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sábado, 22 de agosto de 2015

Das Eiserne Kreuz - Do Império Alemão ao Terceiro Reich de Hitler

    A Cruz de Ferro (Eiserne Kreuz) fora instituída pela primeira vez em 1813, durante as Guerras Napoleônicas, quando a Prússia fora invadida e ocupada pelo exército de Napoleão, e esta se aliara aos russos para expulsar os franceses. Para condecorar os bravos militares e fortalecer o moral neste conflito de libertação de seu território, o Kaiser Friedrich Wilhelm III incumbira o arquiteto Karl F. Schinkel para desenhar tal honrosa condecoração. Inspirada no símbolo da igreja cristã adotado pelos lendários Cavaleiros Teutônicos (antiga Ordem Germânica de Cruzadas criada no século XII) tinha o fundo negro e fosco contrastando com as bordas prateadas. Em uma das faces, ao centro, possuía um ramo com três folhas de carvalho, na parte superior da cruz a sigla real “FW” (Friedrich Wilhelm), encimada por uma coroa e na parte inferior a data que fora instituída.



       Foram deferidas três classes (2ª e 1ª classe e Grã-Cruz, possuindo diferenciação para soldados e civis) sendo que primeira e segunda classe eram destinadas aos soldados e oficiais e a Grã-Cruz era entregue apenas aos líderes militares e alta nobreza. No total foram entregues 16.131 cruzes de 2ª classe, 668 de 1ª classe, 5 Grã-cruzes e uma nova instituição, a Grã-Cruz com Estrela Dourada, uma condecoração única entregue ao Marechal de Campo Gebhard von Leberecht Blücher depois da Batalha de Waterloo, em 1815. Com o fim das hostilidades naquele ano a condecoração não fora mais deferida.

1. Cruz de Ferro II Classe de 1813;
2. Cruz de Ferro I Classe de 1813; 3. Grã-Cruz da Cruz de Ferro de 1813; 4. Blücherstern (honraria dada ao Marechal de Campo Gebhard von Leberecht Blücher); 5. Kaiser Friedrich Wilhelm III da Prússia.

      A Cruz de Ferro voltaria à cena na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) através de um decreto imperial do Kaiser Wilhelm I. Nesta ocasião ressurgiu com variações semelhantes: três classes (2ª, 1ª e Grã-cruz) e dois subtipos (combatente e não combatente). As Cruzes de Ferro de 1870 possuíam na frente à sigla real “W” (Wilhelm) ao centro, também encimada por uma coroa na parte superior e a data da instituição (nesse caso, 1870) no inferior. Foram entregues 43.242 cruzes de 2ª classe, 1.319 de 1ª classe e 9 Grã- cruzes. Findado os conflitos, tal condecoração voltara a não ser instituída.

6. Cruz de Ferro II Classe de 1870;
7. Cruz de Ferro I Classe de 1870;
8. Grã-Cruz da Cruz de Ferro de 1870;
9. Estrela da Grã-Cruz da Cruz de Ferro, dada ao príncipe herdeiro prussiano, o príncipe Friedrich Karl da Prússia, ao Marechal Conde de Von Moltke, aos Generais Edwin Freiherr von Manteuffel, August Karl von Goeben e August von Werder e ao Kaiser Wilhelm I;
10. Imagem do Kaiser Wilhelm I.

    Eis que em 1914, ao estourar da Primeira Grande Guerra, o Kaiser Wilhelm II reinstituiu a condecoração das Cruzes de Ferro, mudando apenas o ano de sua instituição na parte inferior da cruz. Dessa vez, os números de condecorações entregues foram demasiado gigantescos, dado ao também gigantesco contingente (cerca de 13.400.000 soldados). Foram mais de 5 milhões de Cruzes de Ferro de 2ª Classe , cerca de 218 mil Cruzes de Ferro de 1ª Classe , 5 Grã-cruzes e tal qual em 1815, uma instituição de uma única Grã-Cruz com Estrela Dourada, entregue ao Marechal de Campo Paul von Hindenburg em 1918. Pela terceira vez a Cruz de Ferro deixara de existir, após a derrota alemã na Grande Guerra.

1. Cruz de Ferro II Classe de 1914;
2. Cruz de Ferro I Classe de 1914;
3. Grã-Cruz da Cruz de Ferro de 1914;
4. Hindenburgstern (honraria dada ao Marechal de Campo Paul von Hindenburg);
5 - O então cabo Adolf Hitler portando em seu peito a Cruz de Ferro I Classe.


    Chegamos agora no ponto culminante da matéria. É dado início a Segunda Grande Guerra, em 01 de Setembro de 1939. Nesse mesmo dia, o Führer Adolf Hitler (que ganhara a Cruz de Ferro 2ª Classe e posteriormente 1ª Classe quando fora cabo do Exército Alemão durante a Primeira Grande Guerra) reinstituíra por meio de decreto a Ordem da Cruz de Ferro. Ao fazer, Hitler restabeleceu as três classes que já existiam originalmente (2ª e 1ª Classes e a Grã-Cruz). Porém, fora visto que existia um grande abismo entre a entre a 1ª Classe e a Grã-Cruz. Com isso, estabelecera uma quarta classe, a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. O ditador alemão também excluíra a possibilidade de um não combatente receber tal condecoração. A Cruz de Ferro era entregue a todos pertencentes a organizações militares e paramilitares alemães (Wehrmacht e SS), tal qual a polícia, bombeiros e funcionários do serviço ferroviário. Uma curiosidade era que tal ordem poderia ser dada também a estrangeiros aliados ao Reich alemão e que contribuíram combatendo com bravura em prol da Alemanha. A Cruz de Ferro de 1939 iniciara com quatro classes e chegara ao final da guerra com oito. Malgrado era sempre necessário que o soldado tivesse o grau mais baixo antes de receber a classe subsequente, sendo usadas simultaneamente no uniforme.  

