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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Força Expedicionária Brasileira toma Monte Castello

    No ano de 1944, já nos derradeiros meses da Guerra na Europa, o Brasil se engajou em uma das batalhas mais sangrentas da Campanha da Itália. Durante 03 meses, de 25 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945. A FEB estava subordinada ao 4° Corpo do 5° Exército norte-americano e participara dos combates, na tentativa de conter o avanço das tropas da Wehrmacht em direção à França. Intitulada pelo comando americano como Operação Encore, a missão da força brasileira era tirar Monte Castelo do controle dos alemães, pois ele representava uma posição estratégica, já que se encontrava no caminho para Bolonha, cidade que representaria uma importante conquista para as forças aliadas. Nesses meses de combate entre as forças aliadas de brasileiros e norte-americanos contra as forças alemãs estacionadas na cidade de Monte Castello foram efetuadas 6 incursões para capturar o monte, onde 4 delas falharam. No dia 21, a FEB derrubou os alemães. A tomada de Monte Castelo ficou conhecida como a sua mais importante conquista. 

Unidades da artilharia divisionária, ao preceder da batalha preparando a bateria de fogos que seria vital para a tomada de Monte Castello

    A FEB, comandada pelo General Mascarenhas de Moraes, lutou contra a 232ª Divisão de Infantaria comandada pelo Generalleutnant (Tenente-General) Eccard Freiherr von Gablenz, veterano da Batalha de Stalingrado. Os brasileiros estavam em uma grande desvantagem, pois as artilharias alemãs estavam em posições favoráveis à defesa do local. Além de que, grande parte dos homens de Eccard eram veteranos de guerra, principalmente advindos do Front Russo. Estavam cansados, mas eram experientes. Diferente dos soldados brasileiros que estavam em seu primeiro ano na guerra. Os efetivos de Eccard totalizavam 9000 homens, com idades variando entre 17 e 40 anos. 

Homens da FEB se deslocando para Monte Castello

    O General Mark Clark, comandante geral da Campanha Aliada na Itália, queria livrar o caminho rumo a Bolonha para o 8th British Army antes do inicio das fortes nevascas. Porem, as defesas alemãs ao redor de Monte Castello, Belvedere, Monte della Toraccia e alguns outros pontos de defesa se mostraram quase intransponíveis. No segundo dia de ataque as forças americanas capturam Belvedere, Monte Della Torracia e conseguem alcançar o cume do Monte Castello. Mas a 232ª Divisão de Infantaria alemã, com uma poderosa contraofensiva, expulsou e recapturou suas posições perdidas, menos Belvedere, esse ficou na mão dos aliados. No dia 29 de novembro, outro ataque fora planejado, porém, por causa de um novo contra-ataque alemão, agora em Belvedere, o flanco esquerdo aliado ficou exposto. Apesar de estarem com suas posições comprometidas, os aliados prosseguiram o ataque, voltando derrotados ao final do dia. Em 12 de dezembro fora o pior dia para a FEB. Eles conseguiam conquistar terreno, mas a artilharia logo os expulsava, causando pesadas baixas. Cerca de 150 pracinhas pereceram nesse dia. O último ataque fora no dia 21 de fevereiro. Dessa vez os aliados utilizaram uma tática que Mascarenhas tinha idealizado ainda em novembro, utilizando duas divisões. 

Generais e oficiais do alto escalão do exército brasileiro e estadunidense preparando a estratégia e ordem de batalha

    No dia 20 de fevereiro as tropas da FEB já estavam prontas para o ataque, dessa vez, com três regimentos prontos para atacar Monte Castello, pela última vez. No flanco esquerdo dos brasileiros estava a 10 Divisão de Montanha dos EUA, uma força de elite que tinha como responsabilidade tomar o monte Belvedere e garantir, dessa forma, a proteção do lado mais vulnerável e delicado da invasão. Na alvorada do dia 21 de fevereiro de 1944 iniciara o ataque, com o Batalhão Uzeda seguindo pela direita, o Batalhão Franklin na direção frontal ao monte, e o Batalhão Sizeno Sarmento esperando para se juntar aos demais batalhões em posição mais avançada. Mas havia um novo porém, a 10° Divisão de Montanha americana não havia conseguido tomar posição segura e deixara o avanço dos praças quase que inviável e suicida, mesmo assim, nossos bravos praças seguiram em frente. O primeiro regimento a avançar ao cume foram os soldados do 1º Regimento do “Batalhão Franklin”. Enquanto os brasileiros deveriam tomar Monte Castello, os americanos ficaram incumbidos de tomar Belvedere, mas apenas conseguiram quando chegou à noite, quando os pracinhas lhes deram reforço, após o termino dos combates em Castello. É creditada essa vitória aos integrantes da Artilharia Divisionária, sob o comando de Cordeiro Farias, que entre as 16 e17hrs do dia 22 disparou tiros perfeitos no cume do Monte Castello, fazendo com que os praças pudessem entrar. Durante os combates, cerca de 417 de nossos praças pereceram em combate. Os alemães tiveram poucas baixas, cerca de 90, mas a tomada deste monte italiano fora de extrema importância para a vitória final contra as forças do III Reich.

Manchete do Jornal O Globo sobre a grande vitória da FEB em território italiano


Postado por Diego Saviatto



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A Batalha de Khalkhin-Go

    Pouco antes de Hitler firmar o pacto de não agressão com Stalin e da invasão da Polônia em setembro de 1939, dois países já estavam lutando por um pedaço de terra praticamente inútil. Esta batalha seria a maior batalha de blindados, até 1943 quando os soviéticos e alemães se degladiaram em Kursk, e ficaria conhecida como a Batalha de Khalkhin-Gol ou o Incidente de Nomonhan.
    Em 11 de maio de 1939, uma patrulha japonesa (Manchukuoan), que estavam em Nomonhan, atacou 80 cavaleiros mongóis que levavam seus cavalos para pastar do outro lado do Rio Khalkin, onde já era território Japonês desde a guerra Russo-Japonesa de 1905. Os mongóis fugiram a tiros,  voltando com reforços no dia 13 de maio. Vendo que os mongóis retornaram e em maior número, a Manchukuoan pediu reforços para seus superiores e eis que o 64º Regimento Japonês veio para ajudar. Eles trouxeram infantaria e tanques leves.

