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sábado, 24 de outubro de 2015

A Segunda Batalha de El Alamein


    Celebrou-se no dia 23 de outubro o começo da Segunda Batalha de El Alamein, que culminaria na vitória decisiva das Forças Aliadas em face das tropas nazifascistas no norte do Egito no ano de 1942. El Alamein é uma estrada costeira que vai de Alexandria à Líbia. Nessa região as divisões de blindados dos Aliados começaram um ataque decisivo às forças do Eixo em julho de 1942.
    No princípio, a participação das divisões Panzer e da Luftwaffe alemã no Teatro de Guerra no norte do continente africano tinha o intuito de auxiliar as tropas italianas, que vinham sofrendo pesadas baixas perante o poderio britânico, como em dezembro de 1940, na Líbia. Os britânicos puseram três divisões italianas fora de combate e avançaram até Tobruk. Como uma medida de desespero, os italianos pediram ajuda aos seus aliados alemães. Em resposta ao pedido, Hitler enviara o Marechal-de-Campo Erwin Rommel, que desembarcou em Trípoli, capital da Líbia, em abril de 1941, com uma divisão ligeira e uma divisão blindada, mais tarde apoiada pelos aviões da Luftwaffe. Rommel conseguira provar para o Alto Comando Alemão o quão importante era aquele front, mostrando valor em combate e conquistando conseguintes vitórias até então.

Blindado PzKpfw II pertencente ao Afrika Korps estacionado durante a 
Primeira Batalha de El Alamein

    Todavia, essa situação estava prestes a mudar. Em junho de 1942, ao tentar quebrar as defesas aliadas estacionadas na cidade de Alexandria usando uma estratégia de ataque rápido pelos flancos, Rommel fora barrado. Após intensos combates, as tropas comandadas pelo Marechal britânico John Claude Auchinleck conquistaram a primeira vitória em face dos “invencíveis” panzers de Hitler no norte da África.

Marechal-de-Campo Erwin Rommel estuda seus planos de batalha

    Winston Churchill não estava disposto a abrir mão daquele país, pois a perda da Líbia para os alemães implicaria na conseguinte perda do Canal de Suez. Este era de fundamental importância para a Coroa Britânica, pois era a rota dos suprimentos advindos da África e da Ásia. Além disso, Hitler conseguiria ter acesso aos ricos campos de petróleo recém descobertos em solo africano.
    Do lado alemão, Rommel se via numa situação nada agradável . O III Reich estava no seu auge territorial, se estendendo a Oeste na França, a Leste em Stalingrado, a Norte na Noruega e agora ao sul, no norte da África. Logo, com tantas frentes de combate abertas por toda a Europa, o OKW conseguira enviar apenas algumas dezenas de blindados, como os PzKpfw II, III  e IV, blindados anti-carro Marder III, semi-lagartas de transporte de tropa  Sd.Kfz. 251 e veículos de reconhecimento sobre rodas Sd.Kfz 232.  Apesar dessa ajuda, os reforços não foram significativos para combater os britânicos de forma proporcional. Contudo, ao observar os canhões antiaéreos Flak 88 que estava a sua disposição, Rommel viu a possibilidade de usá-los como armas anti-carro, colocando os canhões em posição horizontal, transformando-os em uma potente alternativa para combater divisões blindadas com alta precisão e com um alto poder de fogo de 88mm.

O Marechal-de-Campo Erwin Rommel, juntamente com soldados do Afrika Korps
caminham em meio a canhões Flak-88 posicionados para combater os blindados aliados.

Soldados alemães observam um blindado M3 pertencente ao 8° Exército Britânico
abatido com diversos disparos.

    Os britânicos contavam com os novos Crusader Mk III, com canhões de 57mm e os blindados advindos dos EUA, os famosos Shermans e  M3, ambos portando canhões de 75mm. Além disso, os britânicos contavam com a soberania no ar, pois nem a Luftwaffe nem a Regia Aeronautica conseguiam impedir que a RAF perpetrasse verdadeiros abates sobre as divisões blindadas e transportes de mantimentos. Outro ponto marcante fora o fato de que para garantir uma vitória mais rápida, Churchill designara o Marechal Bernard Law Montgomery para comandar o 8° Exército.

Marechal Bernard Law Montgomery 

    Na noite de 23 de outubro de 1942, os britânicos deram início à ofensiva chamada de Operação Lightfoot, disparando sua artilharia durante seis horas. A infantaria deveria abrir um caminho livre de minas pelo qual passariam os tanques em fila. A operação não teve os resultados esperados porque a extensão dos campos minados resultou ser maior que o esperado. Na manhã do dia seguinte, o quartel-general alemão foi bombardeado. A tentativa de matar Rommel falhara, pois este já estava já há alguns dias na Alemanha, devido a doenças causadas pelas intempéries do deserto. O comandante alemão que o substituíra, general Georg Stumme, sofreu um ataque cardíaco após o evento e faleceu.

Blindado britânico Crusader Mk III avança próximo
 a um blindado alemão PzKpfw IV

    Entre os dias 27 e 29 de outubro houve intensos combates entre blindados ingleses e alemães e, ainda que ambos sofressem baixas. Os combates foram difíceis, principalmente por causa das escassas reservas de combustível e mantimentos alemães. Ao voltar para a África, Rommel teve de lidar com baixas de aproximadamente 12 mil homens e 400 blindados. Os aliados tiveram baixas de mais de 23.500 homens, entre mortos e feridos. No final do ano de 1942, alemães e italianos vieram a estacionar na Tunísia, recuando mais de 2400km, pois Hitler havia ignorado o pedido de Rommel para uma retirada, ordenando que lutassem a todo custo e até o último homem.  Este processo culminou com a libertação da Líbia e da Tripolitana, e por fim, com a queda de Tripoli em 23 de janeiro de 1943.

