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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Força Expedicionária Brasileira toma Monte Castello

    No ano de 1944, já nos derradeiros meses da Guerra na Europa, o Brasil se engajou em uma das batalhas mais sangrentas da Campanha da Itália. Durante 03 meses, de 25 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945. A FEB estava subordinada ao 4° Corpo do 5° Exército norte-americano e participara dos combates, na tentativa de conter o avanço das tropas da Wehrmacht em direção à França. Intitulada pelo comando americano como Operação Encore, a missão da força brasileira era tirar Monte Castelo do controle dos alemães, pois ele representava uma posição estratégica, já que se encontrava no caminho para Bolonha, cidade que representaria uma importante conquista para as forças aliadas. Nesses meses de combate entre as forças aliadas de brasileiros e norte-americanos contra as forças alemãs estacionadas na cidade de Monte Castello foram efetuadas 6 incursões para capturar o monte, onde 4 delas falharam. No dia 21, a FEB derrubou os alemães. A tomada de Monte Castelo ficou conhecida como a sua mais importante conquista. 

Unidades da artilharia divisionária, ao preceder da batalha preparando a bateria de fogos que seria vital para a tomada de Monte Castello

    A FEB, comandada pelo General Mascarenhas de Moraes, lutou contra a 232ª Divisão de Infantaria comandada pelo Generalleutnant (Tenente-General) Eccard Freiherr von Gablenz, veterano da Batalha de Stalingrado. Os brasileiros estavam em uma grande desvantagem, pois as artilharias alemãs estavam em posições favoráveis à defesa do local. Além de que, grande parte dos homens de Eccard eram veteranos de guerra, principalmente advindos do Front Russo. Estavam cansados, mas eram experientes. Diferente dos soldados brasileiros que estavam em seu primeiro ano na guerra. Os efetivos de Eccard totalizavam 9000 homens, com idades variando entre 17 e 40 anos. 

Homens da FEB se deslocando para Monte Castello

    O General Mark Clark, comandante geral da Campanha Aliada na Itália, queria livrar o caminho rumo a Bolonha para o 8th British Army antes do inicio das fortes nevascas. Porem, as defesas alemãs ao redor de Monte Castello, Belvedere, Monte della Toraccia e alguns outros pontos de defesa se mostraram quase intransponíveis. No segundo dia de ataque as forças americanas capturam Belvedere, Monte Della Torracia e conseguem alcançar o cume do Monte Castello. Mas a 232ª Divisão de Infantaria alemã, com uma poderosa contraofensiva, expulsou e recapturou suas posições perdidas, menos Belvedere, esse ficou na mão dos aliados. No dia 29 de novembro, outro ataque fora planejado, porém, por causa de um novo contra-ataque alemão, agora em Belvedere, o flanco esquerdo aliado ficou exposto. Apesar de estarem com suas posições comprometidas, os aliados prosseguiram o ataque, voltando derrotados ao final do dia. Em 12 de dezembro fora o pior dia para a FEB. Eles conseguiam conquistar terreno, mas a artilharia logo os expulsava, causando pesadas baixas. Cerca de 150 pracinhas pereceram nesse dia. O último ataque fora no dia 21 de fevereiro. Dessa vez os aliados utilizaram uma tática que Mascarenhas tinha idealizado ainda em novembro, utilizando duas divisões. 

Generais e oficiais do alto escalão do exército brasileiro e estadunidense preparando a estratégia e ordem de batalha

    No dia 20 de fevereiro as tropas da FEB já estavam prontas para o ataque, dessa vez, com três regimentos prontos para atacar Monte Castello, pela última vez. No flanco esquerdo dos brasileiros estava a 10 Divisão de Montanha dos EUA, uma força de elite que tinha como responsabilidade tomar o monte Belvedere e garantir, dessa forma, a proteção do lado mais vulnerável e delicado da invasão. Na alvorada do dia 21 de fevereiro de 1944 iniciara o ataque, com o Batalhão Uzeda seguindo pela direita, o Batalhão Franklin na direção frontal ao monte, e o Batalhão Sizeno Sarmento esperando para se juntar aos demais batalhões em posição mais avançada. Mas havia um novo porém, a 10° Divisão de Montanha americana não havia conseguido tomar posição segura e deixara o avanço dos praças quase que inviável e suicida, mesmo assim, nossos bravos praças seguiram em frente. O primeiro regimento a avançar ao cume foram os soldados do 1º Regimento do “Batalhão Franklin”. Enquanto os brasileiros deveriam tomar Monte Castello, os americanos ficaram incumbidos de tomar Belvedere, mas apenas conseguiram quando chegou à noite, quando os pracinhas lhes deram reforço, após o termino dos combates em Castello. É creditada essa vitória aos integrantes da Artilharia Divisionária, sob o comando de Cordeiro Farias, que entre as 16 e17hrs do dia 22 disparou tiros perfeitos no cume do Monte Castello, fazendo com que os praças pudessem entrar. Durante os combates, cerca de 417 de nossos praças pereceram em combate. Os alemães tiveram poucas baixas, cerca de 90, mas a tomada deste monte italiano fora de extrema importância para a vitória final contra as forças do III Reich.

