de Paulus no início de novembro de 1942.  E no dia 19 daquele mês, o novo efetivo soviético estava pronto. Com a forte neblina do amanhecer, as forças soviéticas atacaram em um ponto fraco das linhas alemãs, defendidas por soldados romenos desavisados e pouco equipados, quase 160 quilômetros a oeste da cidade. Nesse ataque, 3,5 mil armas e morteiros pesados abriram fogo, preparando o caminho para os tanques e a infantaria. Depois de oferecer um combate inicial, os romenos começaram a fugir em enorme confusão. O General Paulus, que havia posicionado seus tanques numa posição pouco efetiva, reagiu devagar demais e, quando enfim mandou tanques para tentar segurar as linhas romenas, era tarde demais. A massa colossal de blindados T-34 entravam sem muito esforço, como uma faca quente na manteiga que era a linha defensiva alemã.

General von Paulus, acompanhado de Arthur Schimidt e o Wilhelm Adam
em um abrigo subterrâneo de Stalingrado, em dezembro de 1942
As tropas de Paulus contavam com 20 divisões, seis delas motorizadas, e quase 250 mil homens no total. O primeiro pensamento de Paulus foi tentar irromper pelo oeste, levando esse montante para um possível contra-ataque. Todavia, Paulus hesitou mais uma vez.
      Mas as esperanças ainda estavam ao lado dos alemães. O Marechal de Campo von Manstein enviou uma mensagem que aqueceu os corações dos soldados: “Aguentem firmes, estamos indo arrancar vocês daí”. 
As forças de von Manstein, compostas de duas divisões de infantaria e três divisões panzer, avançaram por sobre as tropas soviéticas em 12 de dezembro de 1942. Todavia, mal haviam chegado ao bolsão de Stalingrado, os tanques de apoio estavam imobilizados nas cercanias da cidade. Nove dias depois, estavam praticamente cercados, e Manstein foi forçado a permitir que Hoth, o comandante de suas tropas na região, recuasse. A operação de socorro havia fracassado e as esperanças estavam praticamente perdidas. O frio era intenso, a fome era constante e com o passar dos dias, os soldados alemães estavam cada vez mais próximos da rendição ou do suicídio. Com o passar das festas de fim de ano, os soldados alemães se alimentavam tão somente da carne dos seus próprios cavalos de guerra, os piolhos se proliferaram e a doença estava tão próxima quanto os ataques soviéticos. Em 28 de janeiro de 1943, Hitler emitira a ordem para que os doentes e feridos fossem deixados para trás, largados à própria sorte.
Desde meados de janeiro, aviões e carros com alto-falantes anunciavam os Termos de Capitulação. A carta fora assinada pelo Coronel-General de Artilharia Voronov e o Comandante-em-Chefe do Fronte do Don, Roskossovski. O Alto-Comando alemão disse para o General Paulus: 

“Quanto mais você segurar os soviéticos ai você estará ajudando para que eles não venham reforçar outro front.” 

      E assim o fizeram. O 6º Exército já não tinha apoio aéreo, estavam morrendo de fome e ficando sem equipamentos para combater os soviéticos. Impressionados com o grande número de seus soldados presos, os alemães começaram a reforçar o cerco. Dando continuidade a uma batalha sangrenta, os alemães começaram a instalar arames nas janelas para se proteger de granadas, numa tentativa de prolongar a batalha. Os soviéticos então fizeram outra proposta de rendição à Paulus: Se eles se rendessem os soldados receberiam tratamentos humanos, seriam medicados, alimentados e repatriados em qualquer país que eles quisessem. 
      Porém, seguindo as ordens de Adolf Hitler, Paulus não deu uma resposta para os soviéticos. Paulus pediu permissão para se render mais algumas vezes, mas a resposta sempre era a mesma. O 6º Exercito se rendera somente no dia 31 de janeiro de 1943. Mas isso não significou o fim da batalha. Os soviéticos só foram capazes de eliminar os insurgentes alemães em Stalingrado em março de 1943. Muitos grupos se escondiam e empreendiam pequenos ataques de resistência contra os soviéticos. Muitos se recusavam a se render e então eram aniquilados em seguida. 