Soldado britânico rende soldados alemães que estavam a bordo de um blindado


Postado por: Diego Saviatto


    






sábado, 19 de setembro de 2015

O Super Canhão V-3


    Mais conhecido como a Arma de Londres ou Canhão V-3, não era um projeto de um míssil, tal como os projetos anteriores da série "V". Ele foi projetado para atingir Londres, partindo da costa francesa, com milhares de projéteis de 140Kg.
Animação que mostra o funcionamento do V-3 Hochdruckpumpe

    O V-3 Hochdruckpumpe (Bomba de alta pressão) fora projetado e construído pela empresa Saar Roechling, tendo 140 metros de comprimento de canhão, capaz de lançar um projétil de 140 kg, cerca de 85 km de altitude, em uma trajetória sub-orbital em uma faixa de 165 km de distância. Utilizavam um conceito de câmaras laterais anguladas sequencialmente, ativados por condutores elétricos para fornecer a aceleração ao reservatório durante a sua passagem para cima do cano da arma. Isto permitiu uma velocidade inicial de mais de 1500 m/s.
    Hitler estava convencido de que esta terceira geração da Vergeltungswaffe (Arma da Vingança) poderia ser a arma complementar, que integrado aos V-1 e V-2, aniquilariam as defesas dos seus inimigos, começando por Londres e seguindo por toda a capital que se opusesse ao seu Governo. 
    Centenas de trabalhadores foram utilizados para que fosse construído o complexo, até setembro de 1943. Porém, a Resistência francesa informou os aliados do novo esforço quase que imediatamente. Bombardeiros foram enviados para destruir o local dois meses depois. No entanto o bunker provou ser impermeável às bombas aliadas. 
    Todo o complexo estava já em fase de conclusão, quando, em 6 de julho de 1944, bombardeiros ingleses pertencentes ao 617° Esquadrão da RAF lançaram 3 bombas Tallboys, de 5,4 toneladas, para destruir o complexo V-3. Uma Tallboy perfurou um canto do telhado de concreto, bloqueando completamente um dos eixos da arma. A próxima desmoronou outro eixo e fez o terceiro eixo impróprio para uso. Quinhentos metros abaixo, quando os bombardeiros chegaram, 300 soldados alemães e outras centenas de operários tentaram se abrigar em uma das salas do Bunker. Eles ainda estão lá, sepultados pelo que restou do complexo.
    Apesar do cancelamento do projeto, depois da destruição do Bunker, dois protótipos, com o comprimento reduzido para 45 metros de comprimento de cano, foram construídos em Antuérpia e Luxemburgo para o apoio à ofensiva das Ardenas, em dezembro de 1944. Os dados sobre o resultado desses dois protótipos nunca foram encontrados.




Um dos protótipos usados na Antuérpia e Luxemburgo


Postado por Diego Saviatto


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Capitão Wilhelm Hosenfeld - O Herói de Varsóvia

Capitão Wilhelm Hosenfeld

    Nascido em 2 de maio de 1895 em uma familía católica-romana em uma cidade próxima de Fulda, fora fortemente influenciado pela igreja, por ações sociais, obediência à Prússia, pelo patriotismo Alemão. Posteriormente pendeu para o lado do pacifismo, graças a sua esposa Annemarie e também recebeu forte influência do movimento Wandervogel (conhecido como a juventude alemã, eles priorizavam atividades ao ar livre, liberdade, responsabilidade, patriotismo, dentre outras). Em 1914, quando a guerra estourou, ele fora convocado, viu bastante ação, foi ferido e recebeu a Cruz de Ferro Segunda Classe. 
    Em 1939, quando iniciou-se a Segunda Grande Guerra, Wilm fora estacionado na Polônia, da metade de setembro até 1945 quando fora capturado pelos soviéticos, permanecendo por lá até a sua morte 7 anos depois no dia 13 de agosto de 1952. 
    Na Polônia, o primeiro lugar que ele fora designado fora Pabianice, onde fora responsabilizado para cuidar de um campo de prisioneiros. Mais tarde fora designado para Wegrów, e movido mais algumas vezes, quando em julho de 1940, fora enviado para Varsóvia onde ficou até o final da guerra no Wach-Battalion (batalhão de guarda) 660 que fazia parte do Wach-Regiment Warschau (regimento de guarda de Varsóvia) onde atuou como Oficial de Equipe e Oficial de Esportes do Batalhão.  Mas o que esse oficial tem de diferente dos outros? Bem, Wilm fora um membro do Partido Nacional-Socialista desde 1935, onde, com o decorrer dos anos e da guerra na Polônia começou a perceber o quão ruim eram as políticas alemãs, especialmente quando se tratava de cidadãos poloneses e judeus. Wilm e outros amigos, grande parte oficiais, sentiram compaixão para com os habitantes poloneses e envergonhados com o atos de seus compatriotas, ajudavam, sempre que possível, os civis.