As condecorações eram:

- Cruz de Ferro 2ª e 1ª Classe;
- Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro;
- Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho; Folhas de Carvalho e Espadas; Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes e Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes (estas anexadas a Cruz de Ferro);
- Grã-Cruz da Cruz de Ferro.

      Cerca de 3.000.000 de Cruzes de Ferro 2ª Classe foram entregues entre 1939 e 1945, assim como 450.000 Cruzes de Ferro 1ª Classe, 7.361 Cruzes de Cavaleiro da Cruz de Ferro, 890 Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, 160 Folhas de Carvalho e Espadas da Cruz de Cavaleiro, 27 Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes da Cruz de Cavaleiro, apenas uma Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes da Cruz de Cavaleiro, dada ao Coronel Hans-Ulrich Rudel, assim como apenas uma Grã-Cruz da Cruz de Ferro atribuída ao Reichsmarschall Hermann Göring.

6. Cruz de Ferro II Classe de 1939;
7. Cruz de Ferro I Classe de 1939;
8. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro de 1939;
9. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho de 1939;
10. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho e Espadas;
11. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes;
12. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes.
13. Grã-Cruz da Cruz de Ferro;
14. Estrela da Grã-Cruz de Ferro
15. Oberst (Coronel) da Luftwaffe Hans-Ulrich Rudel;
16. Reichsmarschall e comandante-chefe da Luftwaffe Hermann Göring;
17. Marechal de Campo Erwin Rommel, recebedor da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes.

   Após a capitulação alemã em maio de 1945, todos os símbolos ligados ao Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP) foram banidos, Logo, as Cruzes de Ferro e outras condecorações, já que portavam a suástica, foram proibidas de serem usadas pelos veteranos. Após 1955, com a entrada da Alemanha na OTAN e seu respectivo rearmamento, muitos ases voltaram às fileiras, agora como consultores. Porém, estes não podiam mais usar suas condecorações. Para resolver esse problema, o Governo alemão, em 1957 editou a Lei de Títulos, Ordens e Medalhas de Honra, que previa a manufatura de medalhas, títulos e badges sem a suástica para uso pelos veteranos. Surgira assim a Cruz de Ferro de 1957, sendo de qualidade demasiado inferior, mas mantendo o desenho original, tendo a suástica substituída pelo ramo de três folhas de carvalho existente nas condecorações de 1813, manteve-se a data da instituição de 1939 e as cores da fita em vermelho, branco e preto. Apesar da “desnazificação” das condecorações e das tentativas de restituição de uso, a Cruz de Ferro continua sendo apenas uma memória dos feitos de outrora.

Postado por Diego Saviatto



Fonte: PREVITERA, Stephen Thomas, O Tempo de Ferro : A História da Cruz de Ferro,  Winidore Pubns, Richmond, VA (1999).


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Die Hitlerjugend

    A Juventude Hitlerista fora uma instituição criada pelo NSDAP no fim da década de 1920, com o intuito de trazer os jovens alemães para a política do partido nacional-socialista, que na época estava galgando vagarosamente rumo ao poder da Alemanha. O partido concentrou suas atividades junto aos jovens alemães como público alvo de sua propaganda. Com mensagens que enfatizavam que o Partido era um movimento jovem: dinâmico, resistente, olhando para o futuro e cheio de esperanças. Até 1934, ano que Adolf Hitler substitui Paul von Hindenburg no poder, tornando-se o Führer, o número de inscritos era de apenas 107.956 jovens.  Em 1936, com a imposição do alistamento obrigatório de crianças e jovens de 06 a 18 anos, o número de associados à Juventude Hitlerista já havia chegado à casa dos 5.4 milhões, até que a associação tornou-se compulsória em 1939. Hitler nomeara Baldur von Schirach para comandar todos os assuntos relacionados a Hitlerjugend e aos jovens alemães.

A Hitlerjugend, os futuros soldados do Reich 

    Os jovens que ingressavam a esta sistema escolar e paramilitar passavam por varias fases de aprendizado, sendo estas:
  • Dos 06 aos 10 anos a criança aprendia as lições básicas escolares, com o acréscimo de matérias extracurriculares como as artes, música e história. Neste degrau, a criança era chamada de Pimpf;
  •   A partir dos 10 anos, a criança começava a ter noções de atletismo, acampamento e o seu primeiro contato com o militarismo, sendo chamado de Jungvolk. Era nesse mesmo período que a criança prestava o seguinte juramento: “Diante dessa bandeira de sangue, que representa nosso Führer, juro devotar todas as minhas energias e forças ao salvador da nossa pátria, Adolf Hitler. Estou disposto e pronto a dar a minha vida por ele, com a ajuda de Deus.”;
  • Aos 14 anos os rapazes entravam na Juventude Hitlerista propriamente dita, ficando nela até os 18 anos. A partir dessa idade, o jovem alemão intensificava seus treinamentos atléticos e de campismo e ingressava numa academia militar de tiro, onde aprendia os conceitos básicos do funcionamento e disparo de armas. A partir desta idade, as crianças eram chamados apenas de jung (jovem);
  • Aos 18 anos, o jovem alemão fazia uma série de testes, demonstrando tudo o que aprendera até ali, caso passasse, ele ingressaria a alguma unidade regular do exército.
    Existiam também instituições para as jovens garotas alemãs, que ingressavam aos 10 anos na Jungmädel (jovens donzelas), e aos 14 anos entravam para a Bund Deutscher Mädel (Liga das Moças alemãs). Nessas instituições de ensino aprendiam além das lições normais da escola, noções do cuidado da casa, como serem mães cuidadosas e por vezes também tinham noções de militarismo. Aprendiam também as tradições alemãs, as artes, a música e tudo o que era proveniente da cultura de seu país. Todos os jovens tinham um caderno de registros, onde era anotado seu progresso no aprendizado e lhe era cobrado caso seu desempenho não fosse aceitável.