O General von Paulus, juntamente com seus assistentes, oficializam
a rendição alemã em Stalingrado, perante os soviéticos,
em fevereiro de 1943


  Quanto ao número de baixas, a quantidade de soldados mortos nessa batalha fora gigantesca, os soviéticos perderam cerca de 400 mil soldados e mais 600 mil dentre feridos e doentes, tendo os alemães perdido cerda de 700 mil soldados, incluindo a rendição do que restara do 6º Exército do Marechal-de-Campo Friedrich Paulus, quebrando a tradição de que um Marechal-de-Campo jamais rendera-se ao inimigo e também destruindo o mito da invencibilidade Alemã.

Soldado alemão, evidentemente fatigado pela batalha, se rende ao Exército Vermelho, em fevereiro de 1943

Fonte: 

EVANS, Richard J. O TERCEIRO REICH EM GUERRA. Ed.1. - São Paulo : Planeta, 2012.
BEEVOR, Antony. STALINGRADO, O cerco fatal - 1942-1943. Ed.1. - Rio de Janeiro: Record, 2002.

Postado por Diego Saviatto




segunda-feira, 5 de junho de 2017

OPERAÇÃO OVERLORD - A Invasão Aliada no Dia-D

 As Forças Aliadas não queriam de forma alguma repetir o fracasso da Operação Jubileu, que dizimou quase 4000 soldados, de maioria canadense, nos portos de Dieppe, em 1942. Quase dois anos se passaram desde então e depois de muito treinamento e preparação, enfim os Aliados estavam prontos para realizar o maciço ataque anfíbio no litoral francês ocupado pelas forças alemãs. Malgrado, os Aliados estavam limitados pelas condições climáticas. Por fim, os especialistas ingleses encontraram um dia, o Dia-D, onde a maré estava mais baixa e deixava à mostra as minas alemãs que se espalhavam por toda a costa. 
Com tropas prontas e marcada a data da invasão, restava agora colocar todo esse contingente em “marcha”, rumo à batalha. Na noite do dia 05 de junho, paraquedistas saltaram em território inimigo, com o intuito de estabelecer postos avançados, destruir comunicações e armamentos e ganhar terreno para as tropas que viriam a seguir. Pouco antes do amanhecer do dia 6, centenas de bombardeiros aliados despejaram toneladas de bombas sobre o solo francês, porém, devido ao mau tempo, caíram nos campos e plantações atrás das linhas inimigas.
O litoral francês a ser usado para o desembarque fora divido em 05 setores: Omaha, Utah, Gold, Juno e Sword.

Lanchas de Desembarque Aliadas avançam rumo a praia de Omaha,
na Normandia, em 06 de junho de 1944


A 1ª e a 29ª Divisão de Infantaria dos EUA ficaram incumbidas do  desembarque nas margens do Setor Omaha, nas praias francesas da Normandia. Os soldados foram recebidos com salvas de artilharia e disparos de metralhadoras logo que desembarcaram. O terreno estava cheio de buracos, obstáculos antitanque, portões de ferro (conhecidos como portões belgas), postes e rampas de madeiras com minas, e é claro, poderosos canhões que podiam lançar suas bombas a mais de 15 quilômetros. A distância que o soldado aliado precisava percorrer para que pudesse chegar até o “safe zone”, ou área segura,  era de aproximadamente 540 metros. Nos planos, mais de 96 tanques Sherman DD deveriam chegar à praia para poder auxiliar a infantaria, junto deles deveriam chegar divisões de engenharia para poder limpar o terreno para a passagem das tropas. Porém um vento soprou paralelamente às embarcações e tanques, fazendo com que eles aterrissassem mais para o leste do que o previsto.
O resultado foi que não havia quase nenhum tanque (cerca de cinco tanques conseguiram, tendo os demais afundado nas águas revoltas do Canal da Mancha) e as unidades de engenharia desembarcaram em lugares sem blindados e sem proteção, além de que,  eles ainda possuíam seus explosivos, e isso os tornara alvos fáceis para os inimigos. Meia hora antes da invasão, os gigantescos navios americanos bombardearam as praias e as fortificações alemãs que atrapalhariam os planos da infantaria, obtendo um resultado pouco efetivo. A primeira leva de soldados que desembarcaram em Omaha consistiam em 1450 homens, divididos em 08 companhias de infantaria. Eles chegaram lá às 06h31min.
A segunda leva chegou as 07h00min, mas devido ao grande número de embarcações indo e voltando, estas se viram num engarrafamento, que os tornou alvos fáceis. Nesse tempo a maré subiu e o pessoal que estava ferido, sem forças para saírem dali, acabou se afogando. Às 07h20min, os americanos conseguiram fazer um avanço significativo com um pelotão, que conseguiu quebrar algumas defesas alemãs enquanto um tanque M4A1 sherman do 741st Tank Battalion destruiu uma artilharia de 88mm que estava dando dor de cabeça para os soldados. Às 07h45min, outro Sherman destruiu uma casamata.
O Coronel George Taylor que ia e vinha com soldados feridos, fizera a seguinte menção: “Dois tipos de pessoas estão naquela praia, as mortas, e as que irão morrer.”. Os americanos empregaram quase 50 mil homens, dos quais 10 mil morreram. Os alemães conseguiram mobilizar uma defesa contendo cerca de 08 mil soldados, alguns já experientes e fatigados das duras batalhas do Front Leste. Do efetivo alemão, metade veio a morrer do calor da batalha.