   
Hosenfeld segurando um jovem polonês em setembro de 1940

   Wilm tornou-se amigo de diversos poloneses e até se esforçou para aprender a sua língua, participou de comunhões e até mesmo confissões, mesmo que isso fosse proibido para o Partido Nacional-Socialista. Todos esses atos começaram após ele deixar os prisioneiros de guerra poloneses terem contato com suas respectivas famílias. Posteriormente, conseguiu libertar um prisioneiro. Em todo o tempo em que Hosenfeld ficou em Varsóvia, utilizou a sua posição e sua autoridade para dar abrigo aos poloneses, inclusive para um alemão que estava sendo perseguido pela Gestapo. Arrumava documentos e dava trabalho no estádio em que ele chefiava. 


                               
Hosenfeld em Wegrów, fevereiro de 1940, com um Judeu que trabalhava para o exército.

    Leon Warm escapou de um trem que estava em direção a Treblinka durante as deportações de 1942 em Varsóvia. Ele conseguiu retornar a cidade e conseguiu sobreviver graças a Hosenfeld que deu-lhe emprego no estádio de esportes e providenciou documentos falsos para ele. Mas teve um outro Judeu que ficou mais famoso, um pianista da rádio local que perdera toda sua família e estava conseguindo se esconder dos alemães numa casa abandonada, seu nome era Wladyslaw Spilzman. Sozinho, com frio e com fome. foi assim que Hosenfeld achou Spilzman no seu esconderijo, oferecendo ajuda para que saísse de Varsóvia antes de saber que o mesmo era um Judeu. Hosenfeld continuou a conversa com Spilzman e ao perguntar o que ele fazia antes, Spilzman responde que era um pianista, fazendo com que o oficial alemão o levasse até uma sala com um velho piano.


                           
                                                             Wladyslaw Spilzman

“Quando eu coloquei meus dedos no teclado eles sacudiram ... meus dedos estavam duros e cobertos com uma espessa camada de sujeira... Eu toquei Nocturn de Chopin em dó sustenido menor ... Quando eu tinha terminado, o silêncio parecia ainda mais sombrio e mais sinistro do que antes.". (O Pianista, páginas 177-178).

    A partir dai, Hosenfeld começou a trazer suprimentos para ele, trouxe pão, roupas, cobertores e até mesmo o seu quente sobretudo. De toda forma, até 12 de dezembro de 1944 Hosenfeld esteve ajudando Spilzman. Nesse dia os alemães estavam em retirada tendo em vista o rápido avanço soviético.

“Ele me trouxe mais pão do que antes e um edredom quente. Ele me disse que estava saindo de Varsóvia com o seu desprendimento, e eu nunca deveria perder o ânimo, já que a ofensiva soviética era esperada a qualquer momento.". (O Pianista, página 181).

    Alguns dias depois os soviéticos libertam Varsóvia. Hosenfeld é capturado em janeiro de 1945 em uma cidade chamada Blonie, localizada 30km da capital. Após 5 anos em cativeiro, é sentenciado a 25 anos de prisão, em 1950. No relátorio dos soviéticos constava que Hosenfeld teria interrogado e mandado prisioneiros para a detenção, também constava que ele teria trabalhado com espionagem na Abwher ou na Sicherhetsdienst-SD. Pouco antes, em 1946, Wilm escreveu uma carta para a sua esposa contando o que aconteceu, que estava preso, e mandou os nomes de todas as pessoas que ele ajudou para que ela pudesse contactá-los , para que eles o ajudassem na comprovação de sua inocência. O Pianista, Spilzman, só ficara sabendo do nome de seu salvador em 1950. Dois anos depois, Hosenfeld vem a falecer, no dia 13 de agosto de 1952. Andrey Spilzman, filho de Wladslaw Spilzman, fez vários pedidos para o Yad Vashem para que Hosenfeld fosse conhecido como um “Justos entre as Nações”, título honorífico usado pelo Estado de Israel para descrever os não-judeus que arriscaram suas vidas durante o Holocausto para salvar os judeus do extermínio perpetrado pelos nazistas. Isso veio a acontecer em 2007. Em 2011 fora colocada uma placa em sua homenagem na avenida 223 Niepodległości em Varsóvia, onde ele encontrou Spilzman.

Casa com inscrição contando a história de Spilzman, mencionando Hosenfeld no final. avenida 223 Niepodległości, Varsóvia.


Hosenfeld, sua esposa Annemarie e seus 5 filhos.

Wilhelm Hosenfeld tinha as seguintes condecorações:
- Cruz de ferro de 1914, 2ª Classe (1917).
- Distintivo preto de feridos.
- Cruz de Mérito de Guerra 2ª Classe com espadas.
- Cruz de honra da Primeira Grande Guerra (1914/1918)
- Distintivo da SA de Esportes.
- Cruz de Comandante da Ordem da Polônia Restituta (Polônia, outubro de 2007).
- Justo entre as nações (16 de fevereiro de 2009).

Postado por Mateus Bassi






sábado, 12 de setembro de 2015

O Campo de Concentração Dora-Mittelbau e os Foguetes V-2

    Dora-Mittelbau (também conhecida como Dora-Nordhausen ou simplesmente Nordhausen) fora um complexo de fábricas, armazéns e campos de prisioneiros que foram usados a partir de agosto de 1943 até abril de 1945 pela Alemanha Nacional-Socialista para fabricar e testar os foguetes V-2 perto de Nordhausen, no centro da Alemanha. A principal linha de montagem dos V-2 estava localizada em uma fábrica subterrânea chamada Mittelwerk que fora escavada sob as montanhas Kohnstein, cerca de 2 km ao sudoeste da cidade de Neidersachswerfen. Os trabalhos eram feitos por prisioneiros de guerra advindos de outros campos de prisioneiros espalhados por toda a Europa.