Fotografia de propaganda mostra jovens garotas da Bund Deutscher Mädel em uma apresentação de uma dança folclórica alemã

    A Juventude Hitlerista estava ativamente presente dentro de divisões da Waffen-SS e Wehrmacht, como a tão conhecida e por vezes temida 12ª Divisão Panzer SS Hitlerjugend, atuante em varias frentes do Teatro da Guerra como a Operação Barbarossa e na defesa das praias da Normandia.
Porém vale destacar a sua maciça atuação de milícia durante a Batalha de Berlim.  Lado a lado com integrantes da Volkssturm, da Wehrwolf e os remanescentes do Exercito regular da Wehrmacht e da Waffen-SS, os jovens garotos e garotas alemães marcharam contra a ofensiva soviética nos últimos dias do III Reich.


   O SS-Obergrenadier Otto Funk, juntamente com outros membros da 12ª Divisão Panzer SS Hitlerjugend na Normandia, França, em 1944

    Armados de rifles, metralhadoras capturadas de soldados mortos e panzerfausts, estes “soldados” infringiram muitas baixas contra a infantaria e contra os blindados soviéticos. Por vezes, estes jovens soldados eram insurgentes e não recuavam, mesmo sob a ordem de um superior e continuavam a lutar. Porém, em outras tantas ocasiões elas realmente não passavam de crianças e no menor sinal ou presença da morte, entravam em desespero e aos prantos corriam para o primeiro buraco que vissem pela frente.
    Outro ponto interessante fora o fato de que, depois da rendição incondicional da Alemanha Nacional-Socialista, os ex-integrantes da Hitlerjugend tal como da Volkssturm ingressaram para a resistência dos Wehrwolf, atuando de forma anônima até os anos iniciais da Guerra-Fria. 

Postado por Diego Saviatto



domingo, 9 de agosto de 2015

Batalha de Halbe

24 de abril de 1945, a Batalha de Halbe.


    O 9º Exército alemão, comandado por Theodor Busse, se encontrava encurralado em um dos bolsões criados durante a batalha de Berlim. Sua única chance para se juntar ao 12º Exército, comandada por Walter Wenck, para então seguirem para o oeste e renderem-se aos americanos era, quebrar as posições ao oeste em direção ao vilarejo de Halbe. O problema é que eles teriam que passar por 3 linhas da 1ª Frente Ucraniana comandada por Ivan Koniev, enquanto eram atacados na retaguarda pela 1ª Frente Bielorussa, comandada por Georgy Zhukov.
    Tudo começou com o início da Batalha de Berlim a 16 de abril de 1945, os soviéticos fizeram 3 linhas de ataque em Berlim. Em 21 de abril eles conseguiram quebrar as defesas berlinenses em dois pedaços e assim começaram a cercar Berlim. O 9º Exército defendia o pico de Seelow quando a 1ª Frente Bielorussa (com a ajuda do 1º Exército Polonês) bateu de frente com 1 milhão de soldados, e 3 mil tanques. Os alemães.... tinham pouco mais de 112 mil soldados e quase 600 tanques. Depois dessa batalha o 9º Exército teve de recuar para o sudeste de Berlim, deixando caminhou livre para as forças de Zhukov.
    O avanço soviético foi muito rápido e o 9º Exercito viu-se ameaçado por duas forças soviéticas que vinham do sul e do leste. As forças que vinham do sul consistiam no 3º e 4º Exercito Guarda de Tanques, que em muito já vinha penetrando os extremos e acabara de penetrar a região onde ficava a retaguarda das tropas alemãs.




    O 9º Exército já tinha perdido muitos tanques, artilharias e soldados em Seelow. Também não conseguiram estabelecer comunicação para pedir suprimentos por via aérea. Com 80 mil soldados, menos de 60 tanques (incluindo 14 tanques KönigTiger da 102.SS-Panzerabteillunge) e escassa artilharia, contra 280 mil soviéticos que dispunham de 280 tanques e um apoio aéreo que consistia em mais ou menos 1500 aviões.
    Ao todo foram 3 tentativas de quebrar as linhas soviéticas. Na primeira tentativa em 25 de abril, o General Busse ordenou seus esquadrões Panzer a penetrar ate Baruth para poderem usar as ruas de Luckenwalde e Jüterborg. O Coronel Von Luck pediu para que fosse aberto um corredor para que o 9º Exército pudesse usar, e não permitia a passagens de civis. Von Luck conseguiu fazer uso da Autobahn Berlim-Dresden, mas ai chegaram os tanques soviéticos IS(Iosif Stalin) e assim começou uma batalha de tanques em Baruth. Von Luck se desespera e manda seus soldados tentarem sair do cerco sozinhos. No dia seguinte a batalha continuou, até que no dia 27 Von Luck é feito prisioneiro. Alguns sobreviventes alemães conseguiram chegar no rio Elba.
    Na segunda tentativa eles conseguem penetrar um pouco, mas com medo de possiveis emboscadas por causa da densa floresta e da fumaça causada por explosões e fogo. Porém essa situação ajudou os grupos de alemães a se esconderem, as árvores destruídas e valas feitas por munição explosiva de tanques também auxiliaram a retirada dos soldados alemães. Na terceira tentativa os alemães conseguem quebrar as defesas da 50ª Divisão de Guardas de Rifles, mas pagam um alto preço quando os soviéticos, no dia 28 e 29, reforçam os flancos e utilizam os Katyushas bem no centro dos alemães. Os soldados do 9° Exército já estavam desesperados, chegando a trocarde roupas com civis para que pudessem fugir. Entre os dia 4 e 7 de maio, os alemães já estavam conseguindo atravessar o Elba para se render aos americanos.


120 mil alemães foram capturados, 30 mil mortos e 
10 civis mortos. Enquanto os soviéticos perderam mais de 20 mil soldados.