Cavalaria de Patrulha do 64º Regimento Japonês durante a Batalha de Khalkhin-Gol 

    De início, as tropas imperiais japonesas conseguiram repelir os soviéticos e os mongóis, porém, no dia 28 de maio, os soviéticos trouxeram mais reforços e conseguiram destruir o 64º Regimento Japonês.

    Em junho, os japoneses e soviéticos continuaram se enfrentando enquanto traziam cada vez mais soldados para o Front. Em julho, os japoneses fizeram um grande ataque noturno, empregando 75 tanques. Apesar dos imprevistos, foram capazes de forçar a retirada dos soviéticos para o outro lado do rio Khalkhin, que voltaram com 186 tanques e outros 233 veículos blindados, tomando o território para eles novamente no dia 3 de junho. Os impotentes tanques japoneses, com suas blindagens e números inferiores, não tiveram chance contra a máquina de guerra soviética.

Soldados Mongóis em posição de ataque disparam com uma Metralhadora Leve Degtyaryov Pekhotny 27 (DP-27)

    No dia 23 de julho, os japoneses, com muita perseverança, lançaram novo ataque, fazendo uso de mais tanques, aviões e artilharia. Não demorou muito para que se dessem conta de que da inferioridade demasiada que se encontraram. A artilharia japonesa não conseguiu bater de frente com a artilharia soviética, sendo impossível de destruir-la, os tanques Chi-Ha, Ha-Go e I-Go não tinham blindagem o suficiente para aguentar disparos dos canhões de 45mm dos tanques T-26, BT-7 e BA-10 soviéticos. Os aviões japoneses conseguiam ganhar dos soviéticos, porém não conseguiam estabelecer apoio aéreo à infantaria. E enfim a infantaria, que morria antes mesmo de alcançar os soviéticos. Nesse ataque, mais de 5 mil soldados japoneses morreram antes de desistir do ataque.

Soldados Soviéticos avançam com a escolta de um Tanque BT-7
    
    Os japoneses tiveram que recuar e montar defesas, pois sabiam que os soviéticos logo os atacariam. Georgi Zhukov, o general soviético incumbido da missão de derrotar as forças japonesas fez um ataque um tanto quanto diferente e conseguiu quebrar os japoneses. No dia 20 de agosto mandou 57 mil homens fazerem um ataque frontal contra 37 mil defensores japoneses. Enquanto a infantaria atacava, 577 caças voavam por cima dos japoneses sem disparar nenhum projetíl, eles estavam ali apenas para fazer barulho, suficiente para camuflar o ronco dos motores de quase 500 tanques soviéticos que os flanqueavam pelo sul, enquanto outra parte da infantaria flanqueava pelo norte. No final do dia os japoneses estavam totalmente cercados, mas seguindo a Honra Militar Nipônica, recusaram a qualquer meio de rendição. Em 31 de agosto os japoneses recuam e Zhukov considera sua missão cumprida.

O Coronel-General Grigori Shtern, o Lider da República Popular da Mongólia e Marechal das Forças Armadas Mongóis Khorloogiin Choibalsan e o General Georgi Zhukov conversam após a vitória soviética frente as tropas japonesas

    O General Michitaru Matsubara planejava mais um contra-ataque, ate que no dia 16 de setembro recebera a informação de que Tóquio e Moscou tinham chegado a um acordo e a batalha estava encerrada, os japoneses haviam pedido paz. Além da derrota, Hitler tinha firmado o pacto de não agressão com Stalin, em 23 de agosto, e o Japão era um aliado da Alemanha Nazista. O governo Japonês considerou o pacto uma traição, mas os planos de atacar os soviéticos não eram mais uma opção viável.

    Em Khalkhin-Gol, a Força Soviética empregou uma força brutal que variava de 61 mil a 73 mil soldados, 550 tanques, 450  dos mais variados veículos blindados e mais de 900 aeronaves. Os japoneses fizeram frente aos Vermelhos com uma força de aproximadamente 20 a 38 mil soldados, 73 tanques, 64 tankettes e mais de 400 aeronaves. As baixas soviéticas ficaram em quase 30 mil baixas, 208 aeronaves, 235 tanques e outros 133 veículos blindados destruídos. Os japoneses, por sua vez, tiveram de 17 a 22 mil baixas, além de terem perdido 162 aeronaves, 42 tanques e vários tankettes.

    A Batalha de Khalkin-Gol foi uma das batalhas mais decisivas da Segunda Grande Guerra, pois, caso os soviéticos tivessem perdido em 1941, iriam ter duas frentes de batalha, e por mais que aguentassem os ataques dos japoneses, pereceriam contra os alemães. Quando Hitler atacou em 1941, Stalin fez com que um de seus espiões descobrisse se os japoneses planejavam um ataque, mas por causa de Khalkhin-Gol, estes haviam desistido de fazer frente a URSS novamente e tinham voltado seus olhos para os Estados Unidos. Stalin pôde, assim, trazer com que as tropas do leste da Rússia viessem ajudar na defesa de Moscou, Stalingrado e Leningrado. Sem esses reforços o rumo da guerra teria sido diferente.