Construção da entrada para o túnel principal do complexo Dora-Nordhausen

    No início de dezembro de 1942, Albert Speer, Ministro do Armamento do Terceiro Reich, criou a "Comissão Especial A-4", liderada por Gerhard Degenkolb, um partidário fanático. Como um dos diretores da empresa DEMAG, Degenkolb já havia conseguido uma reorganização notavelmente eficiente na produção de locomotivas. Durante 1943, Degenkolb fora designado para assumir e organizar a produção dos V-2.
    No entanto, a mão de obra era muito escassa. Por isso, em abril de 1943 Arthur Rudolph, o Engenheiro Chefe da Produção dos V-2, visitou a fábrica de aviões Heinkel no norte de Berlim e voltou entusiasmado com a possibilidade de utilização de trabalho advindo dos campo de concentração (principalmente prisioneiros russos, poloneses, e franceses ) para a produção dos V-2. Estes prisioneiros de campos de concentração eram chamados de "detentos" (Haftlinge) e complementaria a mão de obra que já havia sido contratada pelos alemães.

Prisioneiros do Complexo Dora-Nordhausen montam circuitos elétricos para o sistema de controle dos Foguetes V-2 


    Claro que o trabalho de montagem não era todo a cargo destes trabalhadores. As câmaras de combustão, bombas de combustível e muitas válvulas tiveram que ser ajustadas uma com a outra e especificamente testadas e reguladas para cada míssil. Isto significava que a montagem de cada motor V-2 deveria de ser antes da montagem final, testada. Wernher Von Braun era o encarregado dos testes de aceitação final. Em 4 de agosto de 1943, tomou-se a decisão de que a produção V-2 seria realizada em sua maior parte usando o trabalho do campo de concentração em uma proporção de 10 a 15 detentos para cada trabalhador alemão. A SS tornou-se o fornecedor e organizador de mão de obra para a produção dos V-2. Um pequeno campo de concentração era de fato localizado na base do complexo.

Partes dos Foguetes V-2 colocados em vagões de montagem no setor Mittelwerk I

    A escavação do sistema de túneis em Mittelwerk tinha sido iniciada em 1934. Mais tarde, estes túneis tinham sido usados como uma instalação de armazenamento de petróleo, gasolina e gás venenoso. Em outubro de 1940, o Ministério do Armamento em Berlim aprovou a expansão do sistema de túneis, criando dois túneis em forma de S paralelos, conectados em intervalos regulares por túneis transversais que lembram os degraus de uma escada. Tudo isso era necessário para a proteção das linhas de produção contra os frequentes bombardeios aliados. No final de 1943, 46 túneis transversais estavam prontos e cada um dos dois túneis principais (chamado de "A" e "B") era largo o suficiente para permitir que duas faixas regulares de trilhos passassem por eles.
    Em 28 de agosto de 1943, a SS entregou os primeiros caminhões de prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald para começar o trabalho pesado de expansão e conclusão do sistema de túneis. Dora fora o nome dado ao subcampo de Buchenwald, que fora criado dentro dos túneis para os trabalhadores. Em novembro do mesmo ano, tornou-se um subcampo independente e as oficinas que o cercavam, ficaram conhecidas como KZ Mittelbau. 

Prisioneiros montam parte da fuselagem de um Foguete V-2


    A linha de montagem dos Foguetes V-2 em Mittelwerk era composta por um sistema de túneis, onde havia dois túneis paralelos principais, A e B, cada um com cerca de 1,17 km de comprimento, dobrados em uma curva aberta em forma de "S" e ligados em vários pontos por uma série de túneis regulares. Os túneis transversais (chamados de Halls, ou Kammer) possuíam cerca de 183m de comprimento (a partir da parede do lado de fora do túnel A para a parede do lado de fora do túnel B), e foram numerados de 1 a 46, começando no lado norte da montanha. Os Túneis A e B tinha uma altura de 21 a 23 m, e uma largura de 9 a 11 m. Os Halls eram um pouco menores em sua seção transversal, mas ainda assim o espaço subterrâneo era enormemente vasto.
    A entrada sul do Túnel, entre os Halls 46 a 43 foram dedicados a produção dos V-1, sendo denominado de Mittelwerk II. Os V-2 ocuparam os Halls de 21 a 42, sendo denominado de Mittelwerk I. Já no extremo norte do complexo de túneis, entre os Halls 1 e 20, fora dedicadas à produção de motores de aeronaves Junkers, sendo este setor denominado Nordwerk. Cada um dos principais túneis tinham dois conjuntos de trilhos de bitola regulares passando por eles.
    O túnel B possuía 2 linhas de montagem paralelas. Os V-2 a serem montados seriam colocados em pares de carros ferroviários, que levavam os foguetes de uma linha de montagem a outra. Em cada fase da linha de montagem, eram-se adicionadas as determinadas peças, até que os foguetes chegassem praticamente prontos ao Hall 41, na extremidade sul. Esta sala, que tinha sido escavada bem mais baixo do que nível regular do piso dos principais túneis, possuía mais de 50 metros de altura e continha um enorme guindaste, permitindo que os foguetes fossem erguidos verticalmente. Um lado inteiro do Salão 41 continha uma série de andaimes de inspeção verticais. Isto foi necessário porque o fluido final e os ensaios giroscópios (entre outros) não podiam ser adicionados com o foguete na horizontal.