Manchete do Jornal O Globo sobre a grande vitória da FEB em território italiano


Postado por Diego Saviatto



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A Batalha de Khalkhin-Go

    Pouco antes de Hitler firmar o pacto de não agressão com Stalin e da invasão da Polônia em setembro de 1939, dois países já estavam lutando por um pedaço de terra praticamente inútil. Esta batalha seria a maior batalha de blindados, até 1943 quando os soviéticos e alemães se degladiaram em Kursk, e ficaria conhecida como a Batalha de Khalkhin-Gol ou o Incidente de Nomonhan.
    Em 11 de maio de 1939, uma patrulha japonesa (Manchukuoan), que estavam em Nomonhan, atacou 80 cavaleiros mongóis que levavam seus cavalos para pastar do outro lado do Rio Khalkin, onde já era território Japonês desde a guerra Russo-Japonesa de 1905. Os mongóis fugiram a tiros,  voltando com reforços no dia 13 de maio. Vendo que os mongóis retornaram e em maior número, a Manchukuoan pediu reforços para seus superiores e eis que o 64º Regimento Japonês veio para ajudar. Eles trouxeram infantaria e tanques leves.

Cavalaria de Patrulha do 64º Regimento Japonês durante a Batalha de Khalkhin-Gol 

    De início, as tropas imperiais japonesas conseguiram repelir os soviéticos e os mongóis, porém, no dia 28 de maio, os soviéticos trouxeram mais reforços e conseguiram destruir o 64º Regimento Japonês.

    Em junho, os japoneses e soviéticos continuaram se enfrentando enquanto traziam cada vez mais soldados para o Front. Em julho, os japoneses fizeram um grande ataque noturno, empregando 75 tanques. Apesar dos imprevistos, foram capazes de forçar a retirada dos soviéticos para o outro lado do rio Khalkhin, que voltaram com 186 tanques e outros 233 veículos blindados, tomando o território para eles novamente no dia 3 de junho. Os impotentes tanques japoneses, com suas blindagens e números inferiores, não tiveram chance contra a máquina de guerra soviética.

Soldados Mongóis em posição de ataque disparam com uma Metralhadora Leve Degtyaryov Pekhotny 27 (DP-27)

    No dia 23 de julho, os japoneses, com muita perseverança, lançaram novo ataque, fazendo uso de mais tanques, aviões e artilharia. Não demorou muito para que se dessem conta de que da inferioridade demasiada que se encontraram. A artilharia japonesa não conseguiu bater de frente com a artilharia soviética, sendo impossível de destruir-la, os tanques Chi-Ha, Ha-Go e I-Go não tinham blindagem o suficiente para aguentar disparos dos canhões de 45mm dos tanques T-26, BT-7 e BA-10 soviéticos. Os aviões japoneses conseguiam ganhar dos soviéticos, porém não conseguiam estabelecer apoio aéreo à infantaria. E enfim a infantaria, que morria antes mesmo de alcançar os soviéticos. Nesse ataque, mais de 5 mil soldados japoneses morreram antes de desistir do ataque.

Soldados Soviéticos avançam com a escolta de um Tanque BT-7
    
    Os japoneses tiveram que recuar e montar defesas, pois sabiam que os soviéticos logo os atacariam. Georgi Zhukov, o general soviético incumbido da missão de derrotar as forças japonesas fez um ataque um tanto quanto diferente e conseguiu quebrar os japoneses. No dia 20 de agosto mandou 57 mil homens fazerem um ataque frontal contra 37 mil defensores japoneses. Enquanto a infantaria atacava, 577 caças voavam por cima dos japoneses sem disparar nenhum projetíl, eles estavam ali apenas para fazer barulho, suficiente para camuflar o ronco dos motores de quase 500 tanques soviéticos que os flanqueavam pelo sul, enquanto outra parte da infantaria flanqueava pelo norte. No final do dia os japoneses estavam totalmente cercados, mas seguindo a Honra Militar Nipônica, recusaram a qualquer meio de rendição. Em 31 de agosto os japoneses recuam e Zhukov considera sua missão cumprida.