Barreiras de todo o tipo impedem o avanço das Lanchas de Desembarque, fazendo com que os soldados aliados tenham que chegar a nado nas praias de Omaha, para logo serem alvejados pelas rajadas das MG42 alemãs
No setor seguinte, denominado Utah, era, dentre todas as outras, a mais a oeste designada para os desembarques. Localizada na base da Península do Cotentin, ela foi adicionada pelo General Dwight Eisenhower ao plano original do Dia-D para garantir uma captura prematura do porto de Cherbourg, uma área vital, no norte da península. Eisenhower percebeu que o avanço Aliado pela Europa Ocidental necessitaria de muitos equipamentos e que o único porto capaz de aguentar esse fluxo estaria em Cherbourg.
A praia tinha aproximadamente três milhas de comprimento, e boa parte dela era feita de dunas de areia e fortificações alemãs (que eram relativamente fracas, se comparadas às presentes em Omaha). A terra atrás da praia se inundava com facilidade, e se assume que os alemães acreditavam que a área não precisava de bastante proteção porque, caso os Aliados avançassem o suficiente, eles poderiam apenas inundar o local. Só existiam quatro caminhos para fora da praia, e uma inundação restringiria severamente qualquer forma de movimento, especialmente a de veículos. A cidade mais próxima para os Aliados era Carentan, ao sudoeste da praia. Por lá passava uma estrada ao leste de Bayeaux, que conectaria as tropas em Utah com as que estavam em Omaha, Gold, Juno e Sword.
O desembarque em Utah estava marcado para as 06:30 e a força Aliada veio da 4ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos. O plano para Utah incluía o salto da 82ª e da 101ª Divisões Aerotransportadas dos Estados Unidos em vários pontos de dois até cinco milhas de distância da praia. Os desembarcados na praia deveriam ser "conectados" com os paraquedistas o mais cedo possível. Os paraquedistas foram soltos primeiramente para capturar a estrada principal de Carentan até Valognes e para causar o máximo de caos possível, já que isto aconteceria às 01:30. Os comandantes alemães não sabiam se os mesmos eram apenas uma distração para um ataque maior em outro local ou se eles eram o ataque principal. Por esse motivo, os alemães não sabiam que forças utilizarem contra a 82ª e a 101ª - tal caos e incerteza foram perfeitos para os aliados.
Enquanto o ataque aéreo foi como planejado, o naval estava longe de alcançar seu objetivo. Correntes fortíssimas fizeram com que os barcos fossem parar longe de seus locais designados. Eles chegaram na praia, mas com uma diferença de dois quilômetros do planejado. Por sorte, essa área era uma das defendidas com menos intensidade e as baixas quando os americanos chegaram em terra foram mínimas. O General de Brigada Theodore Roosevelt, que estava na praia, disse para seus homens que "Nós começaremos essa guerra daqui!" e ordenou que eles avançassem. Quando deu 12:00, os homens da 4ª Divisão de Infantaria já haviam se encontrado com os homens da 101ª Divisão Aerotransportada. A oposição alemã foi facilmente derrotada. Pelo fim do dia, os americanos tinham avançado quatro milhas no interior e estavam à uma milha de distância da 82ª em St. Mère-Eglise.
No primeiro dia do desembarque em Utah, 20000 homens e 1700 veículos tinham chegado ao local. Embora a guerra na península não tivesse acabado ainda, as conquistas em Utah foram imensas. 
Ao fundo, tropas estadunidenses avançam pela Praia de Utah,
com a ajuda de um blindado Sherman, enquanto, em primeiro plano,
um de seus camaradas, jaz morto.
Já no setor Gold, com pouco mais de 8 km de extensão, se encontrando entre as cidades litorâneas de la Rivière e Le Hamel, as praias desse setor se localizavam bem ao centro do Teatro de Operações, sendo defendida por soldados pertencentes a 716° e 352° Divisão de Infantaria da Wehrmacht, posicionados em casamatas vulneráveis ao fogo de artilharia naval e por esse motivo, as defesas foram dizimadas nas primeiras levas de bombardeios advindos das embarcações e aeronaves que atacaram sem cessar.
Os Aliados incumbiram o Exército Britânico para a invasão deste ponto, cuja principal unidade de assalto fora a 50ª Divisão de Infantaria, pertencente ao 2° Exército. Para a missão, foram designados os regimentos Dorsetshire, Hampshire, East Yorkshire e Devonshire, juntamente com o 47° Royal Marine Commandos que foram anexados a 50ª Divisão.
O desembarque estava marcado para as 07h25min, aproximadamente uma hora depois dos demais ataques devido à movimentação das marés. No entanto, o tempo não colaborara muito com os britânicos. Uma forte tempestade, com rajadas de ventos igualmente fortes deixaram o mar agitado, anulando qualquer possibilidade dos engenheiros aliados de desarmarem as armadilhas, barreiras e minas alemãs. Os primeiros navios que chegaram às proximidades do setor Gold foram gravemente danificados pelas minas, sendo que mais de 20 veículos foram danificados da mesma forma, assim que desembarcaram.
Pouco antes do meio-dia de 06 de junho, as forças britânicas haviam tomado o setor Gold, sofrendo baixas de pouco mais de 400 soldados, antagonicamente aos milhares de mortos nos demais pontos de combate. Até o dia seguinte a invasão, mais de 25 mil homens vieram a desembarcar e estabelecer contato com o setor vizinho, Juno.