Fontes:  Drea, Edward: Nomonhan: Japanese-Soviet Tactical Combat, 1939. Leavenworth Papers study for the Combat Studies Institute of the U.S. Army.
                  Drea, Edward J. (1998). "Tradition and Circumstances: The Imperial Japanese Army's Tactical Response to Khalkhin-Gol, 1939". In the Service of the Emperor: Essays on the Imperial Japanese Army. Nebraska: University of Nebraska Press.


Postado por Mateus Bassi




terça-feira, 11 de outubro de 2016

A Batalha por Caen

    A cidade de Caen, apesar de encontrar-se em ruínas, era de fundamental importância para os Aliados sendo um ponto estratégico devido ao seu porto, onde suprimentos poderiam chegar para reforçar o estoque ínfimo que os soldados tinham a sua disposição naquele momento.

Soldados canadenses durante a Batalha de Caen

    Após o desembarque aliado durante o Dia-D, o progresso em território francês foi árduo devido à resistência alemã. O General Montgomey, comandante do Exército Britânico durante a Operação Overlord, acreditava que Caen seria tomada já no primeiro dia de invasão, o que se provou ser muito diferente do imaginado. A primeira investida britânica sobre Caen se deu entre os dias de 8 e 19 de junho, no qual a 50ª Divisão de Infantaria inglesa veio a enfrentar a Divisão Panzer Lehr, que mesmo perdendo mais de 5 mil soldados, acabou por conter o avanço aliado. A segunda e terceira investidas foram igualmente malsucedida s na caminhada para tomar a cidade, tendo conseguido apenas a vantagem de impedir um contra ataque alemão na região do Rio Odon, onde ocorreram a maior parte dos combates. Após um longo bombardeio do dia 18 de junho, que terminou de arruinar a cidade e culminar em centenas de mortes de civis franceses e por desabrigar mais de 35 mil, os alemães se retiraram, tendo então os aliados ocupado a cidade.

Soldado da Royal Welsh Fusiliers limpando o seu rifle Lee-enfield No.1 MK.III e fazendo as preparações finais para proteger sua trincheira, no ataque em Evrecy, sudoeste de Caen, França. 1944.

    Esse evento fora denominado Operação Goodwood, onde as três divisões blindadas inglesas, além de divisões de infantaria inglesas e canadenses lutaram furiosamente contra a 21ª Divisão Panzer. No dia 20, após mais de 5,5 mil baixas aliadas que Caen veio a cair.
Um blindado Sherman das forças armadas canadenses nas ruas da recém tomada cidade francesa de Caen, após os desembarques na Normandia em junho de 1944.


Postado por Diego Saviatto

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Operação Market Garden

    No Verão de 1944, as forças Aliadas conquistaram uma grande vitória sobre a Wehrmacht na Normandia, entre os meses de junho, julho e agosto de 1944 a Alemanha tinha perdido no Ocidente uns 400.000 soldados entre mortos, feridos e prisioneiros, praticamente o material de dois exércitos alemães foram destruídos ou capturados.
   No início de setembro de 1944 os Aliados Ocidentais em virtude das perdas alemães, deslumbraram uma chance de terminar a guerra ainda em 1944, com os russos avançando pelos Balcãs e pela Polônia, o Alto Comando Aliado acreditavam que a Alemanha estava à beira da exaustão e do colapso.


Aviões pertencentes a Força Aérea dos Estados Unidos, prestes a lançar tropas paraquedistas sobre os campos da Holanda, em setembro de 1944

    O Comandante do 21°Grupo de Exército o Marechal Bernard Montgomery elaborou um plano para flanquear a Linha Siegfried atravessando o Reno pela a Holanda e com isso invadir a Alemanha pelo norte. O comandante britânico acreditava que se a operação fosse bem sucedida a guerra terminaria antes do Natal.
    O plano de Montgomery era bem audacioso e visava a conquista de importantes pontes em Eindoven, Nijmegen e Arnhem, o Corpo Aerotransportado Aliado formados pelas 82° e 101° aerotransportada americana, a 1°Divisão aerotransportada britânica e uma brigada pára-quedista polonesa. O apoio terrestre seria dado pelo afamado XXX° Corpo Britânico do General Sir Brian Horrocks que romperia as linhas alemãs no Canal Alberto em direção do Reno em Arnhem. Essa operação aerotransportada seria ainda maior do que a do Dia D, com 30.000 homens aerotransportados.
    As forças alemãs em setembro de 1944 estavam em franca retirada para as fronteiras da pátria, o General Walter Model que assumiu o comando no Ocidente tentava dar ordem ao caos que se tinha instalado nas fileiras alemãs.
Devido às dificuldades de abastecimento e a definição de um eixo de ataque, as forças Aliadas diminuíram o ritmo do avanço, a maioria dos portos da Mancha ainda estavam ocupadas pelos alemães e o abastecimento ainda provinha dos portos artificiais da Normandia. 
    Com a diminuição do avanço Aliado, aconteceu o “milagre” das forças alemãs no Ocidente, que com grande determinação, habilidade militar e organização conseguiram criar uma tênue linha de defesa ao norte da Belgica, nas Ardenas e no Mosa. O General Kurt Student no comando do 1° Exército Pára-quedista improvisou uma linha de defesa no Canal Alberto com os restos das unidades que se retiravam da França, encorpadas com unidades pára-quedistas recém enviadas da Alemanha.