Linha de montagem dos motores dos Foguetes V-2

    O processo de montagem ocorria da seguinte forma: Em primeiro lugar, a seção central do foguete (a fuselagem com os seus dois tanques enormes de álcool e oxigênio líquido) era montado. Em seguida, o grupo de propulsão (câmara de combustão, bomba de turbina, galões de ar) era anexado. Em seguida, a cauda do foguete com o seu anel de propulsão, abas do leme, e nadadeiras seria anexado ao motor. Por fim, o compartimento de orientação (painel de controle, painel de distribuição elétrica, interruptor de tempo principal, equipamentos de rádio, etc), era anexada à frente do míssil e o foguete concluído chegava a Sala 41 para o teste final e entregue para as baterias de lançamento. As ogivas eram transportadas separadamente e conectadas aos foguetes no campo de lançamento.
    O projeto do foguete exigiu uma enorme fiscalização das peças. Dada a diversidade de fontes e subcontratados para os vários componentes e do estado de perturbação predominante na economia alemã devido aos bombardeios aliados, uma parte dos trabalhos nos túneis consistia na inspeção e reinspeção de peças e subconjuntos, bem como ajustando ou encaixando as partes umas às outras.

Prisioneiros acoplam as aletas direcionadoras ao corpo do Foguete V-2

    Os Foguetes V2 usavam como combustível, um composto de álcool (mistura de 75% de álcool etílico com 25% de água) advindo da batata (abundante naquela região da Europa) e um acréscimo de oxigênio líquido, Esses dois combustíveis eram injetados na câmara de combustão em altíssima pressão por uma turbina, essa por sua vez, alimentada por dois combustíveis auxiliares, sendo: 80% de peróxido de hidrogênio e os outros 20%, uma mistura de 66% de permanganato de sódio com 33% de água. Com isso, o foguete alcançava uma velocidade máxima de 6.350 km/h, chegando a uma altitude de 212 km (lançado em plataforma vertical).
    Devido a demasiada força e poder do motor, havia o constante problema de superaquecimento do sistema, que fora facilmente resolvido usando o próprio combustível como sistema de resfriamento, liberando-o em mínimas quantidades em jatos frequentes ao redor do bocal, formando uma película protetora.
    O motor do V-2 possuía um sistema que fazia com que o mesmo desligasse automaticamente ao atingir o ângulo especificado programado, fazendo com que o foguete continuasse sua trajetória de queda livre até o seu alvo. O foguete alcançava uma altura média de 80 km até que houvesse o desligamento do motor.
    As manobras de voo eram feitas por meio de aletas que interferiam na direção do jato do foguete, solução simples se comparada com a dificuldade dos foguetes atuais, em que todo o motor gira para mudar a direção do jato. A orientação de voo era feita por meio de giroscópios.

Foguete V-2 montado passando pela fase de inspeção 

    Os Foguetes V-2 foram lançados em alvos da França e Grã-Bretanha, fazendo milhares de vítimas, na qual as últimas morrem em 27 de março de 1945, em que mais de 2.500 foram mortos e cerca de 6.000 feridos pelo míssil.
-- Características --
- Peso: 12.500 kg;

- Comprimento: 14 m; 
- Diâmetro: 1,65 m; 
- Envergadura: 3,56 m; 
- Propulsor: 3.810 kg; 
- Alcance operacional: 320 km; 
- Altitude padrão: 88 km em trajetória de longo alcance e 212 km de altitude máxima, se lançado verticalmente. 
- Velocidade máxima: 6.350 km/h


Postado por Diego Saviatto





sábado, 22 de agosto de 2015

Das Eiserne Kreuz - Do Império Alemão ao Terceiro Reich de Hitler

    A Cruz de Ferro (Eiserne Kreuz) fora instituída pela primeira vez em 1813, durante as Guerras Napoleônicas, quando a Prússia fora invadida e ocupada pelo exército de Napoleão, e esta se aliara aos russos para expulsar os franceses. Para condecorar os bravos militares e fortalecer o moral neste conflito de libertação de seu território, o Kaiser Friedrich Wilhelm III incumbira o arquiteto Karl F. Schinkel para desenhar tal honrosa condecoração. Inspirada no símbolo da igreja cristã adotado pelos lendários Cavaleiros Teutônicos (antiga Ordem Germânica de Cruzadas criada no século XII) tinha o fundo negro e fosco contrastando com as bordas prateadas. Em uma das faces, ao centro, possuía um ramo com três folhas de carvalho, na parte superior da cruz a sigla real “FW” (Friedrich Wilhelm), encimada por uma coroa e na parte inferior a data que fora instituída.



       Foram deferidas três classes (2ª e 1ª classe e Grã-Cruz, possuindo diferenciação para soldados e civis) sendo que primeira e segunda classe eram destinadas aos soldados e oficiais e a Grã-Cruz era entregue apenas aos líderes militares e alta nobreza. No total foram entregues 16.131 cruzes de 2ª classe, 668 de 1ª classe, 5 Grã-cruzes e uma nova instituição, a Grã-Cruz com Estrela Dourada, uma condecoração única entregue ao Marechal de Campo Gebhard von Leberecht Blücher depois da Batalha de Waterloo, em 1815. Com o fim das hostilidades naquele ano a condecoração não fora mais deferida.