Postado por Mateus Bassi


Segunda Grande Guerra

O Antissemitismo Legalizado no Estado Novo



     Antes de abordar os fatos ocorridos durante o regime de Getúlio Vargas, é necessário um pequeno retrospecto quanto à vinda dos judeus ao Brasil. Nos anos finais do século XIX, muitos judeus se viram na necessidade de fugir de seus países de origem devido a um maciço ataque contra minorias étnicas de toda a Europa Oriental, ocorrendo de forma mais expressiva na Rússia Czarista, governada pelo czar Alexandre III.  Sendo denominado Pogrom, esses movimentos de extrema violência consistiam em destruir casas e estabelecimentos comerciais, além da pilhagem e do assassinato de pessoas consideradas inferiores.  O Pogrom russo perdurou para além do período monarquico, tendo espaço no século XX, na já instituida União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, governada por Josef Stalin.
    Com o auxílio de uma rede institucional de ajuda mútua, que compravam terras em países do ocidente a fim de criar assentamentos, milhares de judeus vieram para o continente americano, como na América do Sul, aonde vieram para países como a Argentina e Brasil. Esses imigrantes acabaram por exercer papeis completamente diferentes do que eram exercidos em seu seus países de origem. Na América do Sul, grandes extensões de terra foram compradas, entre o estado do Rio Grande do Sul e a Argentina, aonde os judeus vieram a empregar atividades de agricultura. Vale destacar que nessa época, o governo brasileiro colaborou com a vinda desses imigrantes, situação que começara a mudar já nas primeiras décadas do século XX.
    Após a Primeira Grande Guerra e a Revolução Russa, os judeus advindos da Europa Oriental que emigravam para o Brasil destinavam-se, além das colônias agrícolas no Rio Grande do Sul, para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, aonde assumiram posições econômicas mais altas. As demandas da economia brasileira por atividades industriais e comerciais ajudavam os judeus a ascenderem a posições de segurança econômica; e tal possibilidade de ascensão residia no pequeno comércio e na indústria têxtil, e não na agricultura (LESSER, 1995, p.44/45).
    Esse destaque na sociedade aliado as diferenças culturais e religiosas serviu de holofote para que os intelectuais da época começassem a questionar e rever as políticas governamentais que deixavam tão abertas as fronteiras para esses imigrantes. Esses questionamentos serviram, por seu turno, como uma mascara para discursos racistas e intolerantes.  Esperava-se com a vinda desses imigrantes, que estes servissem de reforço para que se conseguisse salvar a economia agrícola do Brasil. Porém, com a crise de 1929, ficou evidente que isso não iria acontecer. Os judeus que chegavam ao Brasil se estabeleciam nos centros urbanos e empregaram aquilo que já faziam em seus países de origem, com trabalhos no comercio e na indústria. Preocupados com o fato de estrangeiros estarem ocupando vagas importantes no mercado de trabalho, que estava conturbado devido à crise, a elite brasileira passou a criticar e a criar certo desprezo pelos imigrantes de origem judaica.  Viam os imigrantes como concorrentes dos trabalhadores brasileiros ou como seres improdutivos, exploradores da mão-de-obra e da riqueza pertencentes, supostamente, aos brasileiros natos. Outro fato relevante foi que o século XX no Brasil ficou marcado por um forte espírito de nacionalismo, ao passo que tentava-se criar uma identidade exclusiva dos brasileiros, desvinculada dos seus colonizadores. Isso acabou piorando a situação dos imigrantes, principalmente os de origem judaica, pois o movimento nativista brasileiro espalhou, junto com o espírito nacionalista, os ideais antissemitas, muito semelhantes aos que ocorreram na Europa, sendo reforçado pelos partidos nazifascistas que ganhavam, desde o início da década de 30, força cada dia mais.
    Chegamos agora ao período do estabelecimento do Estado Novo e da ditadura de Vargas.  As principais características desse regime, instituído em novembro de 1937, eram o forte nacionalismo, o anticomunismo, além do autoritarismo característico de uma ditadura. É notório que Vargas usou como argumento para o cancelamento das eleições daquele ano e a instauração de seu regime o fato de um possível e iminente golpe comunista, denominado plano Cohen.  Esse alarde gerou forte comoção popular, que por medo desse tal golpe, aceitaram sem resistência as vontades de seu até então presidente.  Paralelo a isso, as elites políticas da época acreditavam que os estrangeiros eram portadores das ideologias anarquistas e comunistas, um mal externo que necessitaria ser removido. Esse pensamento fora agravado após a insurreição comunista ocorrida dois anos antes.  No período do Estado Novo, os judeus foram proibidos de fazer manifestações culturais que não se expressassem na língua nacional, assim como reprimidas quaisquer ameaças à formação da “raça brasileira”.
    Cabe destacar também o fato do governo fascista de Vargas comungar de forma demasiada com o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, e principalmente com o Partido Nacional Fascista italiano.  A estrutura sindical estabelecida por Vargas, por exemplo, foi inspirada na Carta Del Lavoro, vigente na Itália de Mussolini, assim como as técnicas de propaganda do Estado Novo foram moldadas nos trabalhos do Ministro da Propaganda do III Reich, Joseph Goebbels.
    Malgrado, Getúlio Vargas sempre foi muito prudente quando ao seu posicionamento fascista, preocupado com a repercussão de seus atos para com a potência norte-americana. Para tal, Vargas preocupou-se em disfarçar seu autoritarismo, defendendo abertamente os ideais da democracia.  Apesar disso, Getúlio continuava respirando os ares fascistas da Europa. Inclusive, juntamente com a outorga da nova constituição, proibiu-se a concessão de vistos aos judeus e a outras minorias étnicas por meio de uma série de decretos e circulares secretas que se estenderam especialmente pelo período de 1938 e 1940. Os historiadores chegaram num consenso de que tudo isso fora resultante de dois fatores: a influência crescente de critérios nacionalistas e raciais na regulação da política imigratória adotada pelo governo, onde fora criado um conselho que vistoriava e controlava a imigração e colonização e também a grande perseguição aos judeus na Europa.
    Apesar das políticas antissemitas de Vargas, muitos imigrantes judeus vieram a se instaurar em solo brasileiro. É possível citar a possibilidade de que apesar de “indesejáveis”, eram bem-vindos todo aquele que viesse munido de capitais, habilidades mercantis e capacidade intelectual para se inserirem no tão desejado processo de modernização do país.  Isso é justificável, pois apesar de fascista, Vargas vagava também sobre características capitalistas e estava disposto a fazer o necessário para que se realizasse a modernização da indústria e o crescimento econômico brasileiro.  Essa disposição fez também com que, em agosto de 1942, o Brasil finalmente declarasse guerra às potências do Eixo, para em troca receber o financiamento da construção da Companhia Siderúrgica Nacional, entre outras modernizações advindas do capital norte-americano através da série de acordos conhecidos como Acordos de Washington. Com a entrada do Brasil na Segunda Grande Guerra, a queda do III Reich e posteriormente a queda do regime ditatorial de Vargas, o Brasil passou a se abrir cada dia mais para imigrantes, de inúmeras nacionalidades e etnias.
    Em suma, mesmo com o pensamento antissemita de uma grande parcela da população brasileira, de dispositivos legais que estabeleceram o controle da imigração de judeus e da política governamental com viés fascista, o Brasil não chegou a adentrar no hall dos países inteiramente antissemitas europeus, como a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini, que vieram a perseguir e matar milhares de pessoas. Até porque havia uma grande diferença na forma que se estabeleceu esse antissemitismo, no qual o regime Nacional-Socialista, por exemplo, partia da política segregacionista, ao passo que, no Brasil, partia-se do princípio da assimilação cultural e étnica, mais adequada à cultura de miscigenação presente no país.  