O Coronel-General Grigori Shtern, o Lider da República Popular da Mongólia e Marechal das Forças Armadas Mongóis Khorloogiin Choibalsan e o General Georgi Zhukov conversam após a vitória soviética frente as tropas japonesas

    O General Michitaru Matsubara planejava mais um contra-ataque, ate que no dia 16 de setembro recebera a informação de que Tóquio e Moscou tinham chegado a um acordo e a batalha estava encerrada, os japoneses haviam pedido paz. Além da derrota, Hitler tinha firmado o pacto de não agressão com Stalin, em 23 de agosto, e o Japão era um aliado da Alemanha Nazista. O governo Japonês considerou o pacto uma traição, mas os planos de atacar os soviéticos não eram mais uma opção viável.

    Em Khalkhin-Gol, a Força Soviética empregou uma força brutal que variava de 61 mil a 73 mil soldados, 550 tanques, 450  dos mais variados veículos blindados e mais de 900 aeronaves. Os japoneses fizeram frente aos Vermelhos com uma força de aproximadamente 20 a 38 mil soldados, 73 tanques, 64 tankettes e mais de 400 aeronaves. As baixas soviéticas ficaram em quase 30 mil baixas, 208 aeronaves, 235 tanques e outros 133 veículos blindados destruídos. Os japoneses, por sua vez, tiveram de 17 a 22 mil baixas, além de terem perdido 162 aeronaves, 42 tanques e vários tankettes.

    A Batalha de Khalkin-Gol foi uma das batalhas mais decisivas da Segunda Grande Guerra, pois, caso os soviéticos tivessem perdido em 1941, iriam ter duas frentes de batalha, e por mais que aguentassem os ataques dos japoneses, pereceriam contra os alemães. Quando Hitler atacou em 1941, Stalin fez com que um de seus espiões descobrisse se os japoneses planejavam um ataque, mas por causa de Khalkhin-Gol, estes haviam desistido de fazer frente a URSS novamente e tinham voltado seus olhos para os Estados Unidos. Stalin pôde, assim, trazer com que as tropas do leste da Rússia viessem ajudar na defesa de Moscou, Stalingrado e Leningrado. Sem esses reforços o rumo da guerra teria sido diferente.


Fontes:  Drea, Edward: Nomonhan: Japanese-Soviet Tactical Combat, 1939. Leavenworth Papers study for the Combat Studies Institute of the U.S. Army.
                  Drea, Edward J. (1998). "Tradition and Circumstances: The Imperial Japanese Army's Tactical Response to Khalkhin-Gol, 1939". In the Service of the Emperor: Essays on the Imperial Japanese Army. Nebraska: University of Nebraska Press.


Postado por Mateus Bassi




terça-feira, 11 de outubro de 2016

A Batalha por Caen

    A cidade de Caen, apesar de encontrar-se em ruínas, era de fundamental importância para os Aliados sendo um ponto estratégico devido ao seu porto, onde suprimentos poderiam chegar para reforçar o estoque ínfimo que os soldados tinham a sua disposição naquele momento.

Soldados canadenses durante a Batalha de Caen

    Após o desembarque aliado durante o Dia-D, o progresso em território francês foi árduo devido à resistência alemã. O General Montgomey, comandante do Exército Britânico durante a Operação Overlord, acreditava que Caen seria tomada já no primeiro dia de invasão, o que se provou ser muito diferente do imaginado. A primeira investida britânica sobre Caen se deu entre os dias de 8 e 19 de junho, no qual a 50ª Divisão de Infantaria inglesa veio a enfrentar a Divisão Panzer Lehr, que mesmo perdendo mais de 5 mil soldados, acabou por conter o avanço aliado. A segunda e terceira investidas foram igualmente malsucedida s na caminhada para tomar a cidade, tendo conseguido apenas a vantagem de impedir um contra ataque alemão na região do Rio Odon, onde ocorreram a maior parte dos combates. Após um longo bombardeio do dia 18 de junho, que terminou de arruinar a cidade e culminar em centenas de mortes de civis franceses e por desabrigar mais de 35 mil, os alemães se retiraram, tendo então os aliados ocupado a cidade.

Soldado da Royal Welsh Fusiliers limpando o seu rifle Lee-enfield No.1 MK.III e fazendo as preparações finais para proteger sua trincheira, no ataque em Evrecy, sudoeste de Caen, França. 1944.

    Esse evento fora denominado Operação Goodwood, onde as três divisões blindadas inglesas, além de divisões de infantaria inglesas e canadenses lutaram furiosamente contra a 21ª Divisão Panzer. No dia 20, após mais de 5,5 mil baixas aliadas que Caen veio a cair.
Um blindado Sherman das forças armadas canadenses nas ruas da recém tomada cidade francesa de Caen, após os desembarques na Normandia em junho de 1944.


Postado por Diego Saviatto