Coluna de  tanques Cromwells e Shermans Firefly pertencentes ao exército britânico, avançam depois da tomada do Setor Gold.
Juno tinha seis milhas (aproximadamente 10 quilômetros) de comprimento, e os alemães tinham fortificado a área "atrás" da praia. Porém, bombardeios navais e aéreos deveriam ter neutralizado essas fortificações.
O horário do desembarque fora designado para às 07:45 do dia 06 de junho. A praia estava atribuída ao Exército Britânico (British Second Army), comandado pelo Tenente-General Miles Dempsey, mas a força principal que atacou a praia veio da 3ª Divisão de Infantaria Canadense, que tinha a tarefa de avançar até a estrada Caen-Bayeaux para formar uma conexão entre as praias de Gold e Sword.
Todavia, os canadenses tiveram grandes problemas antes mesmo de chegarem à praia. Os atacantes queriam desembarcar durante a baixa-maré, quando a defesa alemã estaria mais "exposta". Isso aconteceu, mas às 04:45, três horas antes do esperado. Com a maré agora aumentando, as defesas alemãs estavam parcialmente submersas e os engenheiros de demolição foram incapazes de destruir os alvos que queriam. As minas destruíram ou danificaram cerca de 30% de todos os barcos utilizados.
Muitos soldados canadenses tiveram que caminhar até a terra firme. Eles só não levavam tiros porque os alemães tinham armado uma "zona de abate" na praia, e não no mar. Malgrado, quando eles chegaram às praias de Juno, foram atingidos por forte poder de fogo. Em particular, a primeira onda de soldados sofreu muitas baixas. No momento dos primeiros desembarques, cada soldado canadense tinha menos de 40% de chances de sobreviver.
Quando os soldados atacantes alcançaram as posições alemãs logo atrás da praia, foram capazes de seguir com bastante velocidade. Tropas do 1º Hussar alcançaram Caen-Bayeaux, fazendo com que Juno fosse o único setor de toda a invasão do dia 06 de junho que alcançou seu alvo em menos de um dia. Os canadenses tiveram que lutar muito pela praia de Juno. Dos 21400 homens que desembarcaram no primeiro dia de invasão, 1200 foram mortos. Porém, quando chegaram mais ao interior, a escassez de defesas alemãs se mostrou aparente.