Postado por Diego Saviatto


Referências:

- LESSER, J. O Brasil e a questão judaica. Imigração, diplomacia e preconceito. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
- Ramos, Artur. O problema psico-sociológico do judeu. In: Zwerling, U. (org.). Os judeus na história do Brasil. Rio de Janeiro, Uri Zwerling, 1936.
- Cohen, Esther. O governo federal e o Partido Nazista no Brasil. Universidade Federal Fluminense, 1988. (Dissertação de Mestrado.).

Os Colossais submarinos Classe I-400 japoneses, os únicos submarinos aeródromos da história.

    

    Ilustração do submarino japonês I-400

    A Marinha Imperial do Japão fora responsável por ter desenvolvido embarcações colossais, quase sempre maiores que os das outras nações. Os três submarinhos da Classe I-400 não eram diferentes, sendo uma criação do Almirante Isoroku Yamamoto, comandante-em-Chefe da Frota Combinada Japonesa. Estes submarinos eram muito maiores do que quaisquer outro da época, sendo apenas superadox pelos submarinhos nucleares da década de 1960. Dotados com quatro motores, com 7.700 cv, conseguiam transportar combustível suficiente para ir ao redor do mundo uma volta e meia, sendo mais do que suficiente para chegar aos Estados Unidos no leste ou oeste. A característica mais incomum era que esta classe de submarinos portava a capacidade de transportar 03 hidroaviões Aichi M6A1 Seiran, um feito nunca alcançado por qualquer outro. Essas aeronaves podiam dobrar suas asas em um ângulo de 90° para caber no hangar cilíndrico de 115 metros, que foi ligeiramente deslocado para estibordo e aberta na frente para dar acesso à catapulta de lançamento dos hidroaviões. 

Vista do hangar cilíndrico posto na parte superior do submarino para abrigar aviões Aichi M6A1 Seiran

    Cada uma das 03 aeronaves podiam carregar um torpedo aéreo ou uma bomba com peso de até 800 kg. Alimentado por um motor de 1.400 hp Atsuta 32 (semelhante ao motor alemão Daimler-Benz DB 601). Alcançavam uma velocidade máxima de 295 mph e foram creditados por ter um alcance de 642 milhas náuticas. Os submarinos armazenavam quatro torpedos aéreos, três bombas de 800 kg, e doze bombas 250 kg para armar essas aeronaves, que ficavam totalmente dobrados dentro da embarcação. Para facilitar sua montagem, as aeronaves tinham parte da fuselagem revestida com tinta fluorescente, facilitando os trabalhos feitos a pouca luz. Quatro homens treinados poderiam preparar uma aeronave para lançamento em sete minutos. Todos os três aviões poderiam ser preparados, armados, e lançados em 45 minutos.
    A Marinha norte-americana recuperou os três Submarinos da classe I-400. Depois de um minucioso estudo, os mesmos foram destruídos em 1946, nas águas do Pacífico, para evitar que a tecnologia caísse nas mãos dos soviéticos.

-- Características –
Submarinos produzidos : I-400, I-401, e I-402;

Data de produção: 1944-1945;

Peso: 5.223 toneladas à 6.560 toneladas;

Dimensões: 400,3 pés x 39,3 pés x 23 pés;
Maquinaria: 04 motores diesel de 7.700 cv;
Velocidade: 18,75 nós;
Alcance 37.500 nm a 14 nós;
Armamento: 8x533mm TT fwd, 1x14cm/50 cal. e 20 torpedos.
Profundidade máxima: 100 m 
Tripulação: 144


Postado por Diego Saviatto



O Bombardeio Atômico de Nagasaki

     Em 09 de Agosto de 1945, ocorria o segundo ataque nuclear da história, com o bombardeio nuclear em Nagasaki.

    Gigantesco cogumelo de fumaça se levanta após a explosão da bomba nuclear Fat Man, em Nagasaki