Soldados alemães pertencentes a 9ª Divisão Panzer SS Hohenstaufen, vasculham a cidade de Arnhem, em busca de "Airbournes", juntamente com um blindado StuG III pertencente ao Sturmgeschützbrigade 280

    Na Holanda o General Model ordenou a reorganização das unidades das Waffen-SS entre as quais o 2° Corpo Panzer-SS na região de Arnhem. A simples presença dessas duas aguerridas unidades panzers no principal objetivo Aliado decidiu a batalha a favor dos alemães.
    A 10°Divisão Panzer-SS e a 9° Divisão Panzer-SS praticamente destruiu a 1°Divisão Aerotransportada e a Brigada Polonesa. Quando o primeiro panzer atravessou à ponte de Arnhem a sorte dos britânicos e poloneses foram seladas.
    A Luta foi dura e encarniçada. A batalha acontecera entre os dias 17 e 25 de setembro de 1944, onde os Aliados perderam mais de 17.000 homens, mais do que no Dia D. O sonho de acabar com a Guerra em 1944 terminou naquilo que os autores aliados chamam de “Uma Ponte Longe Demais”

Postado por Alex Távora


terça-feira, 2 de agosto de 2016

O Ás da Aviação Alemã Erich Hartmann

    Erich Alfred "Bubi" Hartmann, conhecido como "O Ás dos Ases" da Segunda Grande Guerra. Nascido em Weissach, Estado de Württemberg, Alemanha, em 19 de abril de 1922. Depois de tentar seguir a vocação do seu pai, ingressando em uma faculdade de medicina, Erich abandonou os estudos, juntando-se à Luftwaffe como um oficial-cadete em outubro de 1940. Ele passaria por um intensivo treinamento de quase dois anos, frequentando a Escola de Combate Aéreo, (Luftkriegsschule II); a Escola Preparatória de Pilotos de Caça, (Jagdflieger-Vorschule II) e a Academia de Pilotos de Caça (Jagdfliegerschule II). Finalmente, depois de passar pela Ergänzungsgruppe Öst (julho a outubro de 1942), o então Leutnant Hartmann foi designado para a sua primeira unidade no front, a 7º Staffel da Jagdgeschwader 52, conseguindo o maior número de vitórias entre todos os pilotos.
Hartmann quando criança

    Possui em seu currículo 352 vitórias confirmadas, sendo 345 delas contra aviões soviéticos e 7 americanos num total de 1.400 sortidas, todas a bordo de um Messerschmitt Bf 109G, durante os quais participou de 825 combates aéreos contra aviões inimigos sendo abatido 18 vezes. Por seus êxitos ele foi pessoalmente condecorado por Adolf Hitler com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes.

Erich Hartmann saindo de seu BF 109G

    Em maio de 1945 ele se entregou à força aérea americana, sendo em seguida transferido para a União Soviética, onde passou dez anos num campo de prisioneiros. Embora tenha sido convidado várias vezes a atuar como colaborador comunista, Hartmann sempre negou toda e qualquer oferta para trair seus companheiros - o que atraía um ódio ainda maior dos soviéticos. Como resultado, um "julgamento" forjado pelos russos lhe valeram a acusação de crimes de guerra e a condenação a 25 anos de trabalhos forçados. Finalmente, após uma visita do chanceler alemão Konrad Adenauer à URSS, os soviéticos concordaram em devolver os prisioneiros remanescentes que ainda estavam em seus campos. Ao retornar à Alemanha (Ocidental) em 1955, ele voltou a servir novamente na recém formada Luftwaffe.

Erich Hartmann como piloto da Bundeswehr

    Hartmann faleceu de causas naturais em 19 de setembro de 1993, aos 71 anos de idade, em Weil im Schönbuch, na Alemanha.

Postado por Diego Saviatto

Segunda Grande Guerra


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Deutsches Afrikakorps

Fevereiro de 1941 - A Alemanha intervém no Norte da África.

    A Operação Compasso iniciada em dezembro de 1940, obteve um estrondoso sucesso, o Exército Italiano no Egito e na Cirenaica fora destruído, 130.000 soldados italianos foram capturados juntamente com mais de 1000 canhões e 400 blindados. Em janeiro de 1940 os importantes portos e cidades de Bardia, Tobruk, Derna e Benghazi caíram nas mãos dos britânicos, as forças italianas que poderiam serem enviadas para a África foram socorrer o Exército Italiano na Grécia.


    Um estudo do Alto Comando Alemão tinha informado a Hitler da impossibilidade de se enviar tropas por causa das dificuldades logísticas e também da pequena importância estratégica do Norte da África para Alemanha. Hitler sabia que seu aliado italiano estava combatendo em quatro frentes: Grécia, Líbia, África Oriental e Etiópia, as perdas nessas campanhas poderiam destruir politicamente seu aliado Mussolini e então contrariando seu Alto Comando, decidiu enviar um Corpo aéreo para a Sicília e um Corpo Blindado para o Norte da África.
    As intenções alemães eram de tentar sustentar a posição italiana na Líbia com uma divisão Ligeira com apenas um regimento panzer e mais tarde com o envio da 15° Divisão Panzer apoiar um contra ataque italiano visando expulsar os ingleses da Cirenaica. O Alto Comando Alemão ao enviar uma reduzida força blindada a África mostrava que esse apoio tinha um mais interesse político do que estratégico.


    Hitler e o Alto Comando decidiram nomear um general que tinha se destacado na Campanha da França no comando de uma Divisão Panzer, esse general se chamava Erwin Rommel, um herói da Primeira Guerra Mundial condecorado com a mais alta distinção do Império Alemão a “Pour Le Merité”. O Alto Comando ao escolher Rommel, não imaginava que esse general iria “pertubar” toda a estratégia alemã na região e que esse general e a sua reduzida força teriam para sempre um destaque na História Militar e do Ocidente.


    Durante muitos anos os historiadores acreditavam que o Afrika Korps fora uma tropa treinada para a guerra no deserto, na verdade o 5 Regimento Panzer foi retirado da 3 Divisão Panzer que saindo de uma temperatura negativa em sua terra natal, se viram em fevereiro de 1941 no escaldante deserto norte africano para fazer guerra e criar uma “legenda”, até nos dias de hoje os que lutam nesse Teatro de Operações estudam as táticas e as operações desses formidáveis soldados e de seu lendário comandante.