Soldados canadenses e britânicos desembarcam para reforçar o efetivo do primeiro escalão, que desembarcara na praia de Juno, durante as operações do Dia-D

Por fim, os aliados precisavam invadir o setor de Sword, que era o mais ao leste da invasão, possuindo 08 quilômetros de comprimento, que ia de Lion-sur-Mer, a oeste, à cidade de Ouistreham, na boca do rio de Orne, e ficava a 14 km da cidade de Caen.
O desembarque foi concedido ao 2º Exército Britânico, sob ordens do general Miles Dempsey. Às 7:25 da manhã do dia 6 de junho de 1944, foi lançado o ataque pelas primeiras unidades da 3º Divisão de Sua Majestade Britânica, composta por ingleses e franceses.
Em suma, o ataque a praia Sword foi bem sucedido, tendo sido tomada a praia antes mesmo do anoitecer, e com um baixo número de baixas (desembarcaram 29.000 aliados e sofreram apenas 630 baixas), levando em consideração o elevado número de perdas do lado alemão. Contudo, o plano de ação para proceder até Caen não foi cumprido, e ao final do dia, a cidade ainda permanecia sob posse dos homens de Hitler.

Soldados do 2º Exército Britânico tentam progredir por Caen, cidadezinha fortemente guarnecida pelos alemães, após a tomada do Setor Sword, no Dia-D
O sucesso dessa operação se deu, dentre tantos motivos, pela incapacidade do OKW alemão de prever a data correta e o local preciso da invasão, ignorando as concepções do Marechal de Campo Erwin Rommel acerca da operação aliada. Além disso, a Luftwaffe estava lutando pela própria sobrevivência nos céus do Reich, a Kriegsmarine estava muito reduzida e a força de submarinos acossada pelo poderio aéreo aliado.
Apenas 04 divisões de infantaria defendiam o trecho escolhido pelos Aliados para realizar o desembarque, essas divisões alemãs eram consideradas de segunda linha, até mesmo a 352ª Divisão, que pegou os americanos de surpresa em Omaha, era de segunda linha. Já as tropas Aliadas eram todas de primeiro escalão, as divisões aliadas eram bem treinadas e muito bem equipadas, o poderio aéreo e naval eram devastadores. A idade média das tropas aliadas era de 24 anos em contraste das unidades de infantaria alemãs que eram de 35 anos. Em todos os aspectos as tropas Aliadas eram excelentes, talvez a falta de experiência de algumas unidades e a qualidade dos seus blindados eram os seus únicos pontos fracos.
É quase ponto pacífico dentre os historiadores que o fato que decidiu o sucesso do desembarque foi o poderio aeronaval de mais de 5000 navios e 12.000 aviões que esmagaram as tentativas dos alemães de impedir o desembarque.
Os soldados alemães na costa da Normandia lutaram com a mesma bravura e determinação que lhe são habituais, mas com os meios que dispunham no dia 06 de junho de 1944, não tinham condições de impedir o desembarque e repelir os Aliados para o mar. A decisão de Hitler em não apoiar a tática de Rommel de colocar a reserva Panzer o mais próximo do litoral, selou o destino das tropas alemãs na Muralha do Atlântico. Segundo o próprio Rommel, acerca desse episódio, ainda em 22 de abril de 1944: 

"Acredite-me, Lang, as primeiras vinte e quatro horas da invasão serão decisivas... Delas dependerá o destino da Alemanha... Tanto para os Aliados como para nós esse será o dia mais longo."

Essa enorme operação abriu portas para uma das maiores necessidades aliadas, que era a chegada de suprimentos em grande monta, para sustentar o avanço Aliado pela Europa, estabelecendo uma espécie de cabeça de ponte entre o Reino Unido e a França. Esse fato, concomitante ao gigantesco avanço soviético no leste europeu, fez com que a derrota do III Reich fosse sentenciada, fechando cada dia mais o laço da forca em volta do pescoço de Hitler.

Texto de autoria da Equipe Segunda Grande Guerra

Fontes:

BEEVOR, Antony. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - 1. ed. - Rio de
Janeiro : Record, 2015.
RYAN, Cornelius, O MAIS LONGO DOS DIAS -  1. ed - Porto Alegre: L&PM Pocket, 2004.