1. Cruz de Ferro II Classe de 1813;
2. Cruz de Ferro I Classe de 1813; 3. Grã-Cruz da Cruz de Ferro de 1813; 4. Blücherstern (honraria dada ao Marechal de Campo Gebhard von Leberecht Blücher); 5. Kaiser Friedrich Wilhelm III da Prússia.

      A Cruz de Ferro voltaria à cena na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) através de um decreto imperial do Kaiser Wilhelm I. Nesta ocasião ressurgiu com variações semelhantes: três classes (2ª, 1ª e Grã-cruz) e dois subtipos (combatente e não combatente). As Cruzes de Ferro de 1870 possuíam na frente à sigla real “W” (Wilhelm) ao centro, também encimada por uma coroa na parte superior e a data da instituição (nesse caso, 1870) no inferior. Foram entregues 43.242 cruzes de 2ª classe, 1.319 de 1ª classe e 9 Grã- cruzes. Findado os conflitos, tal condecoração voltara a não ser instituída.

6. Cruz de Ferro II Classe de 1870;
7. Cruz de Ferro I Classe de 1870;
8. Grã-Cruz da Cruz de Ferro de 1870;
9. Estrela da Grã-Cruz da Cruz de Ferro, dada ao príncipe herdeiro prussiano, o príncipe Friedrich Karl da Prússia, ao Marechal Conde de Von Moltke, aos Generais Edwin Freiherr von Manteuffel, August Karl von Goeben e August von Werder e ao Kaiser Wilhelm I;
10. Imagem do Kaiser Wilhelm I.

    Eis que em 1914, ao estourar da Primeira Grande Guerra, o Kaiser Wilhelm II reinstituiu a condecoração das Cruzes de Ferro, mudando apenas o ano de sua instituição na parte inferior da cruz. Dessa vez, os números de condecorações entregues foram demasiado gigantescos, dado ao também gigantesco contingente (cerca de 13.400.000 soldados). Foram mais de 5 milhões de Cruzes de Ferro de 2ª Classe , cerca de 218 mil Cruzes de Ferro de 1ª Classe , 5 Grã-cruzes e tal qual em 1815, uma instituição de uma única Grã-Cruz com Estrela Dourada, entregue ao Marechal de Campo Paul von Hindenburg em 1918. Pela terceira vez a Cruz de Ferro deixara de existir, após a derrota alemã na Grande Guerra.

1. Cruz de Ferro II Classe de 1914;
2. Cruz de Ferro I Classe de 1914;
3. Grã-Cruz da Cruz de Ferro de 1914;
4. Hindenburgstern (honraria dada ao Marechal de Campo Paul von Hindenburg);
5 - O então cabo Adolf Hitler portando em seu peito a Cruz de Ferro I Classe.


    Chegamos agora no ponto culminante da matéria. É dado início a Segunda Grande Guerra, em 01 de Setembro de 1939. Nesse mesmo dia, o Führer Adolf Hitler (que ganhara a Cruz de Ferro 2ª Classe e posteriormente 1ª Classe quando fora cabo do Exército Alemão durante a Primeira Grande Guerra) reinstituíra por meio de decreto a Ordem da Cruz de Ferro. Ao fazer, Hitler restabeleceu as três classes que já existiam originalmente (2ª e 1ª Classes e a Grã-Cruz). Porém, fora visto que existia um grande abismo entre a entre a 1ª Classe e a Grã-Cruz. Com isso, estabelecera uma quarta classe, a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. O ditador alemão também excluíra a possibilidade de um não combatente receber tal condecoração. A Cruz de Ferro era entregue a todos pertencentes a organizações militares e paramilitares alemães (Wehrmacht e SS), tal qual a polícia, bombeiros e funcionários do serviço ferroviário. Uma curiosidade era que tal ordem poderia ser dada também a estrangeiros aliados ao Reich alemão e que contribuíram combatendo com bravura em prol da Alemanha. A Cruz de Ferro de 1939 iniciara com quatro classes e chegara ao final da guerra com oito. Malgrado era sempre necessário que o soldado tivesse o grau mais baixo antes de receber a classe subsequente, sendo usadas simultaneamente no uniforme.  

As condecorações eram:

- Cruz de Ferro 2ª e 1ª Classe;
- Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro;
- Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho; Folhas de Carvalho e Espadas; Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes e Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes (estas anexadas a Cruz de Ferro);
- Grã-Cruz da Cruz de Ferro.

      Cerca de 3.000.000 de Cruzes de Ferro 2ª Classe foram entregues entre 1939 e 1945, assim como 450.000 Cruzes de Ferro 1ª Classe, 7.361 Cruzes de Cavaleiro da Cruz de Ferro, 890 Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, 160 Folhas de Carvalho e Espadas da Cruz de Cavaleiro, 27 Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes da Cruz de Cavaleiro, apenas uma Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes da Cruz de Cavaleiro, dada ao Coronel Hans-Ulrich Rudel, assim como apenas uma Grã-Cruz da Cruz de Ferro atribuída ao Reichsmarschall Hermann Göring.