    Depois que Hiroshima foi bombardeada, o Presidente Truman, dos EUA, anunciou que "se eles não aceitam os nossos termos, podem esperar uma chuva de ruína vinda do ar nunca antes vista nesta terra". O governo japonês não expressou nenhuma reação. O então imperador Hirohito, junto com seus aliados no governo, exigiram quatro condições para a rendição, incluindo o mantimento do império e da política nacional japonesa, e nenhuma ocupação do arquipélago japonês, Coréia ou Formosa.
    Se já não bastasse essa pressão exercida pelo governo americano, os soviéticos revogaram o pacto nipônico-soviético, e no dia 9 de agosto, às 00:02, infantaria, blindados e a força aérea soviéticas haviam lançado a Ofensiva Estratégica na Manchúria. Quatro horas depois, a União Soviética declarou oficialmente guerra ao Japão.
    Uma vez que não havia nenhuma indicação de que o Japão se renderia, os EUA decidiram então avançar com o laçamento de outro artefato nuclear. Parsons disse que o Projeto Alberta iria tê-la pronta até 11 de agosto, mas Tibbets apontou para analisar os relatórios que indicavam condições de voo ruins nesse dia devido a uma tempestade e perguntou se a bomba poderia ser preparada para 9 de agosto. Parsons concordou em tentar fazê-lo.
    A cidade de Nagasaki era um dos maiores portos do sul do Japão e era de grande importância em tempos de guerra devido à sua abrangente atividade industrial, que incluía a produção de material bélico, navios, equipamentos militares e outros materiais de guerra. A empresa Mitsubishi, que hoje fabrica veículos, era uma das maiores na cidade. Ao contrário das outras cidades-alvo, Nagasaki não tinha sido excluída dos limites para os bombardeiros pela diretiva do Joint Chiefs of Staff de 3 de julho e foi bombardeada em pequena escala cinco vezes. Durante uma dessas invasões, em 1 de agosto, uma série de bombas de explosivo convencional foram lançadas sobre a cidade.
    Ao contrário de Hiroshima, quase todos os edifícios eram de construção tradicional antiquada, constituídos por paredes de madeira (com ou sem gesso) e telhados. Muitas das pequenas indústrias e estabelecimentos comerciais também estavam localizados em edifícios de madeira ou de outros materiais incapazes de suportar explosões. Nagasaki tinha sido autorizada a crescer por muitos anos, sem obedecer a um plano urbanístico; as residências foram erguidas ao lado de edifícios de fábricas, quase tão perto quanto possível, ao longo de todo o vale industrial. No dia do atentado, cerca de 263 mil pessoas estavam em Nagasaki, incluindo 240 mil residentes japoneses, 10 mil moradores coreanos, 2,5 mil trabalhadores coreanos recrutados, 9 mil soldados japoneses, 600 trabalhadores chineses recrutados e 400 prisioneiros de guerra aliados em um acampamento ao norte de Nagasaki.
    Às 03:49, na manhã de 9 de agosto de 1945, o Bockscar, pilotado pela equipe de Sweeney, foi carregado com a Fat Man, com Kokura como o alvo principal e Nagasaki como o alvo secundário. O plano da missão para o segundo ataque era quase idêntico ao da missão Hiroshima, com dois B-29 voando uma hora à frente e dois B-29 adicionais para instrumentação e suporte fotográfico da missão. Sweeney decolou com sua arma já montada, mas com as fichas de segurança elétrica ainda envolvidas. Durante a inspeção pré-voo de Bockscar, o engenheiro de voo comunicou Sweeney que uma bomba inoperante de transferência de combustível tornou impossível usar 2.400 litros de combustível transportados em um tanque de reserva. Este combustível ainda teria de ser usado por todo o caminho para o Japão, enquanto para a volta o consumo era ainda maior. A substituição da bomba levaria horas; mover a Fat Man para outra aeronave poderia demorar o mesmo tempo e era perigoso. Tibbets e Sweeney, portanto, elegeram o Bockscar para continuar a missão.
    Desta vez Penney e Cheshire foram autorizados a acompanhar a missão, voando como observadores no terceiro avião, o Big Stink, pilotado pelo oficial de operações do grupo, o major James I. Hopkins Jr. Observadores a bordo dos aviões meteorológicos relataram que ambos os alvos estavam claros. Quando a aeronave de Sweeney chegou ao ponto de montagem para seu voo largo da costa do Japão, Big Stink não conseguiu fazer o encontro, pois Hopkins estaria voando cerca de 3 mil metros mais alto, além de uma estrutura de voo diferente em geral. Depois de ultrapassar o limite de tempo de partida original por uma meia hora, o Bockscar, acompanhado pelo The Great Artiste, passou a Kokura, 30 minutos de distância. O atraso no encontro resultou com nuvens e fumaça de incêndios iniciados por uma grande operação de bombardeamento feita por 224 aeronaves B-29 na vizinha Yahata, no dia anterior. As nuvens e a fumaça resultavam na cobertura de 70% da área sobre Kokura, obscurecendo o ponto de mira. A queima de combustível expôs o avião várias vezes para as defesas pesadas de Yawata, mas o bombardeiro não foi capaz de avançar visualmente.
    Após três vôos sobre a cidade e com o combustível acabando por causa da bomba de combustível quebrada, eles se dirigiram para o alvo secundário, Nagasaki. Por volta das 07:50, horário japonês, um alerta de ataque aéreo soou na cidade. Quando apenas dois B-29 foram avistados às 10:53, os japoneses aparentemente assumiram que os aviões se encontravam em missão de reconhecimento e nenhum outro alarme foi dado. Poucos minutos depois, às 11:00, The Great Artiste largou a instrumentação amarrada a três paraquedas. Esses instrumentos também continham uma carta sem assinatura para o professor Ryokichi Sagane, um físico da Universidade de Tóquio, que estudou com três dos cientistas responsáveis pela bomba atômica na Universidade da Califórnia em Berkeley, instando-o a dizer ao público sobre o perigo envolvido com essas armas de destruição em massa. As mensagens foram encontradas pelas autoridades militares, mas não foram entregues à Sagane até um mês depois do ocorrido.
    Às 11:01, uma abertura de última hora nas nuvens sobre Nagasaki permitiu ao artilheiro do Bockscar, o capitão Kermit Beahan, ter acesso visual ao alvo encomendado. A arma Fat Man, contendo um núcleo de cerca de 6,4 kg de plutônio, foi lançada sobre o vale industrial da cidade. Ela explodiu 47 segundo depois, 503 metros acima de um campo de tênis no meio do caminho entre a fábrica de aço e de torpedos da Mitsubishi, no norte do país. A explosão ocorreu a cerca de 3 km do hipocentro que tinha sido planejado; a explosão foi confinada pelo Vale de Urakami e uma grande parte da cidade foi protegida por colinas.