    O serviço secreto inglês tinha informado ao Alto Comando Britânico o envio dessa divisão alemã para a Líbia, em 14 de fevereiro apenas um batalhão antitanque e um de reconhecimento alemão tinham chegado a Trípoli, as forças italianas tinham perdido todo o seu material pesado e blindado, era só Londres ter liberado a 7 Divisão Blindada e as Divisões Australianas e Neozelandesas avançar para Trípoli e o mal teria sido cortado pela raiz, mas Churchill rivalizou nessa com Hitler e cometeu um dos maiores erros estratégicos da Segunda Guerra Mundial.


Postado por Alex Távora

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Hans-Joachim Marseille

    Nasceu em Berlim, Charlottenburg, Alemanha, em 13 de dezembro de 1919, no seio de uma família de militares de ascendência francesa. Marseille, era bem afeiçoado, boêmio e mulherengo. Primando pela elegância e irreverência, tornava-se o favorito das garotas e em muitas ocasiões chegava a faltar aos compromissos militares por ter "amanhecido em claro". Sua carreira foi meteórica, entrou para a Luftwaffe aos dezoito anos e meio e aos vinte e dois já estava morto, deixando em seu currículo uma série de façanhas inigualáveis. Tendo participado de mais de 388 missões de combate, obteve um total de 158 vitórias confirmadas (das quais 154 delas foram contra caças), sendo 151 conquistadas no período de apenas 18 meses em que esteve no deserto, lutando contra os pilotos da DAF. Nenhum outro piloto conseguiu tantas vitórias na frente ocidental quanto Marseille. No total foram 101 Curtiss P-40, 30 Hawker Hurricane, 16 Supermarine Spitfire e 4 bombardeiros bimotores, a grande maioria delas diante dos bem treinados e equipados pilotos da RAF. Marseille ocupa a 27ª posição no "ranking" germânico de vitórias aéreas. No entanto, com o mais elevado respeito a que fazem jus os ases alemães que o precedem, ele os excedeu a todos por ter alcançado o maior número de vitórias contra aeronaves britânicas do que qualquer outro piloto de caça.


    A habilidade de Marseille não tem paralelo na história da aviação militar. A simbiose homem-máquina transformava seu Messerschmitt Bf 109 em um ser único que parecia ter vida própria. Ele se movia com uma graça e precisão que impedia qualquer tipo de fuga por parte dos adversários, ou ao menos que pudessem enfrenta-lo em condições de igualdade. Sua velocidade e movimentos, que algumas vezes atingiam acelerações de 3 ou 4 vezes a da gravidade, subitamente eram reduzidos aos limites de sustentação do avião, utilizando ailerons para manter o aparelho na posição precisa, para em seguida, com um ligeiro movimento no manete e acelerador, apontar o nariz do avião para o ponto exato que ele determinava.

    Começando de um ponto a alguns milhares de pés acima do círculo, e afastado lateralmente cerca de uma milha, Marseille mergulhava por baixo da formação e atacava por alí. Escolhia uma vítima que não o havia visto, alinhava seu avião e descarregava uma curta e mortal rajada de metralhadoras e canhões, normalmente atingindo o motor, o cockpit e quase sempre matando o piloto. Após o ataque, ele executava um mergulho, e se afastava em segurança, retornando ao ponto inicial para um novo ataque. Repetindo essa manobra ou suas variantes varias vezes.


    Morte: Na manhã de 30 de setembro de 1942, às 11:35, Marseille avisa que tem fumaça entrando em seu cockpit e começa a dificultar sua visibilidade e respiração. Os demais membros da esquadrilha insistem para que Jochen permaneça em seu avião pelo menos por mais alguns minutos pois ainda estavam sobre o território inimigo. Por volta de 11:39, a fumaça no interior do cockpit esta agora insuportável e Marseille é forçado a abandonar o "14-Amarelo". Sua última transmissão pelo rádio foi: "Eu tenho que sair agora. Não posso suportar mais". Nesse momento já estava sobre o território do Afrika Korps a aproximadamente 3.050 metros de altitude. Marseille então manobra seu Bf 109 a fim de preparar-se para abandona-lo. Mas sofrendo provavelmente de uma desorientação espacial, possivelmente por estar intoxicado pela fumaça, que também obstruía a visão no interior do cockpit, o avião entra num mergulho invertido com ângulo aproximado de 70º a 80º e com velocidade de 205 m/s. Marseille então salta de seu Bf 109 avariado. Lamentavelmente, batendo o lado esquerdo de seu peito na cauda do avião, matando-o instantaneamente ou incapacitando-o de qualquer tentativa de abrir seu pára-quedas. Os demais membros do esquadrão observam horrorizados o corpo de Jochen cair ~9 Km ao sul de Sidi Abdel Rahman, Egito. Um final injusto para o maior ás do Norte da África (talvez de toda a Segunda Grande Guerra) e um presságio ruim do que iria acontecer a Luftwaffe e consequentemente a todo III Reich. No local do acidente (30°53'26.76"N 28°41'42.89"E), encontra-se hoje um pequeno monumento em forma de pirâmide construído em sua homenagem, na lápide, em alemão, italiano e árabe está escrito: "Aqui jaz o Cap. Hans-Joachim Marseille. Tombou INVICTO, em 30 de setembro de 1942.".


Fontes: Kurowski, Franz (1994). German Fighter Ace: Hans-Joachim Marseille: Star of Africa. Atglen, Pennsylvania: Schiffer Military History;
Wübbe, Walter (2001). Hauptmann Hans Joachim Marseille— Ein Jagdfliegerschicksal in Daten, Bildern und Dokumenten.