6. Cruz de Ferro II Classe de 1939;
7. Cruz de Ferro I Classe de 1939;
8. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro de 1939;
9. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho de 1939;
10. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho e Espadas;
11. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes;
12. Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes.
13. Grã-Cruz da Cruz de Ferro;
14. Estrela da Grã-Cruz de Ferro
15. Oberst (Coronel) da Luftwaffe Hans-Ulrich Rudel;
16. Reichsmarschall e comandante-chefe da Luftwaffe Hermann Göring;
17. Marechal de Campo Erwin Rommel, recebedor da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes.

   Após a capitulação alemã em maio de 1945, todos os símbolos ligados ao Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP) foram banidos, Logo, as Cruzes de Ferro e outras condecorações, já que portavam a suástica, foram proibidas de serem usadas pelos veteranos. Após 1955, com a entrada da Alemanha na OTAN e seu respectivo rearmamento, muitos ases voltaram às fileiras, agora como consultores. Porém, estes não podiam mais usar suas condecorações. Para resolver esse problema, o Governo alemão, em 1957 editou a Lei de Títulos, Ordens e Medalhas de Honra, que previa a manufatura de medalhas, títulos e badges sem a suástica para uso pelos veteranos. Surgira assim a Cruz de Ferro de 1957, sendo de qualidade demasiado inferior, mas mantendo o desenho original, tendo a suástica substituída pelo ramo de três folhas de carvalho existente nas condecorações de 1813, manteve-se a data da instituição de 1939 e as cores da fita em vermelho, branco e preto. Apesar da “desnazificação” das condecorações e das tentativas de restituição de uso, a Cruz de Ferro continua sendo apenas uma memória dos feitos de outrora.

Postado por Diego Saviatto



Fonte: PREVITERA, Stephen Thomas, O Tempo de Ferro : A História da Cruz de Ferro,  Winidore Pubns, Richmond, VA (1999).


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Die Hitlerjugend

    A Juventude Hitlerista fora uma instituição criada pelo NSDAP no fim da década de 1920, com o intuito de trazer os jovens alemães para a política do partido nacional-socialista, que na época estava galgando vagarosamente rumo ao poder da Alemanha. O partido concentrou suas atividades junto aos jovens alemães como público alvo de sua propaganda. Com mensagens que enfatizavam que o Partido era um movimento jovem: dinâmico, resistente, olhando para o futuro e cheio de esperanças. Até 1934, ano que Adolf Hitler substitui Paul von Hindenburg no poder, tornando-se o Führer, o número de inscritos era de apenas 107.956 jovens.  Em 1936, com a imposição do alistamento obrigatório de crianças e jovens de 06 a 18 anos, o número de associados à Juventude Hitlerista já havia chegado à casa dos 5.4 milhões, até que a associação tornou-se compulsória em 1939. Hitler nomeara Baldur von Schirach para comandar todos os assuntos relacionados a Hitlerjugend e aos jovens alemães.

A Hitlerjugend, os futuros soldados do Reich 

    Os jovens que ingressavam a esta sistema escolar e paramilitar passavam por varias fases de aprendizado, sendo estas:
  • Dos 06 aos 10 anos a criança aprendia as lições básicas escolares, com o acréscimo de matérias extracurriculares como as artes, música e história. Neste degrau, a criança era chamada de Pimpf;
  •   A partir dos 10 anos, a criança começava a ter noções de atletismo, acampamento e o seu primeiro contato com o militarismo, sendo chamado de Jungvolk. Era nesse mesmo período que a criança prestava o seguinte juramento: “Diante dessa bandeira de sangue, que representa nosso Führer, juro devotar todas as minhas energias e forças ao salvador da nossa pátria, Adolf Hitler. Estou disposto e pronto a dar a minha vida por ele, com a ajuda de Deus.”;
  • Aos 14 anos os rapazes entravam na Juventude Hitlerista propriamente dita, ficando nela até os 18 anos. A partir dessa idade, o jovem alemão intensificava seus treinamentos atléticos e de campismo e ingressava numa academia militar de tiro, onde aprendia os conceitos básicos do funcionamento e disparo de armas. A partir desta idade, as crianças eram chamados apenas de jung (jovem);
  • Aos 18 anos, o jovem alemão fazia uma série de testes, demonstrando tudo o que aprendera até ali, caso passasse, ele ingressaria a alguma unidade regular do exército.
    Existiam também instituições para as jovens garotas alemãs, que ingressavam aos 10 anos na Jungmädel (jovens donzelas), e aos 14 anos entravam para a Bund Deutscher Mädel (Liga das Moças alemãs). Nessas instituições de ensino aprendiam além das lições normais da escola, noções do cuidado da casa, como serem mães cuidadosas e por vezes também tinham noções de militarismo. Aprendiam também as tradições alemãs, as artes, a música e tudo o que era proveniente da cultura de seu país. Todos os jovens tinham um caderno de registros, onde era anotado seu progresso no aprendizado e lhe era cobrado caso seu desempenho não fosse aceitável.

Fotografia de propaganda mostra jovens garotas da Bund Deutscher Mädel em uma apresentação de uma dança folclórica alemã

    A Juventude Hitlerista estava ativamente presente dentro de divisões da Waffen-SS e Wehrmacht, como a tão conhecida e por vezes temida 12ª Divisão Panzer SS Hitlerjugend, atuante em varias frentes do Teatro da Guerra como a Operação Barbarossa e na defesa das praias da Normandia.
Porém vale destacar a sua maciça atuação de milícia durante a Batalha de Berlim.  Lado a lado com integrantes da Volkssturm, da Wehrwolf e os remanescentes do Exercito regular da Wehrmacht e da Waffen-SS, os jovens garotos e garotas alemães marcharam contra a ofensiva soviética nos últimos dias do III Reich.