Bomba Nuclear Fat Man, usada no ataque a cidade de Nagasaki


    Dos 7.500 funcionários japoneses que trabalhavam dentro da fábrica de munições da Mitsubishi, incluindo estudantes mobilizados e trabalhadores regulares, 6.200 foram mortos. Entre 17 mil e 22 mil outros que trabalharam em outras fábricas de guerra e da cidade morreram também. Estimativas de mortes e danos imediatos variam muito, de 22 mil a 75 mil. Nos dias e meses seguintes à explosão, mais pessoas morreram por conta dos efeitos secundário da bomba. Por causa da presença de trabalhadores estrangeiros em situação irregular e vários militares em trânsito, há grandes variedades nas estimativas do total de mortes até o final de 1945; uma faixa entre 39 mil e 80 mil pode ser encontrada em vários estudos.

    Ao contrário do número de militares mortos em Hiroshima, apenas 150 soldados foram mortos instantaneamente em Nagasaki, junto com pelo menos 8 prisioneiros-de-guerra.



Postado por Gustavo Martins

Segunda Grande Guerra

O Bombardeio Atômico em Hiroshima

    No dia 6 de agosto de 1945, o avião Enola Gay (nome em homenagem à mãe de Paul W. Tibbets, o coronel que comandou os tripulantes desse mesmo avião) arremessou a primeira bomba nuclear usada em guerra de todo o mundo, a Little Boy, sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. Três dias depois, outra bomba, Fat Man, seria arremessada, porém na cidade de Nagasaki.


A cidade de Hiroshima após a explosão da bomba atômica


    Os Estados Unidos já estava exausto militarmente, com 1.25 milhões de baixas desde que entrou na guerra, sendo que 1 milhão destas mesmas ocorreram entre 1944 e 1945, por conta da Ofensiva nos Ardenas, no fronte europeu.
    Enquanto isso, o Japão sofria com a fome e desnutrição causada pela diminuição de sua frota mercante. A economia do país estava em declínio, e então, em 1945, o imperador Hirohito foi aconselhado à se render aos Aliados, assim como a Alemanha fez mais cedo naquele mesmo ano. Mas isso não aconteceu.
    Os EUA estavam planejando desde antes do fim da guerra na Europa uma invasão do Japão. Tal plano ficou conhecido como Operação Downfall, que tinha sido subdividida em duas: Operação Olympic, que envolveria uma série de desembarques do Sexto Exército dos Estados Unidos com o objetivo de capturar a terceira principal ilha japonesa mais ao sul, Kyūshū; e a Operação Coronet, que continuaria de onde a Olympic parou na data estimada de março de 1946, com uma invasão da região perto de Tóquio.
    Este plano de invasão, porém, era muito óbvio para os japoneses por conta da geografia do país. Eles foram capazes de prever os planos de invasão dos Aliados com precisão e, assim, ajustar o seu plano defensivo, a Operação Ketsugō, em conformidade. Ao todo, 2.3 milhões de soldados do Exército Imperial Japonês prepararam-se para defender suas ilhas, apoiados por uma milícia civil de 28 milhões de homens e mulheres.
    Apesar dos Estados Unidos terem desenvolvido planos para uma campanha aérea contra o Japão antes da Guerra do Pacífico, a captura de bases aliadas no Pacífico ocidental nas primeiras semanas do conflito acabou por postergar esta ofensiva até meados de 1944, quando o Boeing B-29 Superfortress ficou pronto para uso em combate. A Operação Matterhorn, como ficou conhecida, envolvia estes aviões B-29 baseados na Índia estacionados em bases nos arredores de Chengdu, na China, para fazer uma série de ataques a alvos estratégicos no Japão. A operação não atingiu os objetivos estratégicos que os seus planejadores previam por conta de vários problemas, incluindo mecânicos e de distância. Haywood S. Hansell, o general das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos, determinou que as Ilhas Marianas serviriam melhor como bases para os B-29. Porém, as tentativas se mostraram tão ineficazes como as com os bombardeiros na China.
    Como a maioria dos bombardeios estratégicos durante a Segunda Guerra Mundial, o objetivo da ofensiva das USAAF contra o Japão era destruir as indústrias do inimigo, matar ou incapacitar trabalhadores civis dessas indústrias e minar o moral dos civis. Os civis que participaram do esforço de guerra através de atividades como a construção de fortificações e a fabricação de munições e outros materiais de guerra em fábricas e oficinas foram considerados combatentes no sentido legal e, portanto, passíveis de serem atacados. Os militares japoneses não foram capazes de interromper os ataques aliados e a preparação defensiva dos civis do país mostrou-se inadequada. Os soldados e as armas antiaéreas japonesas tinham dificuldade em combates envolvendo bombardeiros voando em alta altitude.
    Os Estados Unidos, trabalhando em colaboração com o Reino Unido e o Canáda, estavam trabalhando na pesquisa e desenvolvimento de armas atômicas. Tal projeto ficou conhecido como Projeto Manhattan. A bomba de Hiroshima era uma arma de fissão de tipo balístico que usava urânio-235, um isótopo raro de urânio extraído em fábricas gigantes em Oak Ridge, Tennessee. Little Boy, junto com Fat Man, ia originalmente ser usada contra os alemães. Porém, por conta da rendição da Alemanha, e toda essa situação ocorrendo no Pacífico, decidiu-se atacar o Japão usando estas bombas.
    Hiroshima era, na época, um dos mais importantes centros militares e industriais do Japão. Hiroshima era uma base de suprimentos e logística de menor importância para os militares japoneses, mas também tinha grandes estoques de suprimentos militares. A cidade era um centro de comunicações, um porto-chave para o transporte marítimo e uma área de reunião para tropas. Era também a segunda maior cidade do Japão depois de Kyoto, que ainda não havia sido danificada por ataques aéreos, devido ao fato de que não dispunha de indústria de fabricação de aviões que era alvo prioritário do XXI Comando de Bombardeio. Durante vários meses, os Estados Unidos despejaram mais de 63 milhões de folhetos em todo o Japão advertindo os civis sobre os ataques aéreos. Muitas cidades japonesas sofreram danos terríveis de bombardeios aéreos, sendo que algumas chegarem a ter 97% de seu território destruído. Mesmo com os avisos, a oposição japonesa à guerra permaneceu ineficaz. Em geral, os japoneses consideravam as mensagens nos folhetos como verdadeiras, mas qualquer um que fosse pego em posse de uma delas era preso.
    Na preparação para lançar uma bomba atômica sobre Hiroshima, os líderes militares norte-americanos decidiram contra uma bomba de demonstração e contra a distribuição de um folheto de aviso especial, em ambos os casos por causa da incerteza de uma detonação bem sucedida e pelo desejo de aumentar o choque psicológico na população. Nenhum aviso foi dado a Hiroshima que uma nova e muito mais destrutiva bomba ia ser lançada. Várias fontes dão informações conflitantes sobre quando os últimos panfletos foram lançados sobre Hiroshima antes da bomba atômica. A história da USAAF registra que onze cidades foram alvo de folhetos em 27 de julho, mas Hiroshima não era uma delas e não houve saídas de folhetos em 30 de julho. Folhetos surtidos foram lançados entre 1 e 4 de agosto e é muito provável que Hiroshima recebeu tais avisos no final de julho ou início de agosto, de acordo com relatos de sobreviventes sobre uma entrega de folhetos alguns dias antes a bomba atômica ser lançada. Um dos folhetos enumerava doze cidades-alvo de bombardeios: Otaru, Akita, Hachinohe, Fukushima, Urawa, Takayama, Iwakuni, Tottori, Imabari, Yawata, Miyakonojo e Saga. A cidade de Hiroshima não estava na lista.
    A população de Hiroshima tinha atingido um máximo de mais de 381 mil habitantes no início da guerra, mas antes do bombardeio atômico, a população tinha diminuído de forma constante devido a uma evacuação sistemática ordenada pelo governo japonês. No momento do ataque, a população era de aproximadamente 340-350 mil pessoas. Os moradores se perguntavam por que Hiroshima havia sido poupada da destruição pelos bombardeios aliados. Alguns especulavam que a cidade estava para ser salva para se tornar a sede da ocupação norte-americana, outros que talvez seus parentes no Havaí e na Califórnia tinham apelado ao governo dos Estados Unidos para evitar o bombardeio de Hiroshima. As autoridades da cidade, mais realistas, tinham ordenado a derrubada de edifícios para criar longas retas de aceiros, começando em 1944. Os aceiros continuaram a ser ampliados até na manhã de 6 de agosto de 1945.
    Durante a noite entre 5 e 6 de agosto, alertas de radares japoneses detectaram a aproximação de inúmeros aviões norte-americanos se dirigindo para o sul do Japão. O radar detectou 65 bombardeiros em direção a cidade de Saga, 102 com destino a Maebashi, 261 a caminho de Nishinomiya, 111 para Ube e 66 com destino a Imabari. Um alerta foi dado e a radiodifusão foi suspensa em várias cidades, entre elas Hiroshima. O alerta de evacuação soou em Hiroshima às 00:05. Cerca de uma hora antes do bombardeio, o alerta de ataque aéreo soou novamente, quando Straight Flush sobrevoou a cidade. O alerta soou sobre Hiroshima novamente às 07:09.
    Às 08:09, Tibbets começou a armar as bombas e entregou o controle do seu bombardeiro para o major Thomas Ferebee. O lançamento às 08:15 (horário de Hiroshima) correu como planejado e a Little Boy, com cerca de 64 kg de urânio-235, levou 44,4 segundo para cair do avião voando a cerca de 31.000 pés (9.400 m) a uma altura de detonação de cerca de 1.900 pés (580 m) acima da cidade. O Enola Gay viajou 11,5 km antes de ser atingido pelas ondas de choque da explosão.
    Devido ao vento cruzado, a bomba errou o ponto de alvo, a Ponte Aioi, por cerca de 800 pés (240 m) e detonou diretamente sobre o Hospital Shima. Isto criou uma explosão equivalente a 16 quilotons de TNT, ± 2 kt. A arma foi considerado muito ineficiente, com apenas 1,7% de sua fissão material. O raio de destruição total foi de cerca de 1,6 quilômetro, com incêndios subsequentes em 11 quilômetros quadrados.