Postado por: João Arthur Briara


Batalha das Ardenas

    No Outono de 1944 a situação da Alemanha era desesperadora, entre os meses de junho a novembro a Wehrmacht havia sofrido mais de 1.100.000 baixas no Oeste e no Leste, somente durante a Operação Bragation. Em junho e julho de 1944 o equivalente a 30 divisões alemães foram destruídas, na França as perdas alemães chegam a mais de 400.000 baixas. Em setembro de 1944 os Aliados acreditavam que poderiam vencer a guerra antes de 1945, os russos em agosto tomaram os campos de petróleo de Ploiest e em setembro avançavam pelos Bálcãs e pela a Hungria. Em outubro após uma luta sangrenta na Holanda os Aliados chegam a fronteira alemã e tomam após um terrível combate de casa em casa a cidade de Aachem. Em novembro de 1944 acontece um verdadeiro milagre na Frente Ocidental com o restabelecimento das forças alemães diante as fronteiras de sua pátria, o avanço aliado que parecia tão promissor começa a encontrar dificuldades devido a problemas de abastecimento e ao endurecimento da resistência alemã.


    Em setembro de 1944 devidos as terríveis perdas, a Alemanha mobiliza todo o restante de seu potencial humano, todos os homens de 16 a 60 anos são engajados na Wehrmacht, homens que haviam sido dispensados por motivo de ferimentos são reconvocados, homens são retirados da indústria e os estudantes também são recrutados.

    Essa total mobilização do potencial humano permite a Wehrmacht repor parte dos claros, a qualidade do material humano não é bom, mas esses novos “recrutas” são enquadrados por veteranos de inúmeros combates e o material fornecido pela indústria bélica alemã é excelente. Esse esforço final permite a Alemanha deter os Aliados e os russos diante as suas fronteiras e a alta produtividade de sua indústria, apesar dos pesados bombardeiros, permite a criação de uma reserva blindada. Hitler ao recompor suas forças decide em outubro de 1944 em lançar uma contra ofensiva no Oeste para retomar a iniciativa, a contra ofensiva é marcada para a segunda quinzena de novembro, mais as dificuldades em obter combustíveis e munições adiam a ofensiva para 16 de dezembro de 1944.

    O contra ataque alemão nas Ardenas foi um ataque magistral devido ao fato dos Aliados não acreditarem na possibilidade da Alemanha retomar a iniciativa, pela primeira vez em muitos meses os serviços de inteligência dos Aliados não identificam o ataque. A ofensiva alemã se dá como em 1940 numa região montanhosa e arborizada, e inicialmente é um sucesso, mas estrategicamente foi um desastre para a Alemanha.
    No Outono de 1944 a parte mais substancial da economia alemã está no Leste, a Região da Silécia e da Boêmia são as principais produtoras de armamentos do Reich, a Região do Ruhr, devido aos intensos bombardeiros aliados, perdeu grande parte do seu valor econômico, é no Leste que está as únicas regiões industriais relativamente intactas.
    O general Heinz Guderian, chefe do Estado-Maior, tenta explicar a Hitler a importância de uma forte reserva Panzer para se contrapor a Ofensiva Russa de inverno, mas Hitler acredita que pode destruir a aliança ocidental e com isso facilita o avanço russo pela Alemanha em 1945. Muitos historiadores acreditam que a Batalha das Ardenas adiou em alguns meses o fim da guerra.



    Como fora dito anteriormente, as forças do III Reich e seu esforço de guerra já estavam em frangalhos, principalmente depois da derrocada perpetrada pelos soviéticos em Stalingrado. Com a perda de mais de 700 mil homens e a avalanche vermelha fazendo todo o Front Leste desmoronar, Hitler se viu obrigado a fazer uma aposta muito maior do que se poderia imaginar. Os planos vindos do OKW eram de isolar as tropas inimigas do Oeste situadas na Bélgica, cortando as ligações entre norte-americanos e britânicos, atacando-os em separado e aniquilando as possibilidades de resposta, seguido de uma manobra de ataque maciço semelhante a Blitzkrieg, usada de forma impar no começo da guerra. Há quem diga que isso fora uma forma de vingar a falha negociação de paz proposta pela alta cúpula nazista, que em muito já percebera o colapso que estava por vir.
    As tropas anglo-americanas esperavam o já atrasado recebimento de mantimentos para o inverno que começara a se fortalecer, estacionados quase nas portas de Hitler. Superestimados com a iminente vitória final e vítimas de todo o cuidado tomado pelos alemães em planejar o seu avanço, os Aliados foram pegos em total despreparo e surpresa. O OKW conseguira mobilizar um contingente demasiado grande para a real situação do país. Quase 400 mil homens, pertencentes ao 6° Exército, comandado por Sepp Dietrich (foram anexada a esta divisão a fragmentada 12ª Divisão Panzer da SS Hitlerjugend, comandada pelo SS-Brigadeführer Hugo Kraas), a 1ª Divisão SS Leibstandarte SS Adolf Hitler de Wilhelm Mohnke, o 5º Exército Panzer, sob o comando de Hasso von Manteuffel, o 15º Exército, sob comando de Gustav-Adolf von Zangen, assim como o 7º Exército de Erich Brandenberger estavam prontos para a operação. Equipados com os melhores armamentos disponíveis na reserva do Reich, como blindados pesados, peças de artilharia e a mais recente novidade, os fuzis de assalto STG-44. A enfraquecida Luftwaffe ficara responsável por estabelecer a superioridade aérea, que evitaria que as tropas panzer fossem aniquiladas logo de começo.