   O SS-Obergrenadier Otto Funk, juntamente com outros membros da 12ª Divisão Panzer SS Hitlerjugend na Normandia, França, em 1944

    Armados de rifles, metralhadoras capturadas de soldados mortos e panzerfausts, estes “soldados” infringiram muitas baixas contra a infantaria e contra os blindados soviéticos. Por vezes, estes jovens soldados eram insurgentes e não recuavam, mesmo sob a ordem de um superior e continuavam a lutar. Porém, em outras tantas ocasiões elas realmente não passavam de crianças e no menor sinal ou presença da morte, entravam em desespero e aos prantos corriam para o primeiro buraco que vissem pela frente.
    Outro ponto interessante fora o fato de que, depois da rendição incondicional da Alemanha Nacional-Socialista, os ex-integrantes da Hitlerjugend tal como da Volkssturm ingressaram para a resistência dos Wehrwolf, atuando de forma anônima até os anos iniciais da Guerra-Fria. 

Postado por Diego Saviatto



domingo, 9 de agosto de 2015

Batalha de Halbe

24 de abril de 1945, a Batalha de Halbe.


    O 9º Exército alemão, comandado por Theodor Busse, se encontrava encurralado em um dos bolsões criados durante a batalha de Berlim. Sua única chance para se juntar ao 12º Exército, comandada por Walter Wenck, para então seguirem para o oeste e renderem-se aos americanos era, quebrar as posições ao oeste em direção ao vilarejo de Halbe. O problema é que eles teriam que passar por 3 linhas da 1ª Frente Ucraniana comandada por Ivan Koniev, enquanto eram atacados na retaguarda pela 1ª Frente Bielorussa, comandada por Georgy Zhukov.
    Tudo começou com o início da Batalha de Berlim a 16 de abril de 1945, os soviéticos fizeram 3 linhas de ataque em Berlim. Em 21 de abril eles conseguiram quebrar as defesas berlinenses em dois pedaços e assim começaram a cercar Berlim. O 9º Exército defendia o pico de Seelow quando a 1ª Frente Bielorussa (com a ajuda do 1º Exército Polonês) bateu de frente com 1 milhão de soldados, e 3 mil tanques. Os alemães.... tinham pouco mais de 112 mil soldados e quase 600 tanques. Depois dessa batalha o 9º Exército teve de recuar para o sudeste de Berlim, deixando caminhou livre para as forças de Zhukov.
    O avanço soviético foi muito rápido e o 9º Exercito viu-se ameaçado por duas forças soviéticas que vinham do sul e do leste. As forças que vinham do sul consistiam no 3º e 4º Exercito Guarda de Tanques, que em muito já vinha penetrando os extremos e acabara de penetrar a região onde ficava a retaguarda das tropas alemãs.




    O 9º Exército já tinha perdido muitos tanques, artilharias e soldados em Seelow. Também não conseguiram estabelecer comunicação para pedir suprimentos por via aérea. Com 80 mil soldados, menos de 60 tanques (incluindo 14 tanques KönigTiger da 102.SS-Panzerabteillunge) e escassa artilharia, contra 280 mil soviéticos que dispunham de 280 tanques e um apoio aéreo que consistia em mais ou menos 1500 aviões.
    Ao todo foram 3 tentativas de quebrar as linhas soviéticas. Na primeira tentativa em 25 de abril, o General Busse ordenou seus esquadrões Panzer a penetrar ate Baruth para poderem usar as ruas de Luckenwalde e Jüterborg. O Coronel Von Luck pediu para que fosse aberto um corredor para que o 9º Exército pudesse usar, e não permitia a passagens de civis. Von Luck conseguiu fazer uso da Autobahn Berlim-Dresden, mas ai chegaram os tanques soviéticos IS(Iosif Stalin) e assim começou uma batalha de tanques em Baruth. Von Luck se desespera e manda seus soldados tentarem sair do cerco sozinhos. No dia seguinte a batalha continuou, até que no dia 27 Von Luck é feito prisioneiro. Alguns sobreviventes alemães conseguiram chegar no rio Elba.
    Na segunda tentativa eles conseguem penetrar um pouco, mas com medo de possiveis emboscadas por causa da densa floresta e da fumaça causada por explosões e fogo. Porém essa situação ajudou os grupos de alemães a se esconderem, as árvores destruídas e valas feitas por munição explosiva de tanques também auxiliaram a retirada dos soldados alemães. Na terceira tentativa os alemães conseguem quebrar as defesas da 50ª Divisão de Guardas de Rifles, mas pagam um alto preço quando os soviéticos, no dia 28 e 29, reforçam os flancos e utilizam os Katyushas bem no centro dos alemães. Os soldados do 9° Exército já estavam desesperados, chegando a trocarde roupas com civis para que pudessem fugir. Entre os dia 4 e 7 de maio, os alemães já estavam conseguindo atravessar o Elba para se render aos americanos.


120 mil alemães foram capturados, 30 mil mortos e 
10 civis mortos. Enquanto os soviéticos perderam mais de 20 mil soldados.










Postado por Mateus Bassi


Segunda Grande Guerra