Bomba Nuclear Little Boy, usada no ataque a cidade de Hiroshima

    Pessoas na área relataram ter visto um clarão brilhante seguido de um estrondo alto. Entre 70-80 mil pessoas, das quais 20 mil eram soldados, ou cerca de 30% da população de Hiroshima, foram mortos pela explosão e os consequentes incêndios e outras 70 mil ficaram feridos.
    Alguns dos edifícios de concreto armado em Hiroshima tinha sido muito fortemente construído por causa do perigo de terremotos no Japão e sua estrutura não entrou em colapso, embora eles estivessem localizados bem perto do centro da explosão. Uma vez que a bomba foi detonada no ar, a explosão foi dirigida mais para baixo do que para os lados, o que foi o grande responsável pela sobrevivência do Museu Comercial de Hiroshima, agora conhecida como Memorial da Paz de Hiroshima. Este edifício foi projetado e construído pelo arquiteto tcheco Jan Letzel e estava a apenas 150 metros do ponto zero da explosão nuclear. A ruína foi considerada um Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1996, apesar das objeções de Estados Unidos e China, que expressaram reservas sobre o fundamento de que outros países asiáticos sofreram perdas materiais e de vidas maior e que um foco sobre o Japão não tinha perspectiva histórica.
    Os norte-americanos estimam que 12 quilômetros quadrados da cidade foram destruídos. As autoridades japonesas determinaram que 69% das construções de Hiroshima foram destruídas e outras 6-7% danificadas. O bombardeio iniciou incêndios que se espalham rapidamente pelas casas feitas de madeira e papel.


Postado por Gustavo Martins

Segunda Grande Guerra