    Eis que em 16 de dezembro de 1944, fogo desceu dos céus sobre a cabeça dos Aliados. Depois de um intenso ataque com a artilharia, as forças aliadas se viram de cara com a 1ª Divisão SS Leibstandarte SS Adolf Hitler e o 6° Exército da Wehrmacht, encabeçado pelas forças do Kampfgruppe do Standartenführer Joachim Peiper, ao norte. Após as incansáveis tentativas de penetrar as linhas aliadas, Dietrich fora obrigado a usar a infantaria do 9º Regimento de Fallschirmjäger, que seria de fundamental importância para as vitórias conquistadas posteriormente. Depois de intensas e incessantes lutas, os alemães haviam conseguido expulsar os norte-americanos do norte belga, exceto por Elsenborn Ridge.


    No leste, o 6° Exército entrou em Honsfield, fazendo prisioneiros e conseguindo uma boa quantidade de combustível para o esforço de guerra necessário para aquela Batalha. Os alemães foram detidos mais a frente, nas vilas de vilas de La Gleize e Cheneauxe. Em 19 de dezembro, o Standartenführer Joachim Peiper tomou a cidade de Stoumont, em uma intensa batalha de blindados, porém, as forças alemãs vieram a perder a cidade de Stavelot. As tentativas de retomada da cidade foram frustradas pelos reforços aliados, que começavam a chegar. Tudo ia bem para os alemãs, enquanto o clima estava ruim e as incursões da Força Aérea dos EUA continuavam sendo frustradas. A partir do momento que o tempo se tornou ameno, mantimentos e reforços começaram a preencher as fileiras aliadas e a batalha começara a mudar de rumo. A Luftwaffe não conseguira enviar suprimentos aos soldados em combate, muito menos infringir baixas significativas aos caças norte-americanos, que massacraram as linhas blindadas alemãs. Isso fez com que a manutenção do combate se tornasse praticamente impossível.


    A cidade de Bastogne, com seus 4.000 habitantes, fora considerada pelo 5° Exército Panzer como de fundamental importância devido sua posição estratégica. A defesa de Bastogne fora confiada a 28° divisão de infantaria americana, veterana da Normandia e dos sangrentos combates pela floresta de Hürtgen. Essa divisão fora deslocada para as Ardenas para fins de descanso e recompletamento.
    Desde a ofensiva alemã, em 16 de dezembro, a 28° divisão esteve engajada em diversos combates contra o 5° Exército Panzer. A tomada da cidade ficou a cargo do 47° Corpo Panzer, sob o comando do general Heinrich Freiherr von Lüttwitz um veterano da arma Panzer. A  Divisão Panzer Lehr, a 2° Divisão Panzer e a 26° Divisão Volksgrenadier também compunham o Corpo Panzer.
    Antes mesmo da ofensiva, o general Von Lüttwitz afirmou que “Bastogne precisa ser tomada, do contrário, será um abcesso em nossas linhas de comunicação”, o Alto Comando Aliado também observou a importância da cidade e enviou reforços para defendê-la.

    Bastogne poderia ter sido tomada com certa facilidade pela vanguarda da Divisão Panzer Lehr se o comandante da divisão Fritz Bayerlein não tivesse tomado um caminho errado. No dia 20 de dezembro, Bayerlein atacou a cidade, mas a mesma já tinha recebido importantes reforços.
    O Comandante em Chefe Aliado, o General Eisenhower enviou para as Ardenas duas divisões aerotransportadas que estavam na reserva do Grupo de Exército Aliado. Numa operação que duraria 72 horas, os paraquedistas da 101° Divisão aerotransportada em 24 horas chegaram a Bastogne, na madrugada do dia 19 de dezembro, junto com o 705° batalhão anti-tanque.


    O comandante da 101° Pddt, o general Anthony Mcauliffe, assumiu o comando de todas as unidades na cidade incluindo uma unidade de carros de combate da 10° Divisão Blindada.
    No dia 21 de dezembro o General Von Lüttwitz ordenou que as unidades da 2° Divisão Panzer contornasse a cidade em direção ao rio Mosa, a tomada da cidade seria confiada a unidades da divisão Panzer Lehr e da 26° divisão Volksgrenaider, atacando pelo norte e pelo sul o 47° Corpo Panzer cercou a cidade.
    O cerco da cidade não constituiu um sério risco para a moral dos americanos, devido as tropas de paraquedistas já estarem acostumadas a combater atrás das linhas inimigas. Durante o dia 22 de dezembro a 26 Volksgrenaider apoiada por unidades da Panzer Lehr atacaram o perímetro da Cidade; Tentando resolver o impasse o General Lüttwitz enviou um ultimato ao General Mcauliffe que respondeu de uma forma chula “NUTS” que numa tradução livre significa “vá se F...”., expressão esta que se tornou uma lenda entre os americanos.


    Apesar de cercados, os americanos estavam longe de estarem desesperados, a unidade alemã encarregada da tomada da cidade era a 26° Divisão Volkgrenaider formada por homens convocados pela última leva da mobilização alemã. Com pouco equipamento pesado e pouca munição, não devemos confundir essas unidades com os "Volkssturm" que eram civis recrutados já mais para o final da guerra. Com a melhora do tempo, a Força Aérea Americana lançou suprimentos para os defensores e atacou as pontas de lanças alemães.
    No dia 26 de Dezembro, após duros combates, unidades blindadas do Terceiro Exército Americano do General Patton romperam o cerco alemão e socorreram os defensores. A luta em Bastogne não terminou com a chegada do Terceiro Exército, muitos combates continuaram a ocorrer em torno da cidade, mas a chegada de Patton e erros do comando alemão levaram a Contraofensiva alemã ao fracasso.


Postado por: Diego Saviatto e Alex Tavora



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Operação Compasso - Dezembro de 1940


    Em setembro de 1940 uma força de 80.000 homens pobremente equipados e motorizados sob o comando do Marechal Rodolfo Graziani avançou da Líbia para o Egito, em outubro devido as condições materiais e de logística essa força se deteve a 100km do ponto de partida em Sidi El Barrani. O Alto Comando Italiano protestou a decisão de Graziani de tomar uma atitude defensiva em Sidi El Barrani , mas o marechal italiano justificou que a falta de transportes, munições e material levaria os italianos ao desastre e afirmou que só retornaria a ofensiva assim que recebesse reforços em blindados e veículos motorizados.



    A Grã-Bretanha em setembro de 1940 estava travando uma batalha contra a Luftwaffe e a ameaça de uma invasão alemã ainda pairava no ambiente, mas Churchill sabia da importância do Mediterrâneo para a manutenção da Inglaterra na guerra.
    Nos meses de agosto, setembro e outubro foram enviados importantes reforços para Malta, o Egito e a África Oriental; aviões, blindados, veículos motorizados e artilharia foram enviados o que mostra que os britânicos não estavam tão temerosos assim de uma invasão alemã.
Um total de 154 carros de combate Matilda II e Cruzaider possibilitaram complementar a 7° Divisão Blindada, a 4° Divisão Indiana recebeu importantes reforços em veículos e em artilharia.
O Comandante britânico no Oriente Médio o general Archibald Wavell junto com o comandante das forças britânicas no Egito o general Maitland Wilson elaboraram um plano para expulsar os italianos do Egito.
    As tropas britânicas totalizavam um total de apenas 30.000 homens, mas todos eram bem treinados e bem equipados para a guerra no deserto, os blindados ingleses eram infinitamente superiores aos blindados italianos e a artilharia britânica apesar de pouco numerosa era também superior a artilharia italiana, o comandante britânico o general Richard O`Connor que liderou o ataque era um especialista na luta no deserto.
    Os italianos construíram diversos campos fortificados em torno e ao sul de Sidi Barrani, mas esse dispositivo seria um desastre pela carência em blindados, as forças italianas estavam enquadradas no 10° Exército sob o comando do general Mario Berti. Um total de cinco divisões italianas defendiam esses “campos” a 1° e 2° Divisões líbias a 4° Divisão de Camisas Negras, as 63° e 64° divisões de infantaria e o grupo “Maletti”.


    A ofensiva britânica teve início em 08 dezembro de 1940 e foi precedida por fortes ataques da RAF e da artilharia inglesa, os blindados ingleses apoiados pelos indianos atacaram os campos fortificados italianos que desmoronaram, somente em Nibeiwa defendida pelo grupo “Maletti” os italianos ofereceram uma tenaz resistência, o comandante italiano General Maletti caiu morto por uma rajada de metralhadora de um tanque inglês, em Nibeiwa 800 italianos foram mortos, 1300 feridos e 2000 prisioneiros, os britânicos perderam 50 homens na luta.
    Nos outros campos a vitória inglesa foi mais fácil devido a falta de uma arma italiana que pudesse penetrar os 80mm da blindagem dos Matildas, os tanques italianos M11 foram esmagados e a artilharia italiana que lutou heroicamente também pouco pode fazer devido a qualidade do material.
    A Batalha dos Campos durou 03 dias e foi uma grande vitória britânica, um total de 38.000 soldados italianos e uma grande quantidade de material bélico foi capturado, os britânicos perderam 600 homens entre mortos, feridos e prisioneiros.
    Essa batalha foi a primeira no Deserto a onde o elemento blindado esteve presente em quantidade, e a experiência mostrou que quem fosse mais forte em termos de mobilidade e potencia de fogo dominaria o campo de batalha.

Postado por: Alex Tavora

Picchiatello - Os Stukas Italianos

    Em 06 de janeiro de 1941 há praticamente 75 anos, um forte comboio britânico adentrava no Mar Mediterrâneo com objetivo de reforçar as tropas britânicas em Malta e em Creta, 01 navio-aeródromo, 02 encouraçados, 03 cruzadores e 07 destroieres escoltavam um comboio de 06 navios mercantes, era a Operação Excess.




    O Navio-aeródromo Illustrious, no dia 10 de janeiro, sofre o primeiro ataque da Luftwaffe no Mediterrâneo, atingido por 06 bombas dos Stukas e busca refúgio em Malta. Apesar dessa perda, o comboio britânico mantém o seu curso e no dia 11 de janeiro de 1941 o radar capta uma formação inimiga, os vigias observam que se tratam de bombardeiros de mergulho Stukas. O que os ingleses ignoram é que se trata da 236° Squadriglia do 96° Gruppo Autonomo Bombardamento a Tuffo sob o comando do Capitão Fernando Malvezi.
    Doze Stukas “Picchiatello” atacam as belonaves britânicas e duas bombas de 500Kg atingem o Cruzador Southampton, que devido aos incêndios é afundado por um torpedo britânico. A aeronaval italiana que nos últimos meses de 1940 já tinha danificado 03 cruzadores britânicos, conquistava mais essa vitória sobre a Marinha Real. Os italianos impressionados com o desempenho dos Stukas na Guerra Civil Espanhola decidiram adquirir um lote de 52 Stukas que foram entregues no início de 1940.


    Em agosto de 1940 foi formado sob o comando do Capitão Ercolani o 96° Gruppo de Bombardamento in Picchiata e em setembro o Grupo já realizava ataques contra Malta e comboios britânicos. Em outubro o Gruppo foi transferido para Lecce para participar da Invasão da Grécia. Um total de 200 Stukas foram adquiridos pelos italianos durante a guerra, os Aliados durante muito tempo pensaram que havia um modelo fabricados pelos italianos. 


    Os Picchiatellos combateram principalmente contra a Marinha Real no Mediterrâneo e na África do Norte com a mesma bravura e determinação que caracterizou a aeronaval italiana na Segunda Guerra Mundial, com o Stuka os italianos demostraram estar a “altura” dos pilotos da Luftwaffe.

Postado por: Alex